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Serra não descarta privatizar estradas federais

Armando Fávaro

19 de junho de 2010 | 19h36

Por André Mascarenhas

Depois de ir a duas convenções partidárias, uma pela manhã em São Paulo e outra a tarde em Niterói (RJ), o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou à capital paulista ainda na noite de hoje para participar da gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura. Na entrevista, que deve ir ao ar na próxima segunda-feira, 21, o presidenciável falou sobre economia, segurança e educação, além de ter defendido a união civil de homossexuais, mas não o casamento, e se posicionado contra a descriminalização da maconha.

Mas foi a partir de uma pergunta sobre privatização, um assunto sensível ao PSDB, que o tucano procurou mostrar em que pontos tentará marcar diferenças com as políticas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado se levaria para o resto do País a política de privatização de estradas do Estado de São Paulo, Serra demonstrou considerar a possibilidade. “Mas uma coisa eu garanto: se for feito, vai ser bem feito”, disse. O presidenciável também defendeu o modelo para os aeroportos brasileiros e criticou a concessão de empréstimos de bancos públicos para a fusão de empresas privadas, o que classificou como o “modelo de privatização” do governo Lula.

O candidato tucano aproveitou um pergunta sobre os altos preços dos pedágios em São Paulo para atacar seus adversários. “Você está apenas retransmitindo o que diz a oposição (no Estado)”, respondeu Serra ao apresentador do programa, Heródoto Barbeiro. “Esse é o trololó petista, que tem muito pouco a falar sobre São Paulo”, completou.

Durante boa parte da gravação, Serra procurou diminuir a responsabilidade do governo Lula no avanço econômico do País. Para Serra, a alta taxa de crescimento registrada no primeiro trimestre de 2010 é resultado da expansão reduzida dos últimos anos. “No ano passado crescemos 0%”, lembrou o ex-governador paulista, para quem há em andamento um processo de ‘desindustrialização’ no Brasil. Serra citou o caso da indústria da celulose, em que, segundo ele, o País exporta matéria-prima para importar o produto final. Questionado sobre de quem é a culpa, o tucano atacou: “Nesse momento é do atual governo. Mas muitos deles não sabem disso. O presidente Lula não sabe. Ele vai levando.”

Ofensiva

Empatado com a petista Dilma Rousseff nas últimas pesquisas, o tucano faz uma ofensiva de mídia e articula apoios em todo o Brasil para tentar conter o crescimento da candidata do governo. Neste sábado, o tucano fez o discurso que encerrou a convenção nacional do PTB, em São Paulo – uma aliança que irá render mais 42 segundos de propaganda eleitoral para Serra no rádio e na TV, mas que não lhe garante o apoio incondicional do partido. Embora a cúpula do PTB, presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, apoie o tucano, a bancada da sigla na Câmara dos Deputados é majoritariamente dilmista.

Em Niterói, Serra procurou mostrar apoio ao candidato do PV ao governo fluminense, Fernando Gabeira, embora não tenha discursado na convenção que oficializou a candidatura. “O Rio é tão importante que dois candidatos à Presidência têm um único nome para o governo”, disse Serra sobre o apoio da também presidenciável Marina Silva ao deputado verde.

Na última quinta-feira, Serra foi o único filiado do PSDB a aparecer no programa partidário da sigla, que foi ao ar em rede nacional. Além da entrevista ao Roda Viva, Serra participará, também na segunda, 21, de sabatina organizada pelo portal Uol e pelo jornal Folha de S.Paulo.

Leia a seguir os principais destaques da entrevista:

21h57 – Serra defende que a Lei de Responsabilidade Fiscal seja estendida para todas as esferas da União. A entrevista chega ao fim. Heródoto anuncia, para o próximo dia 28, a gravação do programa com a ex-ministra Dilma Rousseff. Ao fim da fala de encerramento do apresentador Heródoto Barbeiro, Serra tenta dar uma última palavra, mas é interrompido pela música do programa.

21h54 – “Tudo que é preciso de infraestrutura, saúde e transporte nós garantimos”, diz Serra sobre as obras para a Copa de 2014 em São Paulo. “Estádio novo tem um problema. O Palmeiras tem o Palestra, o São Paulo tem o Morumbi e o Corinthians joga no Pacaembu. Precisa ver se vai ter público para um quarto estádio”, opina.

21h49 – Serra se posiciona à favor da união civil dos homossexuais. “No caso de casamento, é uma questão religiosa”, desconversa Serra. Ele defende uma consulta às Forças Armadas no caso de presença de homossexuais no Exército. Por fim, o candidato diz que nunca fumou maconha. “Por um motivo simples, eu não fumo.” O tucano diz que, diferentemente de Fernando Henrique, é contra a descriminalização da maconha e dos cassinos.

21h47 – Heródoto pergunta se Serra levaria para o País a política de São Paulo de premiar professores com bom aproveitamento na rede pública. “Isso é uma política estadual”, diz Serra. Parte dos professores do Estado de São Paulo entraram em greve contra essa política. “Não foram os professores, foi o sindicato do PT”, corrige o candidato, que chama a greve de “eleitoral”.

21h44 – “Nós queremos todas as crianças de até oito anos alfabetizadas no País. Isso é uma meta”, diz Serra ao ser questionado sobre projetos para educação. O tucano promete colocar duas professoras por sala de aula na maioria dos colégios do Brasil. Ele critica os métodos construtivistas. “Você não ensina mais tabuada. Fica tentando ensinar porque 7×8 é 56.”

21h42 – Começa o quarto e último bloco da gravação do Roda Viva. Heródoto pergunta se Serra vai fazer alguma viagem internacional, como tem feito Dilma Rousseff. “Não sei. Se for oportuno, eu farei.”

21h32 – Serra critica o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. “É um sujeito que diz que não houve holocausto. É um homem não confiável. Com a Venezuela, vamos ter relações normais”, diz, sobre qual seria sua política externa. O candidato defende a manutenção de relações comerciais com todos os países. “Mesmo quando há ditadura, você tem que ter relação com o país. Agora, o que não dá é para concordar com desrespeitos aos direitos humanos.” E completa: “Eu acho que ficar agradando ditadores, ser permissivo com violações dos direitos humanos, não pode. Agora, (manter) relações comerciais, é normal.”

21h30 – “Eu comecei a criar na minha gestão uma ciência, que é a de destravar”, diz Serra ao comentar as dificuldades para a criação de presídios em São Paulo. Serra admite que criou “muitos poucos” presídios no Estado. Questionado se não foi pelo mesmo motivo que o governo federal também fez tão poucos presídios, Serra foi taxativo. “Não, foi inércia.”

21h25 – “São Paulo é o Estado em que a população se sente mais segura no País”, diz Serra ao ser questionado sobre os motivos que mantiveram a questão da segurança como das principais preocupações da população brasileira. O ex-governador paulista promete criar um ministério da Segurança Pública, com o objetivo de barrar o contrabando de armas e drogas. “Tem lugares que a segurança é melhor do que outro”, continua. “Quais são os motivos? Muitas vezes, é a ação da polícia. Então vamos espalhar as políticas que deram certo em alguns lugares para outros. Esse é o papel do governo federal”, explica. O ex-governador vê a necessidade de militarizar as fronteiras secas do País, não necessariamente com o Exército. E cita como exemplo as divisas do Mato Grosso do Sul com a Bolívia.

21h20 – Serra é questionado sobre como combater a transferência de votos de um popular Lula para sua candidata Dilma. “A economia, a curto prazo, vai bem. A questão é como manter isso a médio e longo prazo”, diz.

21h17 – Começa o terceiro bloco do programa. Heródoto pede um bloco com assuntos mais “populares”, e questiona o que Serra acha da redução da jornada semanal de trabalho. “Na área privada é possível fazer acordos. Acho que é no Congresso que se deve achar um consenso a esse respeito”, afirma. “Se o Lula quisesse de fato isso, não tinha deixado isso para o último ano de governo”, completa.

21h12 – O ex-governador é questionado sobre que críticas podem ser feitas ao modelo econômico brasileiro, que, segundo um dos jornalistas, começou no governo Fernando Henrique Cardoso, foi mantido por Lula e está dando certo. “Podia ter dado mais certo. Só isso. Nós não precisaríamos ter R$ 50 bi de divida todos os anos e não precisaria ter indústria de alumínio e de celulose saindo do País”.

21h10 – Serra responsabiliza o governo pelo que está chamando de desindustrialização do País. “Nesse momento é o atual governo. Mas muitos deles não sabe disso. O presidente Lula não sabe. Ele vai levando”, cutuca Serra.

21h05 – “A economia crescer sustentadamente é o melhor remédio para entrar capital produtivo no País”, diz Serra, em defesa de sua aposta nos juros baixos e câmbio flutuante.

21h03 – O candidato insiste nas críticas ao modelo de empréstimos de bancos estatais para a fusão de empresas privadas. E diz que teria feito o mesmo que o presidente americano, Barack Obama, no caso do Lehman Brothers.

20h58 – Os jornalistas aproveitam o assunto para saber em que outras áreas o candidato tucano pretende dar concessões para o setor privado, caso seja eleito. Ele respode que abriria os aeroportos ao setor privado. E critica o modelo do governo federal de privatizações “onde o governo dá dinheiro público, subsidiado, para uma empresa comprar a outra”.

20h57 – “Eu vou ver. Mas uma coisa que eu te garanto: se for feito, vai ser bem feito”, diz Serra ao ser questionado se irá privatizar as rodovias federais do País.

20h54 – Começa o segundo bloco. O apresentador do programa, Heródoto Barbeiro, questiona os altos preços dos pedágios em São Paulo. “Você está apenas retransmitindo o que diz a oposição”, responde Serra. Ele argumenta que, em sua gestão como governador, ele baixou os preços dos pedágios no Estado. “Esse é o trololó petista que tem muito pouco a falar sobre o Estado de São Paulo”, ataca Serra. Segundo o candidato, São Paulo tem as melhores estradas do Brasil por conta dos investimentos financiados pelas empresas privatizadas.

20h50. Termina o primeiro bloco do programa com uma resposta de Serra sobre a implantação do ensino técnico, uma de suas bandeiras de campanha.

20h45 – Serra é questionado sobre um livro que estaria sendo escrito sobre os bastidores das privatizações. Segundo blogs, como o de Luis Nassif, o jornalista Amaury Ribeiro Jr estaria escrevendo o texto, que teria denúncias contra a filha de Serra, Verônica.

20h42 – “Quem não gosta de ouvir fofoca”, diz Serra, questionado se os dossiês são um “mal necessário” nas campanhas. “O PT tem divulgado isso há muito tempo em seus blogs”, diz o ex-governador de São Paulo. Para ele, o dossiê supostamente encomendado pela campanha de Dilma é material “requentado”. “Quando se fala em dossiê, é bom que se diga fajuto.”

20h41 – “Eu espero que o PT tenha aprendido no governo que, em sendo oposição, não se deve optar pelo quanto pior melhor. O PT também tem bons quadros”, diz o tucano sobre como seria o PT de volta à oposição, numa eventual vitória sua.

20h36 – “Eu não acredito que seja um mal necessário para o País o loteamento de cargos”, diz Serra ao ser questionado se é possível governar sem alianças com políticos mal intencionados. “Eu to combatendo essa ideia (do mal necessário)”, diz. Serra aproveita para atacar o loteamento a Fundação Nacional de Saúde e nos Correios.

20h35 – Serra brinca: “No Rio ninguém perguntou. Então eu disse: ‘já que ninguém perguntou, eu digo, o vice vai ser a Argentina'”.

20h34 – Serra responde à primeira pergunta, sobre sua ida à convenção do PTB e do PV do Rio, e se já possui um candidato a vice: “Não trouxe o vice. O vice vai ser anunciado no fim do mês. Não tem demora. Tem o prazo até o fim do mês, então nós escolhemos esperar até o fim.

20h29 – Com meia hora de atraso, começa a gravação. É o segundo programa da série especial de entrevistas com presidenciáveis. Marina Silva foi a sabatinada da última segunda. No próximo dia 28, Dilma Rousseff, do PT, participa do programa.

20h26 – Os entrevistadores da noite são o editor executivo e coordenador da cobertura eleitoral do Grupo Estado, Luiz Fernando Rila; o editor-executivo do jornal Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila; a diretora de redação do jornal Valor Econômico, Vera Brandimarte; e o repórter especial do jornal O Globo, Gilberto Scofield.

20h23 – Serra já está sentado no estúdio, ao centro dos entrevistadores. A gravação deve começar em instantes. Após a gravação, assista aos melhores momentos da entrevista no site do Roda Viva.

19h56 – Serra chega à sede da TV Cultura, em São Paulo. Marcada para às 20h, a gravação do Roda Viva teve três horários diferentes desde a última terça-feira. Inicialmente, a entrevista seria às 15 horas de hoje, depois passou para as 18h e finalmente foi marcada para às 20h. Na última semana, ele foi alvo de críticas de aliados, que reclamam, entre outras coisas, da falta de pontualidade do tucano.

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