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Relembre: CPI dos Bingos marcou ‘inferno astral’ do primeiro mandato de Lula e deixou traumas na seara petista

Bruno Lupion

13 de abril de 2012 | 20h13

estadão.com.br

SÃO PAULO – Carlinhos Cachoeira não será marinheiro de primeira viagem na CPI mista que deve ser instalada no Congresso Nacional para investigar suas relações com parlamentares. Há oito anos, o contraventor foi o estopim de outra CPI, a dos Bingos, que deixou traumas na seara petista.

Apelidada de “CPI do Fim do Mundo”, ela foi motivada por um vídeo gravado em 2002 e divulgado em fevereiro de 2004 que mostrava o então assessor parlamentar da Casa Civil, Waldomiro Diniz, pedindo propina a Cachoeira, na época presidente da Loterj, para financiar campanhas eleitorais do PT e do PSB. Em troca da propina, Waldomiro elaboraria um edital favorável aos interesses de Cachoeira para a operação do sistema de loterias do Estado do Rio. O ex-assessor não teria cumprido o acordo e, em represália, Cachoeira divulgou a fita com as imagens.

A comissão foi instalada em junho de 2005 com o objetivo de apurar práticas criminosas das casas de jogo, mas logo ampliou seu escopo para denúncias variadas que surgiram contra o governo Lula no auge da crise do mensalão. A CPI investigou, entre outros temas, a suposta relação entre o assassinato do prefeito Celso Daniel e o financiamento ilegal de campanhas, supostas doações de casas de bingo para a campanha de Lula e irregularidades na Prefeitura de Ribeirão Preto durante o governo de Antonio Palocci.

A CPI dos Bingos operou simultaneamente à CPI dos Correios – criada para investigar corrupção na autarquia federal e ampliada para apurar as denúncias apresentadas pelo ex-deputado Roberto Jefferson sobre o mensalão. Ambas marcaram o “inferno astral” do primeiro governo Lula e os escândalos derrubaram várias lideranças do PT, como o então ministro da Casa Civil José Dirceu, o presidente nacional do partido, José Genoino, e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

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