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Relembre: atuais aliados, Collor, Sarney e Barbalho nem sempre tiveram boa relação com o PT

Jennifer Gonzales

10 de agosto de 2010 | 15h46

Bruno Siffredi e José Orenstein

Aliados recentes do PT no plano nacional, como Fernando Collor de Mello, José Sarney e Jader Barbalho não tiveram sempre uma relação idílica com a cúpula petista. No passado, o partido os criticou duramente em mais de uma ocasião e se opôs às suas propostas para o País.

A aliança com antigos adversários, que a presidenciável petista, Dilma Rousseff, justificou na segunda-feira, 9, no Jornal Nacional, como necessária para governar um país com a complexidade do Brasil, nem sempre foi considerada uma opção pelo PT.

Em 1989, no debate realizado pela Rede Globo para confrontar os candidatos na disputa à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Collor protagonizaram uma troca de ataques histórica, que pode ser revista no site YouTube. Naquela ocasião, Lula afirmou que Collor tinha um comportamento político “rançoso”, havia trocado de partido “mais fácil do que trocou de camisa”, e concluiu sua participação indicando que esperava ter “contribuído” para mostrar que “o famoso caçador não passa de um caçador de maracujá”.

Ainda no debate com Collor na Globo, Lula fez duras críticas a Sarney, descrito como “incapaz de levar à frente uma transição que ele ganhou de mão beijada sem fazer muito sacrifício” e como seu “adversário político e ideológico”.

Na mesma época, Lula atacou o então presidente José Sarney – que assim mesmo lhe apoiaria no 2º turno contra Collor. “Sou adversário de classe do Sarney, não sou adversário extemporâneo de apenas umas eleições”, disse o então candidato do PT, como se vê no vídeo.

Anos mais tarde, já como presidente da República, Lula faria novo ataque a Sarney. Como se vê em vídeo reproduzido na campanha de Edson Vidal (PSB), candidato ao governo do Maranhão nas eleições de 2006 que recebeu apoio do PT no 1º turno, Lula dispara contra Roseana Sarney e seu pai. “Por que ela [Roseana Sarney] aparece bem nas pesquisas? Porque a Globo é do pai dela [José Sarney], o SBT é do Lobão, a Bandeirantes é não sei de quem. Ou seja é a televisão falando bem deles o tempo inteiro. É por isso que essa gente aparece bem nas pesquisas, porque passa o tempo inteiro mentindo descaradamente na televisão.”

Já em abril de 2001, o então senador Jader Barbalho (PMDB-PA) era protagonista de uma disputa política com o também senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na qual os dois trocaram acusações graves, que levaram a oposição a pedir a abertura de CPIs para investigar as denúncias reveladas no plenário. Na época, o então deputado federal José Genoino (PT-SP) criticou o que qualificou de “pacote anticorrupção” do governo FHC para proteger o senador paraense, que em setembro daquele mesmo ano renunciaria ao cargo para evitar a cassação. “Como sempre, os poderosos são inocentados por decurso de prazo, por falta de investigações sérias ou por artimanhas jurídicas”, escreveu Genoino, no artigo “A corrupção e a velhinha de Taubaté” publicado em O Estado de S. Paulo em abril de 2001.

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