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Policial aposentado diz que intenção era grampear Serra

Camila Tuchlinski

17 de junho de 2010 | 11h03

Por Rosa Costa

No depoimento que dá agora à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional, o policial aposentado da Polícia Federal Onésimo Sousa, insinuou mais de uma vez no seu depoimento à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência que gravou a conversa em que assessores da campanha da candidata à Presidência da República Dilma Rousseff lhe pediram que grampeassem o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, seus familiares e amigos e não o de “monitorar” a casa onde está montado o comitê de Dilma em Brasília.

De acordo com ele, desde o primeiro encontro com integrantes da campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff – os jornalistas Luiz Lanzetta, Amaury Ribeiro e o empresário Benedito de Oliveira – percebeu que a intenção deles era a de grampear o tucano.

“Perguntei a eles, vocês querem reeditar o ‘aloprados II?'”, disse Onésimo, referindo-se a dossiê utilizado pelos petistas contra Serra na campanha ao governo de São Paulo, em 2006. “Como recusei a proposta, fiquei sem o contrato de R$ 1,6 milhão, em 10 parcelas”, informou. Onézimo disse que o pagamento seria feito “preferencialmente” em dinheiro.

O policial informou que Lanzetta se apresentou nesse primeiro contato como sendo “representante” do coordenador de campanha de Dilma, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, enquanto que Benedito – chamado de Bené , se identificou como sendo o responsável pelo pagamento do serviço. Onézimo contou que se sentiu frustrado por não encontrar Fernando Pimentel no grupo, como teria sido aventado quando recebeu o convite.

Ao responder ao senador Álvaro Dias sobre a existência da tal gravação, Onézimo disse: “Como profissional cuidadoso, eu pergunto ao senhor (senador), o senhor faria (a gravação)?”, o que foi entendido por Dias de que a conversa no restaurante de Brasília foi realmente gravada.

Em outro ponto do depoimento, o policial afirmou que disse que Luiz Lanzetta mentiu quando afirmou que foi ele, Onézimo, que se ofereceu para preparar um dossiê contra Serra. “A recusa foi minha e eu tenho como provar”. Ele afirmou que só confirmará a existência da gravação se houver a necessidade de utilizá-la como “matéria de defesa”.

Outro convidado, Idalberto Martins de Araújo,conhecido por Dadá, ex-sargento da Aeronáutica, e que também teria participado do encontro, não respondeu ao convite da comissão.

Ao deixar a comissão, Onézimo Sousa disse que aceitaria fazer uma acareação com as três pessoas participantes da conversa em que este assunto foi tratado.

Onézimo disse que viu como uma chacota a ameaça que recebeu pela internet de que iria virar nome de parque. “Provavelmente foi uma ameaça, mas eu encarei como uma chacota”, lembrando do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002 e que hoje dar nome a um parque da cidade.

Atualizado às 13h03

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