STF julga mensalão; 19º dia; Maioria condena cúpula do Banco Rural
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STF julga mensalão; 19º dia; Maioria condena cúpula do Banco Rural

Lilian Venturini

05 de setembro de 2012 | 08h51

Flávia D’Angelo e João Cosceli, de O Estado de S.Paulo

Na 19ª sessão do julgamento do mensalão, a maioria dos ministros condenou a cúpula financeira do Banco Rural no item 5 da denúncia, que trata de gestão fraudulenta praticada pela instituição. Se nenhhum ministro mudar a opinião, estão condenados já José Roberto Salgado e Katia Rabello, respectivamente ex-vice-presidente e ex-presidente da instituição. Vinicius Samarane recebeu um voto de absolvição e caso tenha algum mais pode ser absolvido. Ayanna Tenório recebeu voto de condenação somente do relator, Joaquim Barbosa, e já está absolvida. A sessão será retomada nesta quinta-feira, 6, às 14hs com o voto do ministro Gilmar Mendes.

No início da sessão, o ministro revisor Ricardo Lewandowski concluiu a leitura do seu voto pedindo a absolvição de Ayanna Tenório, ex-vice-presidente, e de Vinícius Samarane, ex-diretor e atual vice-presidente do Banco Rural. Na sequência, a ministra Rosa Weber também inocentou Ayanna, mas votou pela condenação de Samarane e dos outros dois réus dessa fatia do julgamento – Kátia Rabello e José Roberto Salgado, assim como Lewandowski e o o relator do processo, Joaquim Barbosa. Luiz Fux, Antonio Dias Toffoli e Cármen Lúcia votaram na íntegra conforme a ministra Rosa Weber, condenando Salgado, Katia e Samarane e absolvendo Ayanna.

Em seu voto, Barbosa havia condenado os quatro, todos ex-dirigentes do banco na época do escândalo, por concederem empréstimos considerados fictícios e irregulares ao PT e às empresas do chamado “operador do mensalão”, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Absolvição. Para Lewandowski, tanto Ayanna quanto Samarane não ocupavam cargos de direção no banco à época do início do escândalo e eram apenas funcionários operacionais, o que impossibilita que eles tivesse parte nas decisões do esquema. Na análise da conduta de Ayanna, o revisor afirmou que a ré não agiu “ardilosamente” e de forma dolosa, apenas cumprindo ordens de seus superiores. Já a respeito de Samarane, Lewandowski entendeu que o executivo não estava em posição que lhe permitiria interferir na concessão de empréstimos.

Já Rosa Weber afirmou que não há provas nos autos para comprovar a participação de Ayanna no crime, o que sugere uma decisão favorável ao réu, conforma a legislação brasileira. Sobre os demais réus, a ministra indicou que todos tomaram parte no esquema uma vez que ocupavam cargos na cúpula do Banco Rural.

Nessa terça, 4, os defensores dos ex-dirigentes do Banco Rural elaboraram memoriais com argumentos derradeiros para tentar neutralizar o peso da denúncia da Procuradoria-Geral da República. Na continuação do julgamento, votam Cármen Lúcia, ilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e por fim o presidente da Corte, o ministro Carlos Ayres Britto.

Transmissão. Além de assistir pela página da TV Estadão, você pode conferir informações também pelo perfil do Twitter (@EstadaoPolitica) e do Facebook (facebook.com/politicaestadao). O portal conta com o apoio de especialistas da escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Direito GV, que durante as sessões vão explicar a linguagem e argumentação jurídica usada pelos ministros e advogados durante as sessões.

Acompanhe os principais momentos da sessão:

DIREITO GV – final do voto da ministra Cármen Lúcia – o sexto membro a votar em um tribunal que agora possui um total de dez membros – é possível antecipar alguns dos resultados do julgamento do mensalão em relação à acusação do crime de gestão fraudulenta contra a cúpula do Banco Rural. Kátia Rabello e José Roberto Salgado já contam com votos suficientes para decretar sua condenação. Por outro lado, Ayanna Tenório já conta com os votos necessários para ser absolvida. A incógnita repousa sobre o destino do acusado Vinícius Samarane, o qual conta hoje com cinco votos condenatórios e um absolutório. Para ser absolvido, Vinicius Samarane depende da obtenção de um total de cinco votos absolutórios, seja pelos demais ministros ou seja pela modificação de algum voto já proferido hoje.

19h53 – Ayres Britto decreta encerrada a sessão.

19h52 – “A condição de Ayanna é de absolvição pela ausência de provas”.

19h50 – Da parte de Vinicius Samarane não dá pra não perceber o dolo, diz a ministra. “A situação está provada de maneira farta. Houve a ocultação de documentos para que a informação não chegasse ao Banco Central”.

19h48 – “Não se guardou qualquer respeito ao que era identificado e ao que se tinha como dados concretos, quer com a condição das empresas, das garantias que elas demonstravam”.

19h46 – “Houve descumprimento não apenas nos contratos e renovações, mas em todas as regras, inclusive relatórios”.

19h43 – Ela passa a fazer considerações sobre a sua votação.

19h41 – De pronto posso afirmar que apoio o voto da ministra Rosa Weber. Acompanho a condenação de José Roberto de Salgado, Vinicius Samarane e Katia Rabelo e absolvo Ayanna Tenório”.

19h40 – Cármen Lúcia apresenta o seu voto.

19h36 – Ele diz que ela participou somente de duas renovações de empréstimos. “Não há ademais provas que a ré tivesse mantido qualquer relacionamento com os co-réus Marcos valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz”.

19h34 – Ele fala sobre a atuação de Ayanna e diz que ela “não teve participação na gestão fraudulenta”. “Ela não tinha formação financeira. Sua origem é do comércio”.

19h32 – Barbosa interrompe: “Não dá pra acreditar. É uma verdadeira piada”.

19h32 – Toffoli: “O que me parece é que eles alçaram uma pessoa sem conhecimento técnico. Uma verdadeira laranja”.

19h30 – Joaquim Barbosa diz que o laudo que Toffoli se baseou foi feito com a contabilidade fraudada. “Sob o ponto de vista formal está ok. Foi requerido pelas defesa já com a contabilidade fraudada das empresas”.

19h29 – “Condenei os outros três pela ausência de uso das regras normativas”.

19h23 – Ele passa a analisar a conduta de Ayanna Tenório. “Somente ingressou no banco em abril de 2004 e diante de sua inexperiência somente natuava na área administrativa do banco. Sua área era gestão de pessoa e recursos humanos”.

19h22 – Toffoli diz que os argumentos não foram capazes de negar a peça acusatória.

19h19 – Ele diz que a acusação não comprovou que houve a intenção de praticar o dolo. “Não há como concluir pela inexistência do dolo”.

DIREITO GV – O ministro Dias Toffoli insiste em ler as razões que motivam seu voto, a despeito de ter deixado claro o seu posicionamento final quanto à absolvição e condenação dos acusados, sinalizando a importância destes fundamentos como parâmetros de orientação para os gestores de instituições financeiras que visam conhecer os critérios de identificação da conduta que incide em gestão fraudulenta.

19h18 – “É importante fixar os parâmetros que estamos dentro das jurisprudência desta Corte”.

19h16 – Os fatos são suficientes para a condenação, diz Toffoli.

19h14 – Toffoli diz ao presidente que as suas observações são importantes pela complexidade do processo, já que ele será usado como referência para este tribunal e para profissionais da área.

19h10 – “O fato é que não se justifica conceber tal delito como habitual, uma vez que não há qualquer elemento que se leva acreditar ser necessária reiterar a conduta fraudulenta. Nos termos materiais, não resta dúvida”.

19h07 – “Vou discordar do relator e absolver Ayanna. Em relação a ela surgem dúvidas”.

19h07 – “No momento em que voto não há dúvida que Vinícius Samarane teve participação. Seria necessária uma emissão dolosa de suas atuações”.

19h05 – Sobre José Roberto Salgado. “Nesse contexto, demonstra que as operações de crédito foram aprovadas sem a observância necessária”.

18h57 – Ele fala que os réus tentaram ocultar a real situação dos empréstimos do mercado e dos clientes, agindo em desacordo com as regras das boas práticas bancárias. “Não importa que foram pagos depois. O objetivo era fugir da fiscalização”.

18h55 – “Tenho como procedente a denúncia de gestão fraudulenta aos réus Katia Rabello, Vinicius Samarane José Roberto Salgado”.

18h54 – “Não se prega responsabilidade objetiva dos dirigentes em razão somente de sua posição hierárquica”.

18h52 – Toffoli passa a citar a defesa dos réus para então preferir a sua conclusão. “Por gestão fraudulenta deve entender todo ato de administração voluntariamente consciente com manobras de efeito para fraude”.

18h49 – Ele cita que o banco não fiscaliza operações de clientes com mais de 2 anos. “É impossível entender as regras do banco, diz o parquet.”

18h47 – Ele diz que sua defesa adota identifica linha de argumentação com a dos outros réus do banco de que os empréstimos foram feitos para rolagem de dívida.

18h45 – Toffoli passa a falar de José Roberto Salgado e sobre o que o parquet diz sobre ele.

18h40 – Ele lê trechos da defesa que contesta o pagamento dos empréstimos e diz que a DNA pagou outras dívidas parecidas. “Esta dívida não foi paga porque estourou o escândalo do mensalão”.

18h36 – Ele passa a analisar a conduta de Katia Rabello. “Katia integra a cúpula do Banco Rural desde abril de 1999. Foi diretora estatutária até quando assumiu o cargo de presidente. Na sua defesa sustentou que não participou nas renovações de crédito, apenas dos maiores 20 clientes”.

18h37 – “Na gestão fraudulenta se praticam atos ardilosos e bem orquestrado para dissimular o fim”.

18h34 – Ele passa a ler a transcrição da denúncia com as imputações aos réus e diz que “ao contrário do que sustentam as defesas” existem plena concordância com as condutas.

18h32 – Ele começa analisando a conduta dos ex-dirigentes do banco.”A questão relativa a efetiva comprovação que eles agiram da mesma maneira como se percebe é efetivo de prova”.

18h29 – Dias Toffoli começa a ler o seu voto.



18h25
– Lewandowski faz pontuações sobre as provas e sobre o fato de Fux acompanhar o seu voto. “Agradeço a gentileza”.

18h22 – Com relação acompanho o relator. “Verifiquei que ele teve domínio funcional do caso e muito”.

18h22 – Ele diz que Ayanna não agiu levando em conta a sua altíssima qualificação profissional. “Vou acompanhar o revisor e absolver a senhora Ayanna Tenório. Não há prova suficiente para condená-la. De resto não há outra alternativa. Acompanho relator e revisor na condenação dos outros réus”.

18h19 – “Estava com o meu voto pronto, mas o voto do revisor me convenceu que no mínimo há uma dúvida razoável pela participação da senhora Ayanna Tenório”.

18h16 – “Em princípio todos os réus incidiram de gestão fraudulenta. Na verdade a entidade bancárias serviu de uma verdadeira lavanderia para cometer um crime que nem está na lei. Devia ser gestão tenebrosa, pelos riscos e consequências que acarretam à economia”.

18h14 – “Está comprovada a materialidade de gestão fraudulenta”.’

18h13 – Ele passa a falar sobre a materialidade e cita todos os laudos. “Trato de mais ou menos umas 13 transcrições com subitens que caracterizam gestão fraudulenta”.

18h13 – “A discussão não é molecular. São várias e várias fraudes”.

18h10 – Ele fala sobre o risco para a economia popular. “Constatei que depois que houve a adequação desses devedores com o nível compatível com a situação de adimplência, eles passaram de A a H. O prejuízo foi de R$ 200 milhões. Não é um problema só do banco, mas da economia como um todo”.

18h08 – “Temos aqui a comprovação de empréstimos falsos renovados para evitar o adimplemento (pagamento)”.

Estadão: Rosa Weber condena 3 ex-diretores do Banco Rural

18h06 – Ele passa a citar alguns Habeas Corpus julgados pelos componentes do colegiado foram relatores e que trilharam o mesmo consentimento que o conjunto de provas é suficiente para condenar.

18h01 – Fux passa a falar com o ministro Lewandowski e como o seu voto o influenciou. “Se não estivesse nem lido o processo, vossa excelência teria me convencido com o seu relatório”.

17h58 – “Não há função mais desconfortável para o magistrado do que essa de julgar questões criminais e impor penas”.

17h55 – Ele fala sobre a diferença entre gestão fraudulenta e gestão temerária. “É importante essa questão subjetiva”.

17h47 – Fux também lê definições do crime de gestão fraudulenta, cujo objetivo é ludibriar. Segundo ele, “os delitos são perpetrados de alta classe social, de respeitabilidade e de elevado status social no desempenho do seu ofício”. O sujeito passivo, diz ele, “é a sociedade brasileira”.

17h40 – “A criminalização da gestão fraudulenta ocorre quando são violadas as regras básicas da atividade financeira”, diz Fux. Ele fez um paralelo do delito com crimes de economia popular de períodos anteriores da história.

17h36 – “A conivência de diretores de bancos a auditorias se tornou uma prática comum, o que prejudica o sistema financeiro e, consequentemente, a economia popular”.

17h35 – Vai votar agora o ministro Luiz Fux.

16h40 – Sessão é suspensa por 30 minutos.

16h39 – Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane recebem voto pela condenação por parte de Rosa Weber.

16h36 – Rosa pede a absolvição de Ayanna, por julgar que não há provas de que ela tenha participado do crime. Na dúvida, como manda a lei, a decisão é favorável ao réu.

16h29 – Ela fala sobra a renovação de contratos e a participação de cada um dos réus nesses processos, além da ligação dos acusados com Marcos Valério.

16h23 – “Esses crimes iniciaram em 2003, mas prosseguiram em 2004 e também em 2005”, diz a ministra, afirmando ser impossível atribuir a responsabilidade dos crimes exclusivamente a José Augusto Dumont, uma vez que os delitos continuaram a ser cometidos após a morte do então presidente.

16h18 – Rosa agora começa a analisar o caso de Kátia Rabello – acusação, depoimentos, laudos, defesa. E então faz o mesmo com Salgado, Ayanna Tenório e, por fim, Samarane.

16h14 – “Foge à ordem normal das coisas empréstimos não cobrados e a falta de preocupação do devedor”. Ela julga acertada a acusação, mas ainda não especificou se condena ou absolve os réus. Ela apenas vai comentando que as provas evidenciam a materialidade do crime.

16h11 – Para a ministra, as irregularidades não foram fruto de imprudência do Banco Rural, e sim de ações deliberadas de seus dirigentes. “Foram desacatadas as regras do tráfego bancário, em contrariedade com o que a lei exige, o que configura gestão fraudulenta”.

16h09 – Rosa fala sobre a importância das provas para os julgadores, mas também lembra Lewandowski quando o ministro falou sobre o caráter do delito de gestão fraudulenta, cuja configuração ocorre somente quando há dolo, ou seja, intenção. Ela novamente diferencia o crime do delito de gestão temerária. “O crime exige habituariedade para sua configuração”.

16h05 – Segundo Rosa, os documentos do Banco Central, os laudos da Polícia Federal e as demais provas evidenciam a materialidade do crime.

16h04 – Para a ministra, basta estabelecer quais figuras do Banco Rural tinham competência para autorizar os empréstimos para verificar quem são os responsáveis pelo crime.

16h02 – “A imputação deve cair sobre os dirigentes”, aponta a ministra, dando detalhes sobre o caráter da acusação. “O que há de se verificar, é quem detinha o controle da organização para efetuar os fatos que configuram os delitos”, continua.

15h57 – Vota agora a ministra Rosa Weber.

15h54 – Lewandowski e Barbosa (revisor e relator) discutem algumas passagens dos votos de ambos relativos a Samarane e Ayanna, os réus sobre os quais divergiram.

DIREITO GV: O ministro revisor Ricardo Lewandowski também absolveu o acusado Vinícius Samarane por falta de prova suficiente para a condenação (art. 386, VII). Para o ministro revisor, o acusado não desempenha cargo de gestor e não teria competencia para decidir sobre a concessão ou não de empréstimos. Neste sentido, o ministro conclui que a omissão intencional pelo acusado não estaria caracterizada. Este é o principal ponto de divergência entre o voto do ministro revisor e do relator ministro Joaquim Barbosa, que condenou Vinícius Samarane por entender que sua omissão intencional está comprovada no processo. 

15h50 – Celso de Mello diz que esses esclarecimentos são essenciais ao julgamento, para que cada ministro formule seu voto. Ayres Britto diz que o confronto de ideias é “enriquecedor”.

15h47 – “Com relação a Samarane, concordo que há uma responsabilidade menor, mas ele era sim diretor. Em seu depoimento, diz que em 2002, foi nomeado diretor de controles internos, sendo responsável pela auditoria interna e inspetoria. Em 2004, passou a diretor estatutário. O fato é que compunha a diretoria da instituição, embora não tenha assinado essas renovações. Por essa razão, o grau de responsabilidade dele é menor”, continua Barbosa.

Estadão: Revisor vota por absolver atual vice-presidente do Rural

15h45 – “A área dela nada tinha a ver com suporte, uma área marginal, de menos importância. Mas ela assinou sim a renovação de contratos, apesar da existência, no dossiê, de parecer da área técnica alertando para o risco elevadíssimo da concessão daquela operação. Um vice-presidente assina um contrato nessas condições, não podemos considerar a candura dessa situação. A área técnica dizia uma coisa e ela fez exatamente o contrário”, conclui Barbosa.

15h42 – Joaquim Barbosa faz algumas considerações. Sobre Ayanna: “As funções e cargos que ela exerceu antes de entrar no banco, ao meu ver são de pouquíssima relevância. O que importa é a natureza do cargo que ela exercia no Banco Rural e os cargos e fatos a ela relacionados durante esse período. Ela foi contratada para a cúpula do banco em 2004. Portanto, ela era nada mais, nada menos que vice-presidente do banco, de uma área chave, que é a de compliance, a área incumbida de que se cumpram os procedimentos financeiros corretamente”

DIREITO GV – Na segunda parte de seu voto, o ministro revisor Ricardo Lewandowski absolveu a acusada Ayanna Tenório do crime de gestão fraudulenta, com fundamento na falta de prova suficiente para a condenação (art. 386, VII). Para o ministro revisor, o crime de gestão fraudulenta exige dolo direto. Em suas palavras, “é preciso que se comprove que o agente tenha atuado de maneira ardilosa ou enganosa”. Ainda que a acusada tenha sido condenada em processo administrativo do Banco Central, o ministro enfatiza que a condenação em processo administrativo não implica na condenação automática no âmbito penal, pois haveria independência entre as instâncias penal e administrativa. Ricardo Lewandoswki diverge do ministro relator Joaquim Barbosa, que condenou a acusada por entender que ela era responsável pela verificação da conformidade das operações de crédito. Para Barbosa, as renovações do contratos realizados pelo Banco Rural à agência de Marcos Valério só tiveram êxito em razão da omissão intencional (dolosa) de Ayanna Tenório e Vinícius Samarane.

15h42 – Lewandowski, por fim, pede a absolvição de Samarane.

15h39 – “Ainda que Samarane pudesse ou tivesse se manifestado em qualquer função que ocupasse no banco antes de ser diretor, isso seria absolutamente inócuo. Ainda que houvesse um parecer desfavorável, a cúpula do banco não mudaria o processo”, aponta Lewandowski. “A conduta de omissão quando o réu poderia ou deveria agir, para mim, não está caracterizada”.

15h35 – Para Lewandowski, a questão é se Samarane “podia ou devia” agir para evitar a ação do esquema. O revisor volta a dizer que Samarane não tinha poder para recusar a aprovação dos empréstimos.

15h31 – Samarane trabalhou na área administrativa até a morte do então presidente José Augusto. Mas antes de 2004, não tinha nível hierárquico dentro do banco para participar das decisões em torno dos empréstimos.

15h28 – O revisor diz que, também neste caso, o Ministério Público não conseguiu apresentar provas de que Samarane teria cometido o crime. Segundo Lewandowski, Vinícius Samarane, era um funcionário, e não um gestor, não tendo, portanto, competência para decidir sobre os empréstimos.

15h27 – Ele lembra os argumentos da defesa: Samarane não teve qualquer participação no processo de concessão de empréstimos.

15h25 – Lewandowski lê o trecho da denúncia relativo a Samarane.

15h24 – Ele começa a falar agora sobre Vinícius Samarane, ex-diretor e atual vice-presidente da instituição.

15h21 – “Não estou autorizado a concluir que Ayanna tenha contribuído com o crime de gestão fraudulenta, até porque o delito em questão não comporta o dolo eventual ou a modalidade culposa”. Ou seja, é necessário ter a intenção de fraudar o sistema para que ocorra o crime. “Voto no sentido de julgar improcedente a acusação”.

15h16 – Lewandowski conclui: Ayanna entrou no banco em abril de 2004 e não chegou a trabalhar com o antigo presidente, participou apenas duas vezes formalmente de renovações de empréstimos e não tinha relações diretas que não fossem profissionais com os corréus. Assim, ela não tem responsabilidade objetiva.

15h15 – Para a caracterização do crime de gestão financeira fraudulenta, é preciso provar que o indivíduo agiu de forma ardilosa ou enganosa, o que não é o caso de Ayanna, de acordo com o revisor.

15h12 – “A participação de Ayanna era um tanto quanto bissexta. Ela era chamada quando faltava quórum e era cobrada em relação à função que exercia, que era dos recursos humanos”, diz Lewandowski. “Não há qualquer prova nos autos de que ela teria feito parte da organização criminosa junto dos corréus”.

15h07 – “Parece-me razoável concluir que ela, com sua pouca experiência na área, não teve outra opção se não concordar com a renovação dos empréstimos”, continua. Lewandowski argumenta que ela se apoiava no aval de José Roberto Salgado para fazê-lo, sem saber do que se tratava.

15h05 – “Ela nada mais fez do que seguir as orientações do vice-presidente de operações”, diz Lewandowski. “O papel específico de Ayanna nessas operações deve ser analisado com muito cuidado. O dolo específico não ficou evidenciado”, completa o ministro.

15h03 – “Ao meu ver, não ficou comprovado que Ayanna tinha conhecimento das ilicitudes dos contratos de empréstimos concedidos às agências de publicidade, até porque entrou na instituição depois da conclusão desses processos”, aponta o ministro.

14h59 – O revisor afirma que a situação dela é completamente diferente dos demais réus. “Não há nenhuma prova nos autos de que Ayanna teria mantido contato com Valério e seus sócios no tocante aos empréstimos”, diz o ministro. Para ele, Ayanna era apenas uma empregada operacional do banco. “Esses empréstimos foram tratados com Kátia Rabello”. Ele lembra que Marcos Valério disse em seu depoimento não conhecer Ayanna.

14h56 – Ayanna foi contratada pelo Banco Rural em 2004 e de forma temporária para um serviço específico. Depois disso, ela foi contratada efetivamente pela instituição. Lewandowski ressalta que ela ingressou no Banco três dias antes da morte do então presidente José Augusto Dumont, depois do início do esquema. Na qualidade de vice-presidente de “suporte operacional”, lembra o ministro. “Ayanna não teve nenhuma participação nas relações entre o Banco Rural e as empresas de Valério e do PT, e também nas operações dos empréstimos”, prossegue.

14h55 – A atividade profissional de Ayanna sempre esteve voltada à área comercial e de recursos humanos, aponta o revisor.

14h52 – Lewandowski afirma que Ayanna não tinha experiência profissional anterior no sistema financeiro, um dos motivos pelos quais ela não teria agido “ardilosamente” para fraudar o sistema financeiro. Ele cita testemunhas que falaram sobre o passado da ré, que não tem qualquer histórico na área financeira, e sim administrativa. Ayanna era vice-presidente do Banco Rural.

14h50 – Como não há especificidade do crime de gestão fraudulenta, Lewandowski diz que cabe ao julgador, no caso os ministros do STF, analisar os fatos que levam às denúncias. Ele diz que não ficou convencido de que Ayanna cometeu o crime.

14h47 – Lewandowski: “A conduta do agente para que o crime seja informado, deve haver vontade intencional para alcançar resultado delituoso”. Isso requer prova de que o agente tenha empregado meios para danificar o sistema financeiro, aponta o ministro, empregando termos jurídicos para explicar a lei do Código Penal.

14h46 – O MP acusa Ayanna de integrar o núcleo financeiro da organização, que teria fornecido recursos aos outros núcleos. Ela é acusada de gestão fraudulenta.

14h45 – Lewandowski: “Quando se faz o julgamento penal de uma pessoa, é preciso levar em conta as circunstâncias de vida dessas pessoas”, diz o ministro, dizendo que vai falar sobre Ayanna antes.

14h44 – O revisor, ministro Ricardo Lewandowski, continua seu voto e vai falar sobre as acusações contra Ayanna Tenório e Vinícius Samarane, ambos do Banco Rural.

14h41 – Carlos Ayres Britto declara aberta a sessão.

 

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