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Políticos do Distrito Federal roubam cena na convenção do DEM

Camila Tuchlinski

30 de junho de 2010 | 20h35

Carol Pires, de Brasília

A Convenção Nacional do DEM, nesta quarta-feira, em Brasília, foi marcada para aprovar a aliança com José Serra (PSDB) na corrida presidencial. Mas quem roubou a cena foram dois políticos locais, projetados nacionalmente ao longo da recente crise do mensalão do DEM. De um lado, ao longo de toda a tarde,um grupo gritava o nome da deputada distrital Eliana Pedrosa, candidata à reeleição. Do outro, o grito de guerra era para o deputado federal Alberto Fraga: “Fraga governador. O bicho vai pegar”.

Fraga era secretário de Transportes do governo de José Roberto Arruda. Pedrosa, secretária de Desenvolvimento Social. Arruda foi expulso do DEM e teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral. No novo cenário, Pedrosa chegou a presidir a CPI da Corrupção, que investigava o “Mensalão do DEM”, e Fraga se colocou como candidato ao governo.

Os gritos e apitos dos manifestantes de Pedrosa e Fraga deram o tom da convenção, que não tinha música, jingle, nem foto do candidato na parede. O encontro, marcado para começar às 8h, só foi aberta com duas horas de atrasado. Ainda assim, apenas para que o vice-presidente da legenda, deputado ACM Neto (BA), anunciasse o adiamento da convenção para as 13h30.

Aguardava-se, até então, a definição da reunião em São Paulo entre José Serra e o presidente do DEM, Rodrigo Maia, sobre a indicação do candidato a vice-presidente na chapa tucana.

À tarde, na retomada da convenção, surgiram as novidades. Fraga aguardou na entrada do hotel onde o encontro ocorria, enquanto um animador dava orientações sobre a nova palavra de ordem que a platéia deveria seguir: “Fraga senador. O bicho vai pegar”.

Um dos manifestantes, sentado no chão, não se animou em aprender o novo grito de guerra. Ouvia num rádio pequeno uma estação de notícias quando anunciou aos colegas: “Íris da Costa. Alguém sabe quem é? Estou ouvindo aqui que é o novo vice do Serra”.

Não passou muito tempo para ACM Neto voltar ao microfone e anunciar, em votação relâmpago, a aprovação da aliança com Serra e o nome do deputado Índio da Costa, do DEM do Rio de Janeiro, como vice na chapa. O vice foi anunciado pelo líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), como o relator do projeto Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de políticas condenados pela Justiça. “Indio é um cara limpa, ficha limpa”.

Diferente de outras convenções, o nome do candidato, no caso, José Serra, não foi aclamado pela platéia uma vez sequer. Índio da Costa, no entanto, foi recebido com gritos de “lindo” por uma mulher. E também ganhou um jingle de improviso com uma rima mal ajambrada: “Vice-presidente é Índio da Costa. Ficha Limpa, todo mundo gosta”.

Alberto Fraga e Eliana Pedrosa saíram da convenção nacional a caminho da convenção local. Sem candidato próprio, o DEM-DFcaminha para se aliar ao ex-governador e candidato ao governo Joaquim Roriz (PSC), ainda sem confirmação da Justiça se poderá ou não participar das eleições, uma vez que a ficha dele é suja.

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