As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Serra critica políticos ‘neocorruptos’ e alfineta Dilma: ‘Não caí de paraquedas’

Armando Fávaro

12 de junho de 2010 | 09h23

Por André Mascarenhas ENVIADO ESPECIAL / SALVADOR

ConvencaodoPSDB_480x320_DidaSampaio_AE_12062010_1.jpg

No discurso em que oficializou sua candidatura à Presidência da República, hoje, em Salvador, o tucano José Serra desferiu duras críticas a seus adversários políticos, a quem chamou de “neocorruptos”, e alfinetou a falta de experiência da candidata petista Dilma Rousseff. Fazendo referência direta ao escandalo do mensalão, que atingiu várias lideranças petistas em 2005, o candidato disse acreditar que são os “homens que corrompem o poder, e não o poder aos homens”. Segundo o tucano, são “neocorruptos” os que justificam “os deslizes morais dizendo que está fazendo o mesmo que outros fizeram”.

O ex-governador paulista também atacou o aparelhamento do Estado, e comparou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao rei francês Luis XIV, morto em 1715. “Acredito que o Estado deve subordinar-se à sociedade, e não ao governante da hora, ou a um partido”, disse depois de criticar o “peleguismo” das organizações sindicais “sustentadas com dinheiro público.”

Sobre Dilma, ele não foi direto, mas deu a entender ter mais experiência do que a petista. Depois de lembrar a infância humilde e sua trajetória acadêmica e política – “tive 80 milhões de votos em toda minha carreira” –, Serra fez uma referência indireta à falta de experiência da petista. “Não comecei ontem e não caí de pára-quedas. Apresentei-me ao povo brasileiro, fui votado, exerci cargos, me submeti ao julgamento da população, fui aprovado e votado de novo”, disse.

Serra iniciou seu discurso elogiando a Bahia. “Fizemos esta convenção na Bahia porque ela é um dos grandes retratos do que somos como povo.” E, para introduzir os ataques ao PT, usou as tradições da região, como as festas juninas e o candomblé. “Hoje estamos nas véspera de Santo Antônio”, disse. “Santo Antônio é Ogum , guerreiro valente e Orixá da Lei, intransigente no cumprimento dos princípios e das verdades eternas. Vamos falar de nossos valores”, completou, para em seguida afirmar sua crença na democracia e criticar adversários políticos. “Para mim o compromisso com a democracia não é tático, não é instrumental. É um valor permanente. Inegociável.”

Com grupos de música tradicional nordestina, capoeiristas e mulheres vestidas de baiana e algumas dezenas de jovens com bandeiras do partido, o PSDB procurou mostrar sintonia com o eleitorado da região. A última pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo mostrou uma forte tendência de regionalização do voto, com Norte e Nordeste pendendo para a pré-candidata petista Dilma Rousseff, e Sul e Sudeste para Serra.

Apesar da indefinição sobre quem ocupará a vaga de vice e das dificuldades para conseguir um consenso em torno da chapa baiana, o partido veio para o seu principal encontro nacional otimista com a possibilidade de reverter o quadro de favoritismo da petista Dilma Rousseff no Nordeste. A estratégia é apostar no fortalecimento das alianças regionais.

O encontro acontece um dia antes da convenção nacional do PT, que oficializa amanhã a candidatura de Dilma.

Acompanhe os principais momentos da convenção. O discurso na íntegra pode ser lido aqui:

13h20 – De saída. Ao deixar a convenção, Serra veste uma camisa da seleção brasileira e cumprimenta o público ao som de forró. A camisa tem seu nome nas costas e o número é 45. Tucano ainda tira fotos com militantes antes de deixar o local.

13h10 – Discurso de Serra. Serra termina discurso repetindo slogan de campanha: “Vamos juntos, porque o Brasil pode mais, vamos juntos na vitória do povo brasileiro.”

13h08 – Discurso de Serra. “A nossa gente, isso é o que o Brasil tem de melhor.”

13h06 – Discurso de Serra. Serra promete manter programas sociais. “Vamos ampliar e melhorar o Bolsa Família.”

13h05 – Discurso de Serra. Tucano aposta no prestígio ligado à gestão no Ministério da Saúde. “Na Saúde, nós sabemos fazer acontecer. Vamos recuperar a saúde no Brasil.”

13h03 – Discurso de Serra. “Vamos criar um milhão de novas vagas em escolas técnicas em todo o Brasil.”

13h03 – Discurso de Serra. O tucano também se compromete com metas.”Vamos começar colocando dois professores por sala de aula no primeiro ano da série do ensino fundamental pra forçar a alfabetização das crianças.”

13h02 – Discurso de Serra. Tucano detalha propostas para a Educação. “Temos que recuperar o ensino basico no País.”

13h01 – Discurso de Serra. Tucano volta a usar seu slogan de campanha. “Há muito o que fazer, porque o Brasil pode mais, pode muito mais.”

12h59 – Discurso de Serra. Para Serra, porto de Salvador é “o pior porto do Brasil hoje.” Tucano promete investimentos.

12h58 – Discurso de Serra. “Sou um brasileiro sonhador e obstinado.”

12h55 – Discurso de Serra. O candidato do PSDB também atacou a gestão Lula. “Somos campeões mundiais em juros, carga tributária e insuficiência de investimentos.”

12h53 – Discurso de Serra. O tucano também alfineta Dilma e diz: “Eu não comecei ontem, não caí de paraquedas”

12h45 – Discurso de Serra. Serra também foi duro com o que classificou como aparelhamento do Estado e comparou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao rei francês Luis XIV, morto em 1715. “Acredito que o Estado deve subordinar-se à sociedade, e não ao governante da hora, ou a um partido”, disse depois de criticar o “peleguismo” das organizações sindicais “sustentadas com dinheiro público.” “Não tenho padrinhos, meu padrinho morreu faz muito tempo”, ironizou.

12h30 – Discurso de Serra. Pontuando sua fala com o verbo “acredito”, Tucano exalta a democracia e a liberdade de imprensa. “Acredito que a democracia é o único caminho para que as pessoas em geral, e os trabalhadores em particular, possam lutar para melhorar de vida”. “Acredito na liberdade de imprensa, que não deve ser intimidada, pressionada pelo governo ou patrulhada por partidos e movimentos organizados que só representam a si próprios, financiados pelo aparelho estatal.” E completa: “não aceito patrulha de ideias. Nem vermelho nem azul.”

12h28 – Discurso de Serra. Além da identificação com o eleitor baiano, o candidato usa o candomblé para introduzir o discurso que norteará sua campanha. “Hoje estamos nas véspera de Santo Antônio”, disse. “Santo Antônio é Ogum , guerreiro valente e Orixá da Lei, intransigente no cumprimento dos princípios e das verdades eternas. Vamos falar de nossos valores”, completou. “Acredito na democracia e isso não é uma crença de ocasião”, co ntinuou, “Muitos políticos que se apresentam como democratas desdenham da democracia nas suas práticas diárias.”

12h25 – Discurso de Serra. Serra sobe ao pulpito elogiando a Bahia e justificando a decisão de realizar a convenção do partido em Salvador. “Começo meu discurso dizendo que sim, eu aceito a indicação para ser candidato”, introduziu. “Me perguntaram porque fazer a convenção da Bahia. Fizemos esta convenção na Bahia porque ela é um dos grandes retratos do que somos como povo. Da nossa diversidade, da mistura de raças, origens e etnias que fizeram do brasileiro um ser único”

12h15 – Aécio Neves. Com um discurso inflamado e muito aplaudido, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, subiu ao pulpito com uma mensagem dirigida ao Nordeste. “Tudo para terminar bem, precisa começar bem. Não podia haver lugar melhor para começar a campanha de Serra. Foi aqui, nessa Bahia de Todos os Santos, que o brasileiro se fez forte”. Conhecido por ter uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio ironizou o messianismo atribuido ao presidente: “O Brasil não merece apenas um messias, o Brasil precisa ser de todos os brasileiros.” O tucano mineiro também exortou a população a ir às ruas. “A praça não é de um partido, ela é do povo. Vamos ocupar as praças para dizer que o Brasil merece muito mais.” E concluiu legitimando a escolha de Serra como canditado do PSDB à Presidência. “Você, Serra, conquistou o direito de liderar o partido. Companheiro José Serra, assuma essa tribuna, nos leve a um ponto mais alto de dignidade”, concluiu.

12h06 – Sérgio Guerra. O candidato do DEM ao governo da Bahia, Paulo Souto, fez um discurso rápido, com apelo à união do Estado. Segundo a falar, o senador Sérgio Guerra criticou o que chamou de “política de dossiês” e pediu a “união à favor do povo do Nordeste”. Guerra destacou ainda que a experiência do tucano como administrador e candidato. “Nosso candidato liderou quando ganhou e perdeu eleições. Foi em todos os momentos de sua vida um democrata legítimo”, acrescentou.

11h56 – FHC em vídeo. Os discursos começam com uma mensagem gravada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os próximos discursos serão do candidato do DEM ao governo da Bahia, Paulo Souto, do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, do ex-governador mineiro, Aécio Neves, e, por último, de José Serra.

11h48 – Sérgio Guerra vice? Para um dos líderes do PSDB presentes, o nome mais forte no momento para ocupar a vice de Serra é o presidente do partido, Sérgio Guerra. Pernambucano, ele cumpriria bem a função de fortalecer o candidato tucano no Nordeste. O problema, sustenta o tucano, é que Guerra teria que abrir mão de seu papel na campanha. Sobre a possibilidade de a vaga ser ocupada pelo deputado federal José Carlos Aleluia, do DEM da Bahia, a fonte afirma não ser a escolha preferida da cúpula democrata. Segundo esse tucano, os demistas acreditam que líder do partido no Senado, José Agripino Maia , cumpriria melhor o papel. Mas Maia avalia que, se concorrer a vice, perderá espaço na política local.

11h42 – 200 egos. A chegada de Serra é anunciada com uma bateria de fogos de artifício. No palco montado numa área do Clube Espanhol, além de um pulpito para o pré-candidato, cerca de 200 cadeiras foram colocadas para os líderes do partido. Apesar do número alto, assessores do tucano disseram que falta espaço para abrigar todos os políticos presentes. “E você acha que aqui só tem 200 egos?”, brincou um dos organizadores do evento.

11h31 – Empobrecimento ilícito. Nos bastidores da convenção, tucanos repercutem reportagem publicada hoje no jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual uma equipe da campanha da petista Dilma Rousseff teria obtido dados sigilosos do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Sobre uma suposta conta do tucano com R$ 3,9 milhões, o deputado paranaense Luiz Carlos Hauly ironizou: “Vão acusá-lo de empobrecimento ilícito.”

11h – Convenção sem vice. Embora as movimentações tenham começado na hora marcada, por volta das 9h, o pré-candidato José Serra ainda não chegou à convenção do PSDB. Entre os tucanos presentens não há sinais de uma definição para o candidato à vice-presidência na chapa de Serra. O deputado João Almeida, do PSDB da Bahia, relativizou as pressões para o anuncio. “Se o vice fosse lançado hoje, a conveção seria para lançar o vice, e não o candidato”, disse. “O importante é que seja escolhido alguém que tenha condições de assumir.” Todos concordam que a escolha depende agora do próprio candidato. “Será quem ele quiser”, disse o senador Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas.

Siga a editoria de Política do estadão.com.br no Twitter

Tudo o que sabemos sobre:

convençãoPSDBSerra

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.