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Por reforma política, Serra procura presidente nacional do PT

Armando Fávaro

16 de maio de 2011 | 21h55

André Mascarenhas, do Estadão.com.br

Em campanha pelo voto distrital, o ex-governador de São Paulo José Serra promoveu na tarde desta segunda-feira, 16, um encontro inusitado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Partiu dele a iniciativa para uma reunião com o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão. Na pauta, a reforma política e o novo sistema eleitoral.

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José Serra e Rui Falcão após encontro na Assembleia Legislativa de São Paulo

Na saída, prevaleceu a cordialidade. Representantes das duas principais forças antagônicas da política nacional, ambos demonstraram comprometimento com a manutenção do assunto no topo da agenda nacional. Mas as convergências terminaram por aí.

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Enquanto Serra defendia o voto distrital puro já para as eleições municipais do ano que vem, Rui Falcão demonstrou ser pequena a margem de manobra para demover o PT de sua posição pela manutenção do voto proporcional.

“Nós temos posições coincidentes em relação à necessidade de uma reforma política no País, mas não temos coincidência em uma proposta específica que ele [Serra] está discutindo”, disse o petista, em referência ao voto distrital.

Nas últimas semanas, Serra tem participado de eventos e encontros políticos com o objetivo de promover o voto distrital já em 2012 nas cidades com mais de 200 mil habitantes. O tucano minimizou as divergências. “Não se trata aqui de se reunir para persuadir”, disse o tucano, que defendeu a tese de que, com o sistema distrital, o eleitor passaria a ter maior controle sobre o eleito, o que, em sua opinião, baratearia as campanha e fortaleceria os partidos. “Acima de tudo, o importante é conversar.”

Costumes. Apesar da falta de consenso, Rui Falcão afirmou que o objetivo de ambos é o mesmo: elevar a política para um novo patamar. “Todos nós – e o ex-governador José Serra também – entendemos que é preciso melhorar os costumes políticos do País e mudar o sistema. Agora, ele tem uma proposta específica, e nós temos temas diferentes a respeito. Mas a conversa sobre a reforma deve prosperar. Nós temos que ter boas relações nesse aspecto”, disse o petista. “Para que não haja nenhum mal entendido, quero deixar claro que nós vamos dialogar com todos os partidos. E o governador José Serra é um interlocutor importante”, enfatizou.

“A nossa posição, definida em congresso, defende a manutenção do voto proporcional. Mas isso não nos impede de cotejar propostas. Para não ter nenhuma confusão, nem ele está querendo me persuadir e nem eu estou tentando fazer com que o governador José Serra assuma nossas bandeiras. É um diálogo de alto nível, que eu acho que nós temos que manter, não só em relação à reforma política, mas em relação aos problemas do País. Todos nós queremos o bem do País”, acrescentou Rui Falcão.

O ex-governador de São Paulo também defendeu o diálogo. “Para que a gente chegue algo bom para o Brasil, é preciso sim que os partidos conversem. Independentemente das rivalidades e das disputas eleitorais. É preciso pensar mais a longo prazo”, afirmou.

Financiamento. Serra procurou mostrar otimismo com as possibilidades abertas pelo diálogo. “Como temos que conversar sobre um conjunto de propostas, de repente pode-se fazer concessões”, disse o tucano. Mas qualquer tentativa de se chegar a um denominador comum parecia naufragar. “Nós buscamos a coincidência, por exemplo, na aprovação do financiamento público de campanha”, arriscou Rui Falcão. Ao ser questionado se concordava com a proposta, Serra evitou a polêmica: “Financiamento público, a meu ver, exceto se me demonstrarem o contrário, é mais apropriado ao regime de listas. Mas aqui não se trata de ficar debatendo as diferenças. Trata-se de se explicar melhor as posições, porque tudo tem que ser objeto de uma negociação. Se não houver entendimento, não há saída nenhuma.”

O ex-governador paulista também elogiou os esforços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela aprovação da reforma política. “Acho positiva essa reunião do Lula. Quem sabe a gente vai desdobrando”, disse. “Não podemos perder esse bonde. Nem que seja para médio e longo prazo”, concluiu.