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Secretário de Kassab, Walter Feldman é ‘marineiro’

Jennifer Gonzales

06 Setembro 2011 | 21h06

O secretário municipal de Articulação de Grandes Eventos de São Paulo, Walter Feldman, virou ‘marineiro’. Feldman, que deixou o PSDB em abril e atualmente está sem partido, esteve reunido com a líder ambiental na última sexta-feira, 2, em São Paulo.

“Não falamos um milímetro sobre candidatura, sobre presidência”, contou o secretário. “A conversa com a Marina, depois de 35 anos na política, foi como o renascer dos meus sonhos. Foi uma conversa profundamente teórica. Falamos muito sobre psicanálise, sobre filosofia, sobre as nossas amarguras com o quadro atual, a constatação da saturação do sistema partidário”, disse.

O secretário definiu a ex-senadora e candidata derrotada à Presidência como “figura humana e política que me inspira”. Ele conta que disse a ela: “eu vou segui-la”. “Eu falei isso e ela não gostou. Ela disse: ‘nós vamos caminhar juntos’”, afirmou Feldman.

Mesmo sem planos futuros definidos ainda, Feldman elogiou a ideia de Marina de deixar amadurecer a criação de um novo partido. “Nossos governantes pegam um carisma que é dado pela representação popular e transformam em instrumentos pessoais. Carisma é uma escolha da população que determina a um líder a missão de levar adiante um projeto de sociedade, não dele”, afirmou.

Para Feldman, que atualmente trabalha em Londres observando como os ingleses estão organizando os Jogos Olímpicos, “se você não tomar cuidado, seus sonhos passam a ser as realizações do dia a dia. E o senhor humano precisa de sonhos estratégicos. Sonhos que possam ser construídos no longo prazo”.

PSD e os outros partidos

Feldman também disse que não é uma crítica as declarações feitas sobre o PSD em entrevista anterior ao Estadão.com.br. “Dentro do atual quadro partidário, as formas de organização partidária são muito semelhantes. Eu vi um estudo no Valor Econômico, a maioria dos partidos são de donos, caciques”, afirmou. Ele defende partidos com “enorme capacidade de debate e democracia interna”.

Ele avalia que esse problema com os partidos é um dos principais gargalos do País atualmente. “Eu diria que a democracia brasileira envelheceu muito rapidamente ou não amadureceu. Ou é o envelhecimento precoce, ou é um crescimento nanico. Não conseguiu dar o salto. Não conseguiu responder a essa expectativa mundial do Brasil bola da vez porque a política joga pra fora”, disse.

Para ele, os partidos estão no centro do problema porque “quem leva os políticos para governar são os partidos. Se os partidos não conseguem ser abertos, modernos, oxigenados, visíveis, resultarão em governos com dificuldades semelhantes, parlamentos com dificuldades semelhantes”.

Segundo Feldman, esse foi o centro da conversa que teve com Marina. “Ela falou muito isso, muito interessante essa análise. O sujeito da democracia é o cidadão, o povo. Visto no lado indivudal pelos seus direitos, mas visto pelo lado coletivo na escolha dos seus representantes. Como é que faz o sistema partidário brasileiro? O partido se torna o sujeito, e o cidadão deixa de ser sujeito. Depois da escolha, não é chamado para mais nada, só assiste. Nós temos que reverter esse jogo”, defendeu.

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