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Se os partidos forem se mexer para controlar redes sociais, estão perdidos, diz FHC

Jennifer Gonzales

24 de outubro de 2011 | 18h02

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

O Observador Político, site do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, completou três meses na última sexta-feira. Para marcar a data, FHC postou um vídeo, nesta segunda, 24, no qual faz uma análise sobre o período e a relação entre os partidos políticos e as redes sociais. “O Observador chegou aos seus 90 dias, são milhares de pessoas (participando), com opiniões muito variadas”, disse.

O site foi lançando em julho com o objetivo de ser uma plataforma colaborativa para promover o debate político na internet. Segundo o ex-presidente, o momento agora é se perguntar como prosseguir com o projeto e quais são os temas que podem levar a uma proximidade maior com as pessoas e, principalmente, os jovens.

“Estamos assistindo a um processo complicado do mundo. Occupy Wall Street, os indignados na Espanha, os conflitos do mundo islâmico, isso mostra o potencial das redes sociais para dizer ‘um não’, falta o potencial dela para dizer ‘e então o quê’… É nisso que eu acho que temos que trabalhar”, disse.

Para o ex-presidente, cabe agora aos políticos procurarem a sociedade através das redes sociais. “Eu acho que todos (os partidos) vão precisar se mexer, mas eles têm de entender o espírito do que é uma rede social. Se os partidos forem se mexer para controlar, estão perdidos, porque não vão controlar nada.” A questão, segundo ele, é como as legendas vão participar das redes sociais não para manipular as pessoas, mas para construir um debate.

No vídeo de pouco mais de quatro minutos, o ex-presidente mostrou ainda preocupação com a distância que existe entre o mundo real e o que acontece em Brasília. “Há um descompasso com a política institucional – os partidos, o Congresso, o próprio governo – e a vida.” Segundo ele, há momentos em que as decisões têm de passar pelos canais institucionais, mas, se elas só passarem por eles, acabam perdendo a legitimidade. “Hoje, as grandes questões brasileiras não estão sendo discutidas, estão sendo realizadas”, afirmou.

 

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