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PT se arma para responder a ataques contra Dilma na internet

luisbovo

18 Maio 2010 | 12h12

Por Malu Delgado

A redefinção de papéis no comando da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, articulada ao longo das últimas semanas, reflete preocupações da pré-candidata e de dirigentes petistas em adotar um tom mais jornalístico e institucional no site oficial e nas ferramentas de comunicação digital, além e separar as articulações políticas das definições de marketing.

Foram criados três núcleos com poderes e atribuições distintos na pré-campanha: Marketing Eleitoral, Político, e Comunicação/Jornalismo.

O comando político da pré-campanha teme que erros na comunicação, sobretudo na internet, possam provocar “efeitos nefastos” quando a disputa de fato esquentar. A partir das reformulações, o petista Marcelo Branco, contratado para atuar na comunicação digital da campanha, terá um papel de “mediador” com as redes sociais. Ele não vai interferir na comunicação da pré-campanha nem no conteúdo de blogs e sites oficiais.

Para dirigentes do PT, Branco deve exercer a função de “blogueiro” e “animador social”, ficando na linha de frente para responder a ataques a Dilma na rede e munir a militância com informações.

A partir das definições de Dilma, o núcleo de comunicação e jornalismo passou a ser responsabilidade do vice-presidente do PT, Rui Falcão, e da jornalista Helena Chagas, ex-diretora de jornalismo da Empresa Brasileira de Comunicação. A atuação política permanece nas mãos do ex-prefeito Fernando Pimentel, do presidente do PT, José Eduardo Dutra, e do ex-ministro Antonio Palocci. João Santana segue no comando do setor de marketing eleitoral.

O objetivo das mudanças com a definição clara dos núcleos e suas atribuições reflete também a preocupação de Dilma em administrar vaidades no comando do PT. Dirigentes do partido reivindicavam uma atuação mais direta na pré-campanha, até então centralizada só nas mãos de Pimentel e Palocci.

A seus interlocutores mais próximos Dilma disse que a campanha não pode estar ancorada apenas na ação dos marqueteiros e no efeito eleitoral dos programas de TV, sobretudo por ser neófita no meio. Será a primeira eleição que a ex-ministra disputa, já para o maior cargo político da República.

O marqueteiro João Santana permanece com autonomia para criar e executar os programas de TV. Na avaliação dos petistas, o tom certo na televisão é fundamental para ganhar a disputa. Por outro lado, erros cometidos em debates e no contato direto com a mídia são decisivos e podem definir a eleição.

“Não existe esse negócio de perder força. O coordenador geral da campanha é o candidato. O que existe é um grupo de coordenação e cada um desenvolve atividades em diferentes áreas. Não vejo razão para tanto estresse”, reagiu o presidente do PT ao ser questionado sobre o fogo amigo na coordenação da pré-campanha.

As reformulações foram conduzidas a partir de ruídos na comunicação, como a colocação da foto da atriz Norma Bengell no site oficial, confundindo-se com outras duas de Dilma expostas na biografia da pré-candidata, e também a forte reação de Branco contra a TV Globo por conta de propaganda institucional de 45 anos da emissora, que petistas associaram a uma espécie de publicidade subliminar do pré-candidato do PSDB, José Serra.  O 45 é o número da sigla.

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