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Sarney manda incluir impeachment nos fatos históricos em painel do Senado

Jennifer Gonzales

31 de maio de 2011 | 14h15

Rosa Costa, de ‘O Estado de S.Paulo’

Pressionado pela repercussão da decisão de omitir o impeachment do então presidente da República e hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) dos fatos históricos protagonizados pelo Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), mandou refazer os painéis afixados no túnel do tempo. É assim chamado o local que liga o plenário a gabinetes de senadores, por onde passam mais de 5 mil pessoas nos dias de maior movimento no Senado.

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A linha do tempo do Senado; no detalhe, o ano de 1992, em que ocorreu o impeachment de Collor

Ficou acertado, por ordem de Sarney, que o impeachment, seus motivos e consequências passarão a constar de um novo painel, entre os 16 afixados no local. O Senado aprovou o impeachment de Collor no dia 29 de dezembro de 1992, por suspeita de corrupção no seu governo, minutos depois dele ter renunciado ao cargo.

No blog do Senado, Sarney afirma que não é curador nem autor da exposição. “Mas, para evitar interpretações equivocadas, determinei ao setor competente da Casa que faça constar na referida exposição o impeachment do presidente Collor, uma vez que não temos nada a esconder nesta Casa”.

Na segunda-feira,30, quando da reinauguração da decoração do túnel do tempo, Sarney justificou a omissão do impeachment dizendo que era um fato “que não devia ter ocorrido” e que “não se tratava de um fato marcante”. Ele foi convencido por assessores que não pode mudar a trajetória da história política brasileira.

Continua visível nos painéis o interesse de seus realizadores em valorizar o presidente do Senado. Ali está a sua foto jurando a nova Constituição. Ele, o ex-senador Paulo Brossard e o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) são os únicos vivos cujas fotografias aparecem no local. Sarney é igualmente lembrado pela inclusão de proposta de sua iniciativa, a que garante atendimento gratuito aos aidéticos, entre os grandes feitos do Senado. Ficaram de fora a iniciativa do então senador Nelson Carneiro de instituir o divórcio no País e as CPIs importantes realizadas na Casa.

Em um dos painéis, há citações que conduz ao erro atribuir a extensão da licença maternidade para 180 dias como sendo obrigatória, e não apenas para funcionários do serviço público, dependendo de negociação na iniciativa privada. A proposta da Lei da Ficha Limpa é ainda atribuída como sendo originária da Casa, apesar de se tratar de uma proposta de iniciativa popular.