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Relator do caso Jaqueline quer contextualizar as imagens

Jennifer Gonzales

22 de março de 2011 | 13h37

Eduardo Bresciani, do Estadão.com.br

 Com um passado de condenações de colegas por casos semelhantes ao de Jaqueline Roriz (PMN-DF), o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) vai conduzir a investigação sobre o tema de forma a contextualizar as imagens nas quais a deputada foi flagrada recebendo um pacote de dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do “mensalão do DEM”. Sampaio foi indicado nesta terça-feira pelo presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PDT-BA), para relatar o processo contra a deputada que será instaurado nesta quarta-feira.

 Sampaio destaca que é preciso esperar a defesa da deputada, mas já sinaliza como pretende conduzir seu trabalho. “As imagens são fortes, contundentes, mas é preciso contextualizar o que aconteceu. Eu não sei ainda o que ela vai dizer, como vai justificar”, disse ele ao Estadão.com.br.

 O deputado promete ter uma postura equilibrada. “Não se pode prejulgar ou achincalhar alguém antes de um processo, antes de analisar as provas. O papel do Conselho é de julgar e temos de nos posicionar como magistrados”.

 O relator adianta que vai dedicar-se também a discutir se é possível julgar a parlamentar pelo fato de as imagens gravadas serem anteriores ao mandato. Sampaio lembra que já participou de dois casos em que houve julgamentos de casos anteriores ao mandato, do ex-deputado estadual Hanna Garib e do ex-deputado federal Pinheiro Landim. Em ambos os casos o Judiciário deu respaldo à investigação e ambos acabaram cassados.

 Sampaio, porém, afirma que é preciso ver se o caso de Jaqueline Roriz pode ser enquadrado da mesma forma que os anteriores. Ele lembra que no caso de Pinheiro Landim ele já era deputado federal, ainda que em outra legislatura, e no caso de Hanna Garib o entendimento é que ele continuou praticando o mesmo ato após assumir o mandato como deputado estadual.

 Promotor de Justiça, o relator tem um histórico de posições firmes em casos semelhantes. Ele foi o relator do processo contra o ex-deputado Pedro Corrêa na época do mensalão do PT, em 2005. Correa acabou cassado pelo plenário com base em um relatório de Sampaio que apontava a prática de caixa dois pelo colega. Na sua única manifestação até agora sobre as imagens, Jaqueline Roriz afirmou justamente que o dinheiro recebido de Durval era para caixa dois de campanha eleitoral.