Justiça nega habeas corpus para prefeito e primeira-dama de Taubaté
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Justiça nega habeas corpus para prefeito e primeira-dama de Taubaté

Lilian Venturini

21 de junho de 2011 | 09h42

Gerson Monteiro, especial para o Estado


O prefeito e a primeira-dama de Taubaté são conduzidos por agentes da Polícia Federal

A Justiça negou pedido de habeas corpus para o prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB), para a primeira-dama, Luciana Peixoto e para o ex-gerente do departamento de compras da prefeitura, Carlos Anderson Santos. Com isso, o casal e o ex-chefe do departamento de compras seguem presos na sede da Polícia Federal, em São José dos Campos. A prisão é temporária de 5 dias, podendo ser prorrogada por 30 dias. De acordo com a PF, a prisão é necessária para que os acusados não atrapalhem as investigações. Vera Saba (PT), vice-prefeita, poderá assumir o governo em até 10 dias.

A Polícia Federal prendeu os três na manhã desta terça-feira, 21, como parte da Operação Urupês, que investiga supostas irregularidades em licitações de compra, gerenciamento e distribuição de medicamentos e merenda escolar.  O esquema teria o envolvimento de empresários, políticos e funcionários públicos. A operação foi deflagrada às 6h na cidade, localizada a 125 km de São Paulo.

O Tribunal Regional da 3ª Região expediu 13 mandados de busca e apreensão (dez na região de Taubaté e três na cidade de São Paulo), além de três mandados de prisão temporária. Todos os mandados foram cumpridos.  Ao todo, 54 policiais federais participaram da ação. Em abril, o Estado revelou a chamada “máfia da merenda”, que envolveria ao menos 57 cidades, entre elas Taubaté, e dois governos estaduais.

Roberto Peixoto, a mulher e o ex-gerente de compras foram encaminhados à sede da Polícia Federal de São José dos Campos. Ao deixarem a casa, Roberto e Luciana Peixoto foram vaiados por moradores que acompanhavam a operação e gritavam “Viva Taubaté!”. O prefeito saiu de óculos escuros, com expressão de choro, junto com a primeira-dama, que saiu xingando os populares. Ambos estavam sem algemas.

No momento da prisão, na porta da casa do prefeito, policiais militares formaram um cordão de isolamento para que o carro da PF pudesse sair com segurança, já que populares tomaram a rua. Na saída, muitos gritos de justiça e uma queima de fogos.

Crimes. A Operação Urupês, em referência a uma das obras mais famosas do escritor Monteiro Lobato, faz buscas no Departamento de Ação Social da cidade, em um escritório na região central e na casa da filha do prefeito, localizada em um condomínio de alto padrão na estrada nova Taubaté-Tremembé.

A investigação começou em 2009 para apurar o desvio de recursos financeiros repassados pela União, após um ex-assessor do prefeito apresentar denúncia ao Ministério Público.

Eles são investigados sob os crimes de fraude a licitação, formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. De acordo com o delegado, as licitações sob investigação somam R$ 36 milhões. O processo corre em sigilo.

Na entrevista coletiva da PF, o delegado Ricardo Carneiro disse que foram apreendidos documentos e material de informática. Todo material será avaliado pela perícia e a Polícia Federal tem de 30 a 60 dias para concluir a investigação. Os três envolvidos ficarão detidos na carceragem da PF em São Paulo.

As denúncias de fraude em licitações também são investigadas por uma Comissão Processante da Câmara de Vereadores da cidade. Entre as irregularidades estariam a falta de licitação na compra de remédios e um superfaturamento de R$ 3 milhões. Segundo a Lei Orgânica do município, enquanto a vice-prefeita Vera Saba (PT) não assumir o cargo, o secretário de Assuntos Jurídicos, Anthero Mendes Pereira Júnior, responderá pelo expediente na prefeitura.

Roberto Peixoto foi reeleito prefeito de Taubaté com margem menor que 1% de votos sobre o segundo colocado, em pouco mais de 33% dos votos válidos.

Atualizado às 17h51


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