Secretário de Kassab critica falta de planejamento para grandes eventos no Brasil
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Secretário de Kassab critica falta de planejamento para grandes eventos no Brasil

Jennifer Gonzales

19 de setembro de 2011 | 15h46

Jair Stangler, do Estadão.com.br

O secretário municipal de Articulação de Grandes Eventos de São Paulo, Walter Feldman, criticou, em entrevista ao Estadão.com.bra falta de planejamento do Brasil para gerir grandes eventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Feldman usou o exemplo do Pan-Americano. “O Pan-Americano lá fora é muito criticado. Porque não teve legado, não teve sustentabilidade, não teve planejamento estratégico, não teve orçamento definido”, avalia.

Para ele, o problema está na maneira como as licitações são feitas. “O Brasil não pode mais ter projeto básico. Quando eu voltar a Brasília, vou querer discutir isso no Congresso Nacional. O Brasil tem que ter projeto executivo para todas as obras. Se tivéssemos projeto executivo não teríamos gasto R$ 4 bilhões no Pan Americano. Teríamos nos planejado muito mais. Aquilo que está lá hoje totalmente abandonado não teria acontecido”, diz.

Feldman, que é deputado eleito, já anunciou sua saída do PSDB, o que deverá ser confirmado em outubro, quando volta para o Brasil. Ele diz que pretende ficar sem partido e tem se aproximado de Marina Silva.

Londres

Feldman está há quatro meses em Londres acompanhando a preparação da cidade para os Jogos Olímpicos de 2012. Para facilitar seu trabalho em Londres, ele conta com representação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da embaixada do Brasil em Londres, o que, segundo ele, abriu muitas portas por lá. Suan presença em Londres para estudar um evento que não acontecerá em São Paulo, mas no Rio, tem recebido algumas críticas. Ele se defende: “Estou apresentando resultados”, afirma.

Entre esses resultados, ele cita convênios como o que será firmado com a cidade de Birmingham, que está em situação parecida com São Paulo: uma grande cidade que não vai receber os jogos, mas pode se beneficiar deles. Além de observar a adaptação da cidade com o evento, Feldman diz que tem uma série de idéias que apresentará como propostas para transformar em projeto de lei e ações administrativas da prefeitura.

Olimpíada em São Paulo?

Feldman afirma que mesmo que os Jogos Olímpicos sejam mais importantes para o Rio que para São Paulo, é possível tirar benefícios para SP. “Nós não vamos sediar os jogos em si. Mas vamos também. O futebol será realizado em São Paulo, masculino e feminino”, lembra. Ele cita também o fato de que a cidade vai receber algumas delegações, como a da Jamaica e a dos Estados Unidos e acredita que muitos turistas também irão passar por São Paulo. O principal, no entanto, é entender o que é preciso para que São Paulo possa receber os grandes eventos do mundo. “As Olimpíadas são o maior laboratório. Há 50 grandes eventos no mundo e as grandes cidades que estiverem capacitadas vão poder disputar. O que eu quero? Que São Paulo dispute tudo que for possível”, declara.

O secretário avalia que, com a participação da iniciativa privada, será possível atrair mais grandes eventos a São Paulo. Ele vê, no entanto, alguns gargalos para que São Paulo se torne esta ‘capital de eventos’. Segundo ele, as principais carências da cidade são de equipamentos, locais adequados para se realizar esses eventos, e profissionais qualificados. “Minha sugestão é criar a área de grandes eventos junto com o setor privado. São Paulo tem que ter um gerenciamento estratégico, público e privado, com forte reconhecimento de que essa pode ser a nova área do desenvolvimento econômico da cidade”, pontuou Feldman.Feldman também critica a falta de política de preparação de atletas em condições de concorrer a medalhas. “O esporte, a cultura, as atividades relacionadas à juventude, os centros comunitários são equipamentos essenciais para produzir não apenas estabilidade urbana, mas avançar no sentido da qualidade de vida.”

Copa do Mundo

O ex-tucano comentou ainda a situação as polêmicas envolvendo a escolha do estádio de São Paulo que irá receber os jogos da Copa do Mundo e também a escolha do local que irá receber a abertura. “Eu diria que a fase pior passou. o Corinthians está decidido, será o estádio da copa, financiamento está decidido, não há nenhum conflito. Só há um problema: será o estádio de abertura da copa? Em outubro nós vamos saber.”

Ele criticou a demora da Fifa para definir se o Morumbi poderia ou não ser utilizado, mas ainda assim acredita que a abertura será em São Paulo. “A indecisão da Fifa nos dificultou tomar a decisão que era apropriada. Mas minha avaliação é que será em São Paulo e que não há hoje grandes preocupações em relação a São Paulo. A logística de Itaquera é boa, tem um programa de desenvolvimento urbano lá, local, regional, muito bom. Há uma boa integração de transportes, governo do estado e município”, elogia.