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Prioridade no PT paulista é desidratar PSB

Camila Tuchlinski

23 de março de 2010 | 12h30

Por Clarissa Oliveira

Mais do que montar um palanque forte para o senador Aloizio Mercadante, o PT paulista trabalha com o objetivo primordial de minar qualquer tentativa do PSB de conseguir apoio à candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao Palácio dos Bandeirantes. A ordem é dar tratamento digno de rei até mesmo aos partidos nanicos. Trata-se da última cartada do PT para tentar atrair o apoio do PSB à candidatura de Mercadante e, quem sabe, formar no maior colégio eleitoral do País uma base para empurrar o partido do deputado Ciro Gomes para uma coligação nacional em torno da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Agora que naufragou o projeto de trazer Ciro para São Paulo, a avaliação do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a de que, se não conseguir apoio para ampliar seu tempo na propaganda partidária no rádio e na televisão, o PSB não terá outra saída a não ser apoiar o PT na eleição estadual. A experiência, se concretizada, poderia servir como uma espécie de “lição” a ser lembrada na montagem da estratégia para a eleição federal.

Nos bastidores, petistas ironizam às gargalhadas a promessa do PSB de lançar Skaf. Dizem que vai ser no mínimo divertido assistir ao presidente da Fiesp concorrer com um discurso na linha do falecido Enéas Carneiro, algo como “Meu nome é Skaf”. Os mais otimistas botam na panela dos que querem a aliança até mesmo o vereador Gabriel Chalita (PSB), que pretende disputar o Senado na eleição de outubro. “Não tem nada que ele queira mais do que fazer campanha para a Dilma”, dispara um colega do ex-tucano.

Só que o PSB também endureceu o discurso. Reservadamente, dirigentes da sigla dizem que o PT menospreza os partidos aliados e se enganam quando dizem que têm o apoio de sobra. Ameaçam atrair siglas como PR e PC do B, apesar de ambas parecerem mais próximas dos petistas no momento. O investimento, nesse caso, é lançado sobre os insatisfeitos. Ao citar exemplos, os socialistas colocam um deputado no topo da lista: Aldo Rebelo (PC do B).