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Presidente da Câmara suspende convocação de Palocci até terça-feira

TANIA MARIA BARBOSA MARTIN

01 de junho de 2011 | 19h36

Denise Madueño e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

Depois de duas semanas de tentativas, os partidos de oposição conseguiram aprovar a convocação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para explicar na Câmara a multiplicação de seu patrimônio e suposto tráfico de influência praticado por sua empresa, a Projeto. No início da noite desta quarta-feira, 1º, em uma ação combinada com os governistas, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), decidiu suspender a decisão da Comissão de Agricultura, onde foi aprovado o requerimento, até a próxima terça-feira, quando dará a palavra final.

Até lá, Palocci ficará exposto a um crescente desgaste político. A aprovação da convocação de Palocci ocorre um dia após senadores do PT terem cobrado explicações do ministro e do aumento do incômodo de deputados petistas e aliados pela ausência de respostas às denúncias. Antes de decidir pela suspensão, Marco Maia foi pressionado por parte da base que queria a anulação imediata da convocação. Houve um temor, no entanto, de que a oposição poderia conseguir uma liminar no Supremo Tribunal Federal validando a decisão da comissão.

“Optei por tomar uma decisão equilibrada”, disse Maia. Até semana que vem, ele pretende analisar as imagens da votação, as notas taquigráficas e ouvir integrantes da Agricultura sobre a votação. Os governistas reuniram 30 assinaturas do total de 40 membros da comissão a favor da anulação da convocação de Palocci.

Com número suficiente para derrubar o requerimento, os governistas agiram de forma confusa e demoraram a perceber a estratégia da oposição na comissão, comandada pelo deputado Lira Maia (DEM-PA). Na reunião da comissão, líderes do governo contabilizavam 28 votos, mas a votação simbólica não revelou essa maioria.

O próprio líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que no momento da votação estava ao lado de Palocci, no Palácio do Planalto, afirmou que viu, mais tarde, pelas imagens da TV Câmara, 14 votos contra o requerimento. Na votação simbólica, o resultado é avaliado visualmente e proclamado pelo presidente. Na reunião, alguns governistas demoraram se manifestar contrariamente ao requerimento, quando o presidente anunciou a votação: “Deputados favoráveis ao requerimento permaneçam como estão”. O presidente, oito segundos depois, proclamou a aprovação da convocação. Abaixo, o vídeo do momento da votação:

“Na minha fileira, todos levantaram a mão (manifestação contrária ao requerimento). Mas alguns titubearam. Merecia uma nova contagem. Boi lerdo toma água suja”, afirmou o deputado Zonta (PP-SC), da base governista. Naquele momento da reunião, pelas normas regimentais, o governo não podia mais pedir que os votos dos deputados fossem registrados, o que poderia comprovar a maioria contra a convocação de Palocci. Durante a reunião na comissão, os governistas chegaram a apresentar um requerimento que garantiria essa votação nominal, mas retiraram a proposta, porque demonstravam segurança da vitória.

Sem se conformar com a aprovação do requerimento, governistas exigiram nova votação na comissão. Depois de tumultos e reuniões, Lira Maia manteve a decisão. “Ele anunciou um resultado que não existiu. Ele mentiu. É uma atitude ditatorial”, protestou o deputado Bonh Gass (PT-RS).

O governo classificou a aprovação na comissão de “golpe” e de “fraude”. O líder governista Cândido Vaccarezza, não reconheceu a votação. “Ele (Palocci) não irá a comissão, porque a comissão não aprovou a convocação. Foi um golpe do presidente da comissão. O resultado foi anunciado ao contrário. Não vale”, disse o líder governista.

Enquanto sofria derrota na Comissão de Agricultura, a tropa de choque governista conseguiu derrubar os requerimentos de votação de Palocci nas comissões de Finanças e Tributação e de Ciência e Tecnologia.

Atualizado às 21h

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