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Repercussão do ‘caso Bolsonaro’ nas redes sociais rende petições e vídeos de protesto

Armando Fávaro

31 de março de 2011 | 16h41

André Mascarenhas, do Estadão.com.br

Depois de figurar nos Trending Topics do Twitter na última terça-feira, 29, a repercussão da entrevista do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao CQC ganhou força nos últimos dois dias, com veiculação de vídeos no YouTube e a divulgação de petições online pela cassação do parlamentar.

Em resposta a uma pergunta de Preta Gil sobre o que faria caso um filho seu se apaixonasse por uma melhor negra, Bolsonaro respondeu que não discutiria “promiscuidade” com a cantora. O deputado também disse que não voaria em avião pilotado por um “cotista”. As declarações causaram indignação de colegas de Bolsonaro na Câmara e gerou representações de entidades civis, como a OAB.

No Facebook, circulam uma série de petições e atos de protestos contra o deputado. Na quarta, 30, o grupo “Ato Anti Homofobia” convocou seus seguidores na rede social para que assinassem uma petição, endereçada genericamente à Câmara dos Deputados, em repudio a Bolsonaro. No documento, os signatários prestam “apoio a todos que foram ofendidos” pelo parlamentar e enumeram os artigos da Constituição supostamente feridos por declarações do deputado.

“Diante de tudo que foi exposto”, afirma o texto, “solicitamos providências urgentes e a cassação de seu mandato como Deputado Federal, pois entendemos que alguém que desrespeita as leis e faz apologia ao crime de racismo não pode ser um representante legal do povo brasileiro”. Até às 15h41 desta quinta-feira, 31, mais de 14 mil pessoas já haviam assinado o pedido.

Uma segunda petição, endereçada ao presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, José Carlos Araújo (PDT-BA), pede que o colegiado considere a cassação do mandato do deputado, “em nome da Ordem e do Progresso”. Mais de 13 mil pessoas assinaram o documento.

Ainda no Facebook, circulam links de grupos como “Fora Jair Bolsonaro” e “Cassação de Jair Bolsonaro”, o primeiro com mais de 2.300 seguidores e o segundo com mais de 1.800 seguidores até às 15h58 desta quinta.

Vídeos. No YouTube, o episódio inspira vídeos caseiros que vão do humor nonsense a protestos que beiram a ameaça.

Alguns parodiam o estilo “mundo cão” de apresentadores como o paranaense Luiz Carlos Alborghetti. O usuário pedrofabrini diz que Bolsonaro deveria ser “objeto de estudo da ciência”. “O Sr. só pode estar perdido na cadeia evolutiva da humanidade”, diz pedrofabrini no vídeo.

Já o usuário ozuchizira preferiu um protesto curto e grosso. Com um bigode igual ao de Adolf Hitler, um ator faz o cumprimento nazista, que é traduzido por um letreiro. Assista ao vídeo:

Gustavommendes usa o episódio para imitar a presidente Dilma Rousseff.

O usuário asenkevics optou por uma crítica séria ao deputado.

Mas nem todos no YouTube atacam Bolsonaro. Embora diga não estar defendendo e nem atacando o deputado, o usuário CasandoOVerbo usa o serviço de compartilhamento de vídeos para acusar o programa CQC de ter manipulado a entrevista.