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No JN, Serra diz que PT usa denúncia contra Paulo Preto para ‘nivelar todo mundo’

Armando Fávaro

19 de outubro de 2010 | 21h14

André Mascarenhas

Em entrevista ao Jornal Nacional na noite desta terça-feira, 19, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, atribuiu a adversários as denúncias contra o ex-diretor da Dersa Paulo Viera de Souza, o Paulo Preto, e classificou as acusações contra sua campanha como uma tentativa do PT em se “niverlar” por meio de escândalos.

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Perguntado sobre a declaração de Paulo Preto, de que “não se abandona um líder ferido na estrada”, Serra disse que não houve desvio de dinheiro em sua campanha, e acrescentou que, se houvesse, ele que seria a vítima. “Sempre existe num partido gente que gosta de um, gente que não gosta do outro. O fato é que não houve o essencial, que é o desvio de dinheiro na minha campanha. Porque eu saberia. Em todo caso, nós seríamos a vítima”, disse.

Reportagem publicada pela revista IstoÉ afirma que o ex-diretor da Dersa teria desviado cerca de R$ 4 milhões de um suposto caixa dois da campanha tucana.

Serra voltou a negar as acusações, mas ponderou que, se fosse verdadeiro, o caso não teria a mesma importância de escândalos como o de tráfico de influência na Casa Civil, que resultou na demissão da ex-ministra Erenice Guerra. “Não se trata nem de dinheiro do governo. É um dinheiro que foi contribuição para uma campanha”, disse. “Eu não tenho nenhum chefe da Casa Civil que ficou do meu lado e que aprontou tudo o que a Erenice aprontou, braço direito da Dilma”, acrescentou. Erenice foi chefe de gabinete da candidata do PT, Dilma Rousseff, durante sua passagem pela chefia da Casa Civil.

Segundo Serra, o PT “gosta de vir com ataques destes meio incompreensíveis para nivelar todo mundo.”

O candidato do PSDB também foi questionado sobre a contratação da filha de Paulo Preto durante suas passagens pela prefeitura e pelo governo de São Paulo. Segundo Serra, não foi ele o responsável por oferecer os empregos à jovem, que teria a qualificação necessária para os cargos que ocupou. Em sua resposta, o tucano voltou a citar o caso Erenice. “Ela não está em nenhum cargo que tome decisões, faça lobby, pegue dinheiro, como no caso dos filhos da Erenice”, disse.

Aborto. Serra voltou a ter de se pronunciar sobre a exploração do tema aborto por sua campanha. Na opinião do candidato, foi o PT que levou o assunto para o debate, através promulgação do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que, segundo ele, “tornava transgressor, criminoso, aquele que fosse contra o aborto”.

“Não fomos nós que levantamentos, nem nós exploramos”, disse. Para o candidato do PSDB, a polêmica em torno do caso foi uma reação da população às contradições de Dilma, que no passado “manifestou-se à favor do aborto” e que hoje diz ser contra. “Eu sempre manifestei que sou contra a liberação do aborto. E nunca explorei isso do ponto de vista de que ela (Dilma) estaria errada por ser à favor do aborto. O que acontece é que ela afirmou uma coisa, e depois afirmou o oposto”, anotou.

Serra acrescentou que sempre visitou igrejas nas campanhas das quais participou. “Não há nada forçado nesse sentido. E, aliás, a candidata não fez outra coisa senão frequentar igrejas. Coisas que habitualmente ela não fazia.”

Marina. O candidato do PSDB teve ainda de esclarecer suas declarações sobre a candidata derrotada do PV Marina Silva, durante debate da TV Globo do primeiro turno. Segundo Serra, Marina errou ao compará-lo a Dilma. Em resposta, Serra disse que à época que Marina e Dilma eram parecidas por terem permanecido no governo Lula após o escândalo do mensalão. “Não foi propriamente uma acusação. Foi mostrar que, se você começa a fazer comparações, você pode chegar a qualquer conclusão”, explicou.

“Eu gosto muito da Marina. É uma pessoa que eu admiro. E ela deu uma grande contribuição no Brasil para a democracia”, acrescentou.

Desperdício. O tucano argumentou ao fim da entrevista que há margem no orçamento da União para suas propostas de campanha. Serra se comprometeu com a ampliação do salário mínimo para R$ 600, a concessão de um 13º para os beneficiários do Bolsa Família e reajuste de 10% para os aposentados. “Eu fiz essas propostas porque acho que são fundamentais do ponto de vista social”, disse.

De acordo com o candidato do PSDB, os recursos necessários corresponderiam a 1% do orçamento atual. Questionado sobre como conseguir o dinheiro, Serra explicou haver “dinheiro que vai entrar para o governo, no ano que vem, que está subestimado”. O tucano citou ainda o efeito que os aumentos teriam sobre a arrecadação e o “corte de desperdício”. “Com isso, nós vamos ser capazes de cobrir esse 1%. E do ponto de vista do País, representa um grande salto social e uma medida de justiça”, disse.

Serra aproveitou para cutucar o governo federal, que, em sua opinião, não concede os benefícios porque aposta em outras prioridades como a concessão de subsídios “a investimentos que provavelmente não são rentáveis”. “Tem muito desperdício. Muito desvio de dinheiro público”, atacou. “Nós vamos enxugar tudo isso pra poder atender aos mais necessitados.”

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