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População dá nota baixa para transparência e honestidade de políticos de SP

Jennifer Gonzales

18 de janeiro de 2012 | 10h41

Jair Stangler, do estadão.com.br

A população deu notas baixas para Transparência e participação política em São Paulo (3,5)  e honestidade dos políticos (2,9), segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 18, pela Rede Nossa São Paulo.  O evento de lançamento da

  contou com a participação dos pré-candidatos a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB) e Soninha Francine (PPS),  além de representantes dos demais partidos. O PT enviou o vereador Antonio Donato no lugar de Fernando Haddad, que cumpria agenda como ministro, o PSOL, que ainda não definiu candidato mandou o presidente municipal da legenda, Maurício Costa e o PV, também sem candidato, mandou Luiz Carlos Bosio, da executiva municipal. PTB e PSDB não mandaram representantes.

As baixas notas pautaram as falas dos debatedores, principalmente dos pré-candidatos que estavam presentes. Soninha Francine (PPS) lembrou que a pesquisa é sobre percepção. “Isso é muito importante. Como é que o poder público tem de analisar esses dados de percepção? É sempre importante, quer a percepção seja condizente com os fatos frios ou não combinem com os fatos analisados mais objetivamente”, diz. Na sua avaliação, os mecanismos de transparência têm melhorado e se a população não vê assim, o problema é de “comunicação”. “Se as pessoas não sabem onde tem prestação de contas, se aconteceram várias audiências públicas e foram sempre as mesmas pessoas, se elas nem sabem que houve audiência pública, então nem adianta aumentar a trasnparência se isso não for bem comunicado para as pessoas”, argumentou. O vereador Antonio Donato (PT) respondeu que mesmo que a pesquisa seja de percepção, ela não está avançando, não está melhorando em relação aos últimos anos.

Já para Maurício Costa, presidente municipal do PSOL, a classe política está “absolutamente desacredidata”. “Que transparência tem o Orçamento da cidade?”, questionou. Netinho de Paula (PCdoB) também mencionou a questão do Orçamento da cidade, afirmando que a classe política não consegue atrair a população para discutir o tema. Para ele, não se trata apenas de criticar os políticos, mas de como fazer para atrair as pessoas para o debate.

Por sua vez, o pré-candidato Gabriel Chalita (PMDB) disse sentir “vergonha” da nota concedida pela população e avaliou que “essa visão da classe política se deve à ideia de que político mente, político diz uma coisa e faz outra. São Paulo tem uma imprensa que faz o que um político deveria fazer, de entrevistar, de falar com a população”, diz.

Durante o evento, não houve muitos ataques diretos à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) – exceção feita à fala de Maurício Costa, que criticou a prática de empreiteiras financiarem campanhas. Depois do evento, no entanto, ao falar com a imprensa, Chalita criticou a aproximação entre Kassab e o PT. “Eu acho estranho porque o Kassab se oferece para o PT, para o PSDB. O PT diz que não num primeiro momento, depois diz que talvez, que vai pensar. Esses elementos fazem com que a população desconfie da classe política”, declarou.

A pesquisa mostrou ainda crescimento de insegurança na cidade. De 24% que consideravam a cidade nada segura em 2010, o número passou para 35% em 2011. Os pré-candidatos aproveitaram o dado para linkar com a questão da cracolândia, que vem pautando o debate na cidade nos últimos dias.

O Irbem constatou, entre outros dados, que 56% se mudariam da cidade se pudessem, 51% mais que no ano passado. Das 25 áreas, 19 receberam notas abaixo da média, que é 5,5. A nota geral para a qualidade de vida teve leve queda, passando de 5 para 4,9. A pior nota foi para Transparência e participação política, com 3,5. Acessibilidade para pessoas com deficiência ficou em 3,9 e Desigualdade Social com 4.

O levantamento apontou ainda preocupação dos paulistanos com o tempo de espera para ônibus – 22 minutos – e no tempo de espera para atendimentos de saúde – 52 dias para realização de consultas no serviço público, 65 para realização de exames e 146 dias para procedimentos complexos. Os números apresentaram melhoras, mas ainda são considerados altos.

30% consideram a atual administração municipal ruim ou péssima, contra 21% em 2010. Também houve queda no grau de confiança em instituições. A Câmara Municipal teve as piores respostas de desconfiança, com 69%, seguida pelo Tribunal de Contas do Município (63%) e pela Prefeitura (64%).

Para a pesquisa Irbem, foram entrevistados 1.512 moradores da capital com 16 anos ou mais entre 25 de novembro e 12 de dezembro de 2011. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa aborda 25 temas como Sexualidade, Aparência, Consumo, Lazer, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Habitação e Trabalho, além de medir o grau de confiança da população nas instituições. No mesmo evento, foram apresentados ainda

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Veja como foi o evento:

12h52 – Luiz Carlos Bosio, do PV, diz considerar que R$ 38 bilhões do Orçamento para a cidade é pouco. Segundo ele existem muitas dívidas de precatórios. “Vamos utilizar pouco mais de R$ 20 bilhões. É muito pouco para uma cidade com R$ 12 milhões, com a quantidade de problemas que temos aqui”, afirma. Defende a questão da sustentabilidade.

12h35 – O vereador Antonio Donato, do PT, desculpa-se pela ausência de Haddad. Cita a fala de Soninha sobre a percepção da população, afirmando que a percepção da população não melhorou, “no momento em que o Brasil melhora”. Lembra que a nota média dos mais pobres é a pior e defende a descentralização da administração. “A gente traz um Uruguai da zona leste para o centro”, critica. Afirma que dar prioridade ao transporte público é estratégico e lembra da importância do corredor de ônibus. “Precisamos desenvolver a zona leste, desenvolver a zona sul. Precisamos gerar emprego e renda nessas regiões. Temos um centro com 30 mil imóveis fechados. Precisamos de um centro com espaço para os pobres”, diz.

12h25 – Grajew diz que prefeito e secretários foram convidados e que sua presença no evento também seria uma forma de transparência.

12h20 – Soninha defende a atuação da prefeitura. Segundo ela, muito da pesquisa é “percepção, mas não necessariamente corresponde aos fatos”. Mas se a população tem a percepção de que não há transparência, alguma coisa está errada, diz ela. Para Soninha, o problema é que falta “comunicação”. Ela também cita preocupação em relação a conflitos entre vizinhos, problemas com barulho. “A gente precisa atenção às coisas mínimas.

12h10 – Netinho se diz deprimido com a pesquisa. “Os indíces mostram quanto os homens públicos foram incapazes de atender às necessidades da população. Estamos reclamando das mesmas coisas que reclamávamos quando eu ainda morava na periferia”, afirma. Segundo ele, a zona sul foi totalmente esquecida.

12h00 – Maurício Costa diz repudiar a ação da polícia na cracolândia e  cita também que a classe política está “totalmente desacreditada”. Lembra a baixa nota dada para o item transparência. “Que transparência tem o Orçamento da cidade?” Afirma que  tanto Kassab como boa parte dos vereadores foram financiados por empreiteiras e lança um desafio a todos os pré-candidatos: “que não aceitem verbas de empreiteiras”, sendo ovacionado pela plateia.

11h56 – Maurício Costa, presidente municipal do PSOL, diz que representa o partido porque candidato ainda não foi definido. “Os dez minutos são um tempo pequeno para fazer um debate sobre tudo. Vou escolher alguns temas”, diz. Ele ironizou o aumento da nota na honestidade dos políticos. Lembra que 56% disseram que gostariam de sair da cidade. “Significa que a cidade tem um modelo desigual para a maioria da  população”, afirma. “Temos de discutir quem governa e para quem governa. A questão do trânsito mostra isso. Duas horas é o mínimo que se gasta no trânsito e 3h33 é o tempo que quem mora na Zona Leste gasta. Como essa cidade quer receber uma Copa do Mundo que vai ser justamente na Zona Leste?” Costa lembrou que o governo Marta Suplicy (PT) reduziu o investimento em Educação de 30% para 25%.

11h51 – “Quadro da desigualdade nos ajuda a criar uma compreensão da complexidade que é a cidade de São Paulo”, avalia Chalita. “Essa visão da classe política se deve à ideia de que político mente, político diz uma coisa e faz outra. São Paulo tem uma imprensa que faz o que um político deveria fazer, de entrevistar, de falar com a população”, diz. Em sua fala, Chalita conta que esteve na cracolândia para falar com os dependentes e entender o que acontece no local.

11h47 – Chalita é o primeiro a falar. “Champanha de subsolo, de submundo não nos ajudam. Espero que tenhamos muitos debates para mostrar o que gostaríamos de fazer pela cidade de São Paulo. Quando vemos esses dados temos dois sentimentos. O primeiro é o de vergonha. Vergonha pela situação da nossa cidade, pela avaliação que os políticos recebem”, afirma.

11h40 – Oded Grajew explica que Fernando Haddad, pré-candidato do PT, desculpou-se por não ter vindo, que precisava seguir recomendação da Comissão de Ética Pública, e enviou o presidente do diretório municipal do PT, Antonio Donato. O PSDB, que ainda não defininiu candidato ainda, não justificou sua ausência. Além de Donato, participam da mesa Gabriel Chalita, Maurício Costa, presidente do diretório municipal do PSOL, Netinho de Paula, pré-candidato do PCdoB, Soninha Francine, pré-candidata do PPS, e Luiz Carlos Bosio, da executiva municipal do PV.

11h29 – Números sobre trabalho e renda repetem a mesma estrutura de bons indicadores na região central em detrimento das periferias.

11h24 – Gravidez na adolescência atinge mais os distritos da periferia. Região central da cidade concentra leitos em detrimento das regiões periféricas.

11h06 – Após a apresentação dos números da pesquisa Irbem, Maurício Broinzi, da Rede Nossa São Paulo, apresenta dados sobre a Desigualdade Social na capital.  No indicador bibliotecas, as áreas mais mal servidas são as periferias. Em relação às creches, a situação se inverte. Em relação à demanda, as periferias estão bem atendidas e áreas centrais tem déficit. 56 distritos tem zero equipamentos esportivos.

11h03 – Irbem pediu notas da população para a honestidade dos governantes, que evoluiu de  2,3 em 2009 e 2,7 em 2010para 2,9 em 2011. Segundo Márcia Cavalari, apesar da evolução do número, o índice ainda é baixo.

10h38 – Após uma breve apresentação realizada por Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo, a diretora do Ibope, Márcia Cavalari, apresenta os dados da pesquisa.

10h20 – Em conversa com os jornalistas, o pré-candidato Gabriel Chalita retoma o que tem sido a tônica do debate político na cidade nos últimos dias, a operação policial na cracolândia. Para ele, a operação é o mesmo erro cometido por Serra quando assumiu a prefeitura e prometeu acabar com a cracolândia. Ele apontou responsabilidade da gestão do prefeito Gilberto Kassab ao não criar uma rede de atendimento aos dependentes de crack.

 

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