STF julga mensalão, 25º dia; Barbosa condena Jefferson e cúpula do PL por corrupção passiva
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STF julga mensalão, 25º dia; Barbosa condena Jefferson e cúpula do PL por corrupção passiva

Lilian Venturini

19 de setembro de 2012 | 08h11

João Coscelli, Ricardo Brito e Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

Na continuidade de seu voto para o núcleo político do esquema do mensalão, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, votou nesta quarta-feira, 19, pela condenação do ex-deputado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Roberto Jefferson e da cúpula do extinto Partido Liberal (PL) por corrupção passiva.

Segundo Barbosa, Jefferson, o pivô do escândalo, e outro ex-parlamentar, Romeu Queiroz, aceitaram vantagens indevidas oferecidas pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em troca do apoio do PTB na Câmara dos Deputados em 2003. O relator apontou que Jefferson, “um líder parlamentar do PTB, sabia da existência do que ele chamou de mesada” e que o esquema era de conhecimento de várias figuras do Congresso. Além deles, também recebeu voto de condenação Emerson Palmieri, secretário do partido.

Sobre os três réus do PL – que atualmente é conhecido como Partido da República (PR)  – Barbosa votou pela condenação. Segundo o relator,  os ex-deputados Valdemar da Costa Neto e Carlos Rodrigues e o ex-tesoureiro da legenda, Jacinto Lamas, são culpados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Na última sessão, Barbosa havia tratado das denúncias contra os réus vinculados ao Partido Progressista (PP). Neste item da denúncia, o quarto a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ainda serão analisados os casos do deputado José Borba (PMDB), do ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto, e de figuras do PT e da agência de publicidade de Marcos Valério.

Como antecipou o Estado, Barbosa só deve revelar na quinta seu voto pela condenação do ex-ministro José Dirceu como o responsável pelo esquema de cooptação de parlamentares para aderir à base aliada e aprovar matérias do então recém-empossado governo.

‘Fidelização’. Ministros do STF ouvidos pelo Estado devem concordar com o voto do relator pela condenação dos políticos. Essa parte do julgamento deve levar até três semanas – mais tempo que os capítulos já apreciados pelo Supremo.

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Acompanhe abaixo os principais momentos da sessão:

19h24– Ayres Britto dá por encerrada a sessão desta quarta-feira.

19h21 – O relator, porém, ressalva que ele participou, mas não concorreu materialmente ao cometer os delitos.

19h19 – Barbosa, portanto, considera o secretário do PTB, Emerson Palmieri responsável pelo crime de corrupção passiva.

19h17 – Ainda sobre Palmieri, ele cita o caso quando o réu viajou a Portugal para coletar o restante do dinheiro que estava com um representante do PT. Ele foi acompanhado de Valério e Tolentino e, em Lisboa, foram à sede da Portugal Telecom, onde o publicitário teria contatos.

19h10 – Para Barbosa, estão claros os crimes de corrução passiva cometidos pelos três réus ligados ao PTB.

19h06 – Palmieri intermediou o esquema em nome de Jefferson e Queiroz, “prestando auxílio aos acusados no recebimento da vantagem indevida”. Barbosa lembra que esses recebimentos são muito anteriores ao acordo de campanha que Palmieri e Jefferson alegam ser a origem do dinheiro.

19h02 – O relator cita uma série de testemunhos que descrevem as ações de Palmieri no esquema. Ele teria recebido os pacotes contendo as quantias enviadas pelo PT aos deputados do PTB. Assim, sabia do esquema e tomou parte dele deliberadamente.

18h52 – Barbosa ponta agora que Emerson Palmieri auxiliou tanto Queiroz quanto Jefferson, cometendo assim o crime de corrupção passiva. Ele orientou os parlamentares do PTB no recebimento e seu nome constava na lista de beneficiários. Em interrogatório, o réu disse que a quantia que recebeu era parte de um acordo para as eleições.

18h50 – A agenda de Valério acusava uma reunião com Queiroz poucos dias antes de ele receber uma quantia em dinheiro. Uma testemunha disse ter feito um depósito no valor de R$ 50 mil ao parlamentar. Barbosa, então, afirma que o acusado, em troca de sua fidelidade aos corruptores, solicitou e recebeu dinheiro em espécie.

18h44 – Queiroz, portanto, recebeu vantagem indevida do PT e solicitou vantagem indevida ao ministro Anderson Adauto, de acordo com Barbosa.

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18h41 – Queiroz era presidente da Comissão de Transportes da Câmara, o que o colocava como um interesse direto do então ministro Anderson Adauto. Assim, o titular dos Transportes entrou em contato com Delúbio para atender os pedidos do deputado. Assim, Delúbio recebeu Queiroz, embora Adauto dissesse que não sabia do caráter dessa reunião.

18h38 – “Queiroz vendeu seu apoio na Câmara dos Deputados em troca dos recursos que o PT vinha oferecendo aos aliados”, afirma Barbosa. “Queiroz solicitou recursos a Anderson Adauto, então ministro dos Transportes, que entrou em contato com Delúbio para providenciá-los”, aponta Barbosa, dizendo que este ponto será tratado na próxima sessão.

18h33 – Queiroz era vice-líder do PTB na Câmara em 2003. Logo, exercia grande influência ante os deputados do seu partido. Ele afirmou que Martinez entrou com contato pedido alguém para buscar doações do PT e que esses recursos estavam disponíveis na SMP&B em Belo Horizonte. A lista da Valério indica que Queiroz recebeu R$ 50 mil por determinação de Delúbio.

18h31 – Agora sobre Romeu Queiroz. Em depoimento, Valério disse conhecer o deputado e que ele estava na lista de parlamentares que receberam recursos.

18h29 – Jefferson nega ter cometido o crime de corrupção, mas aceitou receber o dinheiro do PT, partido que, segundo ele, começou a “prática política mais viciada” da qual tinha notícia. Ele comprovadamente utilizou o dinheiro em finalidades privadas.

18h28 – O relator afirma que o recebimento de dinheiro por parte dos partidos era de conhecimento de todos no Congresso, inclusive do ex-presidente Lula, segundo Jefferson. O deputado disse isso antes mesmo de denunciar todo o esquema.

18h22 – Barbosa cita um testemunho de José Múcio Monteiro que também indica que Jefferson aceitou o montante de R$ 4 milhões. O réu afirmou que tratava-se de verba relativa a uma aliança, que nunca existiu formalmente. O relator indica ainda que uma quantia tão grande e repassada por meios ilícitos em hipótese alguma seria usada como ajuda de campanha, conforme disse o réu do PTB.

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18h20 – Não há recibos relativos aos R$ 4 milhões que Palmieri e Jefferson receberam de Valério no gabinete do PTB. Palmieri admitiu que o valor foi sim recebido em duas parcelas e que Jefferson e Valério fizeram reuniões nessas duas ocasiões.

18h16 – Para Barbosa, o PTB garantiu fidelidade partidária em troca de vantagem indevida. Os pagamentos foram feitos para Martinez, Queiroz e Jefferson, segundo Valério e Simone Vasconcelos e suas listas. Tudo a mando de Delúbio Soares.

18h14 – “Pagamentos nesse montante a um líder de partido importante na Câmara equivale a prática corrupta”, aponta Barbosa, completando que o mecanismo de entrega do dinheiro foi o mesmo utilizado para os demais parlamentares de outros partidos.

18h11 – O ministro cita um depoimento de Jefferson no qual relata um encontro entre Pedro Henry (PP), bispo Rodrigues (PL) e líderes do PTB no qual era abertamente discutida a “ajuda mensal” que esses partidos recebiam do PT.

18h08 – Jefferson recebeu somas elevadas de dinheiro do PT diretamente em seu gabinete e na presença de Emerson Palmieri. Ele disse que se tratou apenas de um empréstimo para custear a campanha, embora não tenha revelado como utilizou tais recursos.  “Os recursos não se destinaram a pagar recursos de campanha”, conclui Barbosa.

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18h05 – “Depois do falecimento de Martinez, Jefferson de valeu da sistemática oferecida por Valério e Delúbio aos parlamentares acusados nesta denúncia e aceitou receber os pagamentos”, analisa Barbosa.

18h04 – “Jefferson, que era um líder parlamentar do PTB, sabia da existência do que ele chamou de mesada. Mais que isso, sabia que Martinez, presidente do seu partido, vinha recebndo recursos em espécie do esquema operacionalizado por Marcos Valério e seus sócios”, aponta Barbosa. O relator completou dizendo que Jefferson sabia da origem do dinheiro quando ele passou a ser o beneficiário da verba vinda do PT.

18h02 – Jefferson, em depoimento, disse saber dos repasses e que eles partiam de Delúbio Soares. O parlamentar afirmou ter alertado Martinez de que os repasses “desmoralizavam” o partido. Ao assumir a presidência do PTB, ele disse ter recebido propostas para receber o mensalão, originário do tesoureiro do PT.

17h58 – Após a morte de Martinez, em outubro de 2002, Jefferson passou a receber os pagamentos. O parlamentar era líder do PTB na Câmara. Ele e Queiroz foram auxiliados por Emerson Palmieri, secretário do partido, nos recebimentos. Eles selaram acordos no Congresso e começaram a receber repasses em 2003.

17h56 – Os primeiros pagamentos realizados ao PTB por meio de Valério foram recebidos por José Carlos Martinez, já falecido, então presidente do partido, e Romeu Queiroz, vice-presidente.

17h55 – Palmieri e Jefferson disseram que o PTB negociou uma ajuda de R$ 20 milhões. O dinheiro teria como contrapartida o apoio na Câmara, dada as datas dos envios das quantias e das votações, vencidas pelo governo graças à atuação dos partidos envolvidos no esquema.

17h54 – O relator vai tratar agora dos réus do PTB – Emerson Palmieri, Romeu Queiroz, Anderson Adauto e Roberto Jefferson, o pivô do escândalo do mensalão.

17h52 – Barbosa então vota pela condenação de Jacinto Lamas e Valdemar Costa Neto.

17h47 – Costa Neto contou com a colaboração dos sócios da corretora para viabilizar o recebimento do dinheiro do PT, afirma Barbosa. Foram 33 cheques e 27 transferências bancárias feitas entre fevereiro e agosto de 2003. Jacinto Lamas também executou sua tarefa na quadrilha, continua o relator.

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17h43 – Os valores foram repassados pelos sócios da Guaranhuns em espécie para Costa Neto. Batista disse ter deixado o dinheiro na sede do PL em São Paulo. Funaro, em depoimento, afirmou em depoimento que recebeu cheques e forneceu a conta da empresa para receber o dinheiro da SMP&B.

17h41 – Barbosa fala sobre José Carlos Batista e Lúcio Funaro, que disponibilizaram a empresa para Valdemar da Costa Neto colocar em prática o esquema de lavagem de dinheiro. Eles também teriam colaborado com o repasse do dinheiro, mas não estão indiciados na Ação Penal 470. O relator, porém, afirma que é necessário analisar o caso desses dois réus, uma vez que atuaram em conjunto com o ex-deputado.

17h39 – Novamente, sobre Antonio Lamas, diz que não há provas de que ele teria participado deliberadamente do esquema. O réu, sem qualquer poder de mando e não tendo se beneficiado, apenas prestou um favor uma única vez. Voto, portanto, por sua sua absolvição.

17h38 – Sessão retomada e Joaquim Barbosa examina o último subitem relativo ao PL, de formação de quadrilha.

16h36 – A sessão é suspensa por 30 minutos. Na segunda metade, o relator tratará do crime de formação de quadrilha envolvendo os réus do PL. Até agora, ele considerou procedente as denúncias de lavagem de dinheiro e corrupção passiva contra bispo Rodrigues, Valdemar da Costa Neto e Jacinto Lamas. Barbosa também adiantou que votará pela absolvição de Antonio Lamas.

16h35 – “A conduta de bispo Rodrigues preenche o tipo penal da lavagem de dinheiro à medida que participou do esquema”, conclui Barbosa.

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16h33 – “O fato de a sistemática ter feito com que os dois réus tenham recebido essas quantias no mesmo dia reitera o dolo da conduta”, aponta Barbosa. Se eles quisessem apenas pagar dívidas de campanha, poderiam ter recorrido aos procedimentos lícitos para receber o dinheiro. Logo, fica caracterizado o crime de lavagem de dinheiro.

16h31 – Em interrogatório, Rodrigues disse ter recebido ordens de Valdemar de ir a um certo endereço buscar uma encomenda. O endereço em questão seria a agência do Banco Rural e o dinheiro seria sacado por Simone Vasconcelos, que entregaria a quantia aos intermediários de Rodrigues e Costa Neto.

16h28 – Barbosa diz que bispo Rodrigues também se valeu dos mecanismos oferecidos pelos núcleos publicitário a financeiro do esquema para lavar dinheiro. Ele tinha conhecimento da origem ilícita do dinheiro tendo em vista a própria sistemática de repasse adotada, fora dos padrões bancários e sem quaisquer documentos ou registros.

16h25 – O relator finalmente cita Antônio Lamas, irmão de Jacinto, o último réu vinculado ao PL do qual a denúncia trata. Ele teria sido designado por Costa Neto para recolher o dinheiro enviado pelo PT. Barbosa afirma que não há provas de que Antonio sabia do que se tratava e que, portanto, votará pela sua absolvição quanto a lavagem de dinheiro.

16h21 – Barbosa, então, faz um breve resumo – Valdemar, junto de Jacinto Lamas, usou a Garanhuns para lavar o dinheiro do valerioduto, usando posteriormente os mecanismos do Banco Rural.

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16h18 – “O parlamentar valeu-se de dezenas de mecanismos de lavagem de dinheiro para receber vantagem indevida sem deixar vestígios ou rastros no sistema bancário”, diz Barbosa sobre Costa Neto. Ele lembra que o deputado era líder do PL na Câmara dos Deputados e que os pagamentos só começaram após a abertura do ano legislativo em 2003, prosseguindo até o final de 2004.

16h16 – Ao fim da sequência de uso da Garanhus, teve início o esquema que usou como mecanismo de lavagem o Banco Rural, já tratado na denúncia. A partir deste momento, Simone Vasconcelos entregava as quantias ao deputado Costa Neto.

16h13 – Valério, posteriormente, de junho a agosto, repassou mais R$ 2 milhões. Os recursos saiam da conta da SMP&B e iam para a conta da Garanhuns, de forma a ocultar a origem do dinheiro. “A Garanhuns servia como uma espécie de vidro pouco transparente”, compara Barbosa, que interpreta a materialidade do crime como evidente.

16h11 – “Conclui-se que os repasses do PT ao réu, consubstanciaram a prática do crime de lavagem de dinheiro. Valério diz ter passado a Valdemar, de fevereiro a abril de 2003, mais de R$ 3 milhões, por determinação de Delúbio Soares. O réu Valdemar da Costa Neto confirmou o fato”, analisa Barbosa.

16h07 – De acordo com Valério, o dinheiro repassado a Costa Neto pela Garanhuns supera os R$ 6 milhões. Os recursos eram depositados pelos réus da agência publicitária. A Garanhuns tirava um percentual do dinheiro e repassava o resto ao ex-deputado do PTB.

16h04 – Independentemente de quem foi o mentor da fraude, o fato é que os réus pretendiam traçar um esquema entre a SMP&B e a Garanhuns para omitir o verdadeiro destinatário final do dinheiro, o então deputado Costa Neto, diz Barbosa. Costa Neto alega que trata-se de dinheiro de campanha, mas disse também que o “empréstimo” firmado com a Garanhuns era de caráter pessoal, configurando-se assim uma contradição essencial para o caso.

15h59 – Barbosa cita os depoimentos de Lamas e Costa Neto, nos quais eles negam conhecer a Garanhuns, empresa pela qual foi feita a lavagem do dinheiro enviado por Marcos Valério. O publicitário disse em depoimento, porém, que foi Lamas quem indicou a empresa para os negócios. Assim, caem por terra as alegações de que os réus desconheciam a Garanhuns.

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15h53 – Costa Neto e Lamas, apesar de reconhecerem o recebimento de dinheiro do PT, negam os crimes antecedentes e o crime de lavagem.

15h51 – Ele passa a analisar agora a lavagem de dinheiro praticada pelos membros do PL. Segundo a denúncia, Costa Neto lavou dinheiro por meio de cheques em nome da empresa Garanhuns, recebeu dinheiro em espécie das mãos de Simone Vasconcelos no Banco Rural, na SMP&B ou em seu flat.

15h48 – Barbosa, portanto, conclui como procedente a denúncia de corrupção passiva para os réus Jacinto Lamas, Valdemar da Costa Neto e Carlos Rodrigues. O relator considera haver provas suficientes.

15h46 – Os dados de aumento no número de deputados ligados aos partidos envolvidos no esquema confirmam o depoimento de Roberto Jefferson de que os deputados eram incentivados a trocar de partidos durante a vigência do mecanismo operado por Valério.

15h42 – “Ao optar por receber o dinheiro em espécie e em casa, Rodrigues pode usar o dinheiro livremente”, analisa Barbosa. “O que importa para os fins deste julgamento é que Rodrigues recebeu o dinheiro do PT para as finalidades apontadas na denúncia”, ou seja, atuar em favor do governo na Câmara. Valério, em depoimento, confirmou que Rodrigues foi um dos deputados que recebeu quantias.

15h39 – Rodrigues admitiu ter recebido dinheiro do PT diretamente em sua casa. A alegação de que teria usado o dinheiro para pagar gastos de campanha não afasta o crime, uma vez que ele recebeu vantagem indevida. “Ele recebeu dinheiro do PT porque era um dos representantes máximos do PL. No exercício do seu mandato, votou e deliberou no sentido pretendido dos corruptores”, diz o relator.

15h36 – O caráter criminoso da conduta não é descaracterizado pelo destino  do dinheiro recebido por Rodrigues, aponta Barbosa, afirmando que isso é irrelevante para que ele apoiasse o governo na Câmara. Em depoimento, o réu disse ter recebido um bilhete de Costa Neto com instruções para buscar uma encomenda. O recado foi passado ao motorista de um parlamentar colega e o pacote foi entregue.

15h30 – Quanto a bispo Rodrigues, Barbosa diz que nas provas constam repasses que somam R$ 400 mil. Ele lembra novamente que o réu não havia apoiado o PT em 2003, não havendo motivos para que o PT decidisse pagar despesas de Rodrigues na campanha, como alegou o defensor.

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15h29 – “Considero a materialidade do crime de corrupção passiva cometida pelos réus Jacinto Lamas e Valdemar da Costa Neto”, aponta Barbosa, dando, portanto, voto pela condenação dos réus quanto ao delito citado.

15h26 – A súbita alteração na função partidária do réu depois que a denúncia veio a público não é suficiente para afastar dele a responsabilidade dos repasses feitos por mecanismos evidentemente ilícitos, de acordo com o ministro.

15h23 – Se o dinheiro se destinasse ao pagamento de contas do partido, diz o relator, Jacinto ficaria com uma parte dos recursos. Mas como o mesmo disse, levava tudo para a residência de Valdemar da Costa Neto.

15h22 – Os repasses, diz Barbosa, ocorreram durante todo o mandato do parlamentar Costa Neto sob mediação de Jacinto Lamas, o que afasta a hipótese de  desconhecimento da ilicitude da conduta. Como tesoureiro e fundador do PL, o acusado tinha profundo conhecimento da vida e das finanças do partido.

15h19 – Lamas, em depoimento, disse apenas que levava o dinheiro a Valdemar Costa Neto e que não sabia qual era o destino do dinheiro. “O volume de recursos manipulados pelo réu não permite que se acolha a alegação da defesa de que ele não sabia da origem do dinheiro. O auxílio de Lamas a Valdemar está materializado nos autos, não havendo qualquer causa que afaste a natureza criminosa da sua conduta”, diz o relator. “O acusado não tinha apenas consciência do caráter criminoso, como também teria auxiliado Costa Neto, o que caracteriza o dolo da sua conduta”, completa.

15h16 – Simone Vasconcelos confirmou ter repassado dinheiro a Jacinto Lamas, que entregou tudo a Costa Neto. Lamas, porém, participou também  de reuniões com Marcos Valério e, segundo Barbosa, teve intensa participação no esquema. A defesa do réu alega que ele era um mero mensageiro.

15h13 – Depois, o dinheiro passou a ser entregue por Simone Vasconcelos nas agências do Banco Rural, na sede da SMP&B, em hotéis ou no flat do parlamentar.

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15h12 – Costa Neto disse não conhecer a empresa ou seus sócios e desconhecer os motivos do procedimento. Valério então esclareceu que foi Lamas quem indicou a Garanhuns como “uma empresa de confiança” de Costa Neto para fazer parte do esquema.

15h09 – “O réu teve fundamental auxílio do corréu Jacinto Lamas, conferido de modo estável ao longo de quase dois anos”, afirma Barbosa. Costa Neto teria designado Lamas para receber de Valério “os valores combinado com o PT”. Ele viajava até Belo Horizonte e recebia o dinheiro na forma de cheques nominais para a empresa Garanhuns. Posteriormente, mudaram a sistemática dos recebimentos.

15h06 – Barbosa cita então depoimentos de Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL, no qual ele diz não ter detalhado os pagamentos feitos a Valdemar Costa Neto. Há, porém, a confirmação de que Costa Neto recebeu as quantias.

15h00 – O acusado recebeu recursos em espécie, totalizando mais de R$ 10 milhões, segundo a lista de Marcos Valério e Delúbio Soares, segundo Barbosa. Costa Neto disse ter feito os pagamentos de campanha pessoalmente e afirmou não se lembrar do nome de qualquer fornecedor ou prestador de serviço. Ele também não guardou recibos, pois os teria entregue ao PT. Disse que apenas entregou o valor total a Delúbio.

DIREITO GV – Ao avaliar as acusações de corrupção passiva em relação a membros do Partido Liberal (PL), o ministro Joaquim Barbosa desenvolve argumentos para provar porque a presença de um membro do PL na vice-presidência da República não implicava uma relação automática de apoio dos membros deste partido na Câmara dos Deputados aos projetos políticos do Partido dos Trabalhadores.

14h57 – Ao contrário do que alega a defesa de Costa Neto, os pagamentos ocorreram ao longo de dois anos em seu benefício e concentração dos repasses na época das votações, segundo Barbosa.

14h55 – Barbosa lembra que no segundo turno da votação da reforma da previdência, os deputados dos quatro partidos envolvidos no esquema votaram a favor da emenda. Os partidos são PL, PP, PTB e PMDB.

14h53 – “Os deputados tinham a possibilidade de não acompanhar o dinheiro. Por  isso, ocorreu a distribuição de vultuosas quantias de dinheiro”, aponta o relator. As datas dos pagamentos – de valores próximos a R$ 100 mil, se não superiores – ocorreram próximos a votações importantes no Congresso.

14h50 – “A fidelidade do PL ao PT na Câmara não estava segura, embora o vice-presidente pertencesse ao PL”, diz Barbosa. Rodrigues, como vice-presidente dos liberais, disse em depoimento que não fez aliança com o PT nas eleições do Rio de Janeiro. “Se nem esse apoio menor era garantido, os parlamentares não dariam seu apoio na Câmara”, conclui o relator.

14h47 – Costa Neto disse que, em 2002, os deputados do PL não queriam a aliança com o PT.  Barbosa diz que não existe razão para que os parlamentares do partido votassem a favor do governo na Câmara, uma vez que não queriam ligações com o Partido dos Trabalhadores. O relator também desconsiderou a alegação da defesa de que o PL era o partido do então vice-presidente José de Alencar e que, por isso, seus deputados votariam junto ao governo.

14h45 – Valério alegou que o pagamento referia-se a ajuda de campanha, assim como alegou sobre os demais pagamentos a outros parlamentares das outras legendas. O publicitário, em depoimento, negou conhecer Costa Neto e Rodrigues.

14h44 – Barbosa lembra que os pagamentos foram quase sempre de mais de R$ 100 mil e de forma a evitar qualquer medida de segurança contra lavagem de dinheiro. Em troca, os réus ofereceram sua influência aos corruptores na Câmara.

14h42 – Segundo Barbosa, o repasse ao PL foi feito por Marcos Valério a pedido de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Os beneficiados teriam sido os ex-parlamentares bispo Rodrigues, líder da bancada evangélica, e Costa Neto, presidente do partido e líder da legenda na Câmara.

14h41 – Agora, Barbosa, vai falar do Partido Liberal, o PL, que tem como denunciados Antonio Lamas, Jacinto Lamas e Valdemar da Costa Neto, que montaram um esquema de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. São acusados também o bispo Rodrigues, ex-deputado federal, que teria recebido vantagem indevida do valerioduto.

14h40 – Ayres Britto lembra que na última sessão, o relator Joaquim Barbosa começou a analisar o item 6 e tratou dos réus do PP.

14h36 – Carlos Ayres Britto, o ministro presidente do STF, abre a sessão desta quarta-feira.

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