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Reforma agrária está fora da pauta do governo, diz líder do MST

Jennifer Gonzales

01 de setembro de 2011 | 17h32

Jair Stangler, do Estadão.com.br

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Gilmar Mauro, criticou nesta quinta-feira, 1º, o andamento da reforma agrária no governo Dilma Rousseff. “Do ponto de vista da reforma agrária, nós continuamos parados. Aliás, como nos últimos oito (meses) e mais um período anterior do governo Lula”, disse. Mauro participou da coletiva de lançamento do Grito dos Excluídos, na sede da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, em São Paulo. O evento que acontece até o dia 7 em todo o País. Além dele, estiveram presentes o bispo de Jales, Dom Demétrio Valentini, representando a CNBB, José Efigênio de Paulo, da 24ª Romaria dos Trabalhadores, e Ari Alberti, da Coordenação Nacional do Grito.

Segundo Mauro, do ponto de vista de desapropriações de terras, houve poucas desapropriações. “Do ponto de vista dos recursos para aquisição de áreas, nós já temos áreas desapropriadas e não tinha orçamento. Agora, com a jornada (Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, realizada em abril) nós conseguimos ampliar um pouco o orçamento, mas a reforma agrária está fora de pauta do novo governo. Motivo que gerou essa Jornada de Lutas agora de recolocar o tema da reforma agrária”, explicou.

Mauro avalia que a principal vitória da Jornada foi o complemento orçamentário para aquisição de terras. De acordo com ele, tinha R$ 430 milhões no orçamento, gastos até junho. “Só que isso não pagou nem as áreas que já estão desapropriadas”, disse. Mauro afirmou que Dilma assumiu o compromisso de incluir R$ 400 milhões para este ano e rediscutir o orçamento de 2o12, que também previa R$ 500 milhões. Comemorou também o compromisso de construção de um instituto federal em cada Estado e ainda a promessa de acabar com o analfabetismo entre os assentados.

Segundo ele, não está uma maior dificuldade para mobilizar para o movimento que em outros momentos. “Nunca foi fácil”, disse. Mauro explica que houve momentos em que houve uma aglomeração maior em torno do MST, como quando Lula foi eleito, porque havia expectativa de que a reforma agrária finalmente fosse sair. Ele lembrou ainda que a reforma agrária sequer foi citada durante a campanha eleitoral.

Segundo ele, a jornada buscou recolocar o tema em pauta também a partir da questão do Código Florestal, um dos principais temas que o Grito dos Excluídos deste ano vai abordar.