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Prefeito de Palmas nega ter recebido dinheiro de Cachoeira

Lilian Venturini

10 de julho de 2012 | 09h08

Ricardo Brito, da Agência Estado, e do estadão.com.br –  atualizado às 12h55

O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), negou ter recebido mais de uma vez dinheiro do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, nesta terça-feira, 10, em depoimento à CPI . No final da sessão, o tom foi de exaltação. O deputado Sílvio Costa  (PTB-PE) acusou Raul Filho de estar mentindo. O prefeito também não soube responder com precisão às perguntas do Senador Pedro Taques (PDT-MT) quando ele indagou sobre o controle dos contratos de varrição na cidade de Palmas.

Primeiro, Raul filho negou ter recebido uma doação de R$ 150 mil de Cachoeira e, depois, disse que a informação que teria recebido R$ 1 milhão do contraventor também era falsa.

Em um vídeo gravado em 2004 e divulgado pelo Fantástico, da TV Globo, Cachoeira fala que iria doar a quantia de R$ 150 mil para a campanha do então candidato.

“Nem em 2004, nem 2008, não vai constar nenhum tipo de apoio ou doação seja do senhor Carlos Cachoeira, da própria Delta. Nós nunca tivemos qualquer tipo de relacionamento, nem intimidade para buscar qualquer tipo de apoio”, afirmou.

Na gravação, Silvio Roberto, um amigo de longa data do prefeito, negociou a transferência do valor. Segundo o prefeito, Silvio lhe garantiu posteriormente que não recebeu esses recursos e disse que, se for preciso, está pronto para testemunhar.

Raul Filho disse que o show do cantor Amado Batista, durante um comício de campanha, não foi pago por Cachoeira, conforme sugestão feita pelo contraventor na gravação. Segundo ele, o show foi pago por uma empresa de Araguaína (TO), da qual não se recorda o nome.

O prefeito disse que mostrou a Cachoeira uma pesquisa de intenção de voto que o apontava bem colocado para tentar “estimular o empresário a ajudar”. Ele reconheceu que tentou criar uma “falsa expectativa” para fazer Cachoeira a contribuir com a campanha.

O prefeito de Palmas afirmou que esteve duas vezes com Cachoeira. A última foi no dia da gravação, no ano de 2004, realizada em Anápolis (GO). A anterior ocorreu em 1994, em Goiânia (GO), quando foi apresentado a Cachoeira por um colega que era candidato a deputado.

Acompanhe os principais momentos:

14h59 – Prefeito de Palmas diz que não tem nada a temer. Sessão é encerrada.

14h56 – Prefeito de Palmas diz que não conhece Valdomiro Diniz.

14h54 – Prefeito de Palmas diz que não recebeu R$ 1 milhão de Cachoeira, segundo informação do veículo “O Jornal”.

14h51 – Prefeito de Palmas, Raul Filho, não sabe responder com precisão às perguntas do Senador Pedro Taques sobre o controle da varrição.

14h48 – Senador Pedro Taques (PDT-MT) pergunta ao prefeito de Palmas se o contrato do lixo ainda está andamento e ele responde que já está consolidado.

14h14 – Deputado Sílvio Costa (PTB-PE) começa a falar e, em tom exaltado, diz que o prefeito de Palmas está mentindo. O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que comanda a sessão, o adverte para ser mais cauteloso. O deputado tem histórico de participações exaltadas na CPI.

14h08 – Deputado Chico Alencar (PSOL – RJ): “A prestação de contas de campanha é muito nebulosa”, diz ao constatar diferenças entre os dados do TSE e os apresentados pelo prefeito à CPI nesta terça. Deputado novamente relê os trechos dos diálogos entre o prefeito e Cachoeira. “Se isso não é barganha, não é comportamento absolutamente ilícito, corrompido, não sei mais o que essas categorias significam.” Prefeito de Palmas rebate: “Se há barganha no País, na Prefeitura de Palmas o senhor não vai encontrar. Agimos tudo dentro da legalidade”.

13h48 – O prefeito é questionado por todos os parlamentares sobre o trecho do vídeo em que oferece setores de atuação do governo, se for eleito. Raul Filho dá basicamente a mesma resposta: “Senhor Carlos Cachoeira não tem nenhum tipo de negócio com nosso governo”.

13h16 – Deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) questiona sobre a relação entre o prefeito e Cachoeira e pede que reafirme que o grupo não tem interferência na gestão em Palmas. Raul Filho diz novamente que não pediu dinheiro e que Cachoeira não deu dinheiro a sua campanha. “Eu imagino que, da forma que ele gravava (conversas) e como agia, seria intolerante ao não conseguir ‘entrar’ em Palmas depois das eleições”, disse o prefeito.

12h58 – Sessão da CPI é tumultuada pela intevenção de alguém que acompanha a CPI reagiu à fala do deputado Rubens Bueno (não foi possível identificar o que foi dito). A pessoa se retirou da sala e o prefeito pediu desculpas pela reação da pessoa.

12h52 – Deputado Rubens Bueno (PPS-PR) se exalta com o prefeito, que antes de mudar para o PT deixou o PPS. “O PPS o acolheu e ele não foi digno disso”, disse repetidas vezes, ao fazer referência a uma declaração do prefeito de teria deixado o partido em “busca de respeitabilidade”.

12h45 – Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pergunta como o prefeito manteve parceria com uma empresa, cujos contratos foram questionados pelo Tribunal de Contas, em referência a Delta, empresa ligada a Cachoeira. “Considero que o senhor Raul não está sendo franco.” O prefeito rebate a fala do senador e diz que não houve ilegalidade e que em seu governo a Delta não atuava como membro do grupo de Cachoeira.

12h08 – Prefeito Raul Filho desmente as acusações feitas por um servidor de que dois ex-secretários do prefeito seriam os responsáveis pelos negócios da Delta em Palmas. Um deles, Pedro Duailibe, cunhado de Raul Filho e ex-secretário de Governo, foi exonerado em abril. O prefeito afirma que a exoneração foi feita a pedido de Pedro Duailibe.

11h55 – Prefeito de Palmas, Raul Filho: “Não vai constar nenhum tipo de apoio ou doação (de campanha), seja do senhor Carlos Cachoeira ou da Delta. Nunca tivemos nenhum tipo de relacionamento, ou intimidade, para buscar apoio.” “Quando assumi a prefeitura, a Delta já trabalhava no Estado, já prestando serviços ao governo do Estado.” Em sua gestão, o prefeito afirma que a Delta tem seis contratos, todos na área de limpeza urbana.

11h50 – O relator da CPI questiona sobre a negociação que aparece nos vídeos sobre o pagamento de R$ 150 mil. O prefeito afirma que não houve esse pagamento e o show realizado durante a campanha foi pago por uma empresa. “Tenho absoluta certeza de que ele (Cachoeira) não pagou essa empresa. Foi uma doação dessa empresa para a campanha. (A doação tratada na conversa) não se materializou”, afirmou.

11h46 – Em 2004, diz que foi a Brasília para conversar com um empresário e apenas no caminho foi informado de que se tratava de Carlinhos Cachoeira e que o encontro seria em Anápolis (GO). Diz não saber que a reunião seria gravada.

11h40 – Relator da CPI pergunta sobre a trajetória política de Raul Filho e como e quando ele conheceu Cachoeira. “Conheci ocasionalmente na cidade de Goiânia em 1994 (quando era candidato a deputado estadual). Honestamente nem me lembro se almoçamos”, relata, explicando que depois desse encontro voltou a encontrar Cachoeira em 2004, no episódio mostrado pelos vídeos. Segundo o prefeito, na eleição de 1994 houve auxílio indireto de Cachoeira à sua campanha, já que ele ajudou o deputado com o qual fazia parceria. Nas eleições seguintes não houve apoio, afirmou.

11h28 – O prefeito de Palmas colocou à disposição seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. “Agradeço a oportunidade a que me foi concedida. Estou aqui para contribuir com a elucidação dos fatos.” Raul Filho conclui sua fala e agora o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), fará perguntas.

11h17 – Prefeito Raul Filho: “Não era prefeito, apenas candidato (quando as gravações foram feitas). O senhor Cachoeira não fez doação para minha campanha (…) conforme comprova prestação de contas. Nenhuma empresa prestou serviço emergencial ou venceu qualquer licitação em meu governo.” O prefeito explica os contratos firmados com a Delta para limpeza pública. Os contratos chegaram a ser questionados pelo Ministério Público, mas, segundo o prefeito, as denúncias foram consideradas improcedentes.

11h10 – Prefeito Raul Filho começa lendo índices de educação e desenvolvimento da cidade de Palmas (TO).

11h03 – Prefeito Raul Filho terá direito a falar por 20 minutos. “Chego aqui com espírito desarmado.”

10h59 – Por decisão da assessoria da CPI, o presidente da comissão anuncia que o vídeo não será exibido e convida o prefeito de Palmas, Raul Filho, a entrar na sala.

10h51 – Senador Vital do Rêgo: “(Decidir ou não pela exibição do vídeo) Não é conduta de prioridade com esta testemunha, é uma conduta que poderá levar a um novo procedimento (nesta CPI).” O senador lembra que as gravações foram colhidas de forma ilegal (o material foi encontrado pela Polícia Federal e exibido há duas semanas pelo programa Fantástico).

10h44 – O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), pondera que não sabe se o material estava sob sigilo e iria consultar a assessoria jurídica para confirmar se as gravações podem ser exibidas.

10h38 – É iniciada a transmissão da sessão da CPI do Cachoeira. Parlamentares pedem que o vídeo em que o prefeito de Palmas, Raul Filho, aparece conversando com Cachoeira seja exibido.

 

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