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Polícia encontra mais provas de fraudes em hospital de Sorocaba

Jennifer Gonzales

21 de junho de 2011 | 21h55

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

A Polícia Civil apreendeu nesta terça-feira, 21, novos documentos que podem comprovar a prática de plantões fantasmas e de licitações dirigidas no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Com base na indicação de testemunhas que compareceram espontaneamente para depor, os policiais civis fizeram três varreduras em unidades do CHS e localizaram livros e formulários cujos conteúdos serão analisados. “Vamos juntar ao elenco de provas que já reunimos”, disse o delegado Wilson Negrão, do Grupo Antissequestro de Sorocaba (GAS). A Operação Hipócrates, desencadeada no dia 16, prendeu 12 pessoas suspeitas de desviar dinheiro público e fraudar licitações no hospital de Sorocaba – quatro foram soltas.

A ação causou as demissões do secretário estadual de Esporte, Lazer e Turismo, Jorge Pagura, e do coordenador de Saúde do Estado, Ricardo Tardelli. Além de plantões não trabalhados, pelos quais os médicos recebiam até R$ 15 mil por mês, os articuladores do esquema fraudavam compras e licitações. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acreditam que o prejuízo, estimado inicialmente em R$ 1,8 milhão, pode chegar a R$ 5 milhões. Os promotores passaram o dia examinando documentos reunidos em 38 volumes e mais de três mil páginas. As investigações devem prosseguir por mais trinta dias.

Nesta terça, vereadores de Sorocaba denunciaram a possível ocorrência de plantões fantasmas também em hospitais psiquiátricos da região de Sorocaba. De acordo com documentos que serão entregues ao Ministério Público, em pelo menos quatro hospitais, foi constatada uma grande defasagem entre os registros de atendimento aos pacientes e o número de horas trabalhadas pelos médicos. Os hospitais são privados, mas atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que paga os médicos com dinheiro público.

Dois anos. Enquanto a polícia investiga o esquema de fraudes no CHS, pacientes esperam até dois anos por uma cirurgia. É o caso do menino Guilherme Zanardi Gouveia, de 8 anos, morador de Sarapuí, uma das 48 cidades atendidas pelo hospital. Em 2009, ele teve diagnosticado um desvio na bacia e suas pernas estão. Ontem, sua mãe, a auxiliar de produção Karina Zanardi Gouveia, fez mais uma tentativa de marcar uma cirurgia sem sucesso. “O pior é que não dão uma previsão.”

A dona de casa Claudia da Silva Serrano, também de Sarapuí,  precisa passar por um endocrinologista para fazer uma operação no joelho – obesa, ela não consegue andar. Ela terá de esperar um ano: ontem, ela saiu com a consulta agendada para junho de 2012. Familiares ficaram revoltados. “Ela não consegue mais andar, é um descaso ter de esperar tanto tempo.” O CHS atende 20 mil pacientes por dia. O jardineiro Douglas José César, de São Roque, com “gaiola” e pinos na perna quebrada num acidente de moto, tinha um retorno marcado para as 8h30, mas só conseguiu ser atendido seis horas depois. O CHS atende 20 mil pacientes por dia. Melhorar o atendimento será um dos primeiros desafios do interventor Luiz Claudio de Azevedo Silva, nomeado pela Secretaria da Saúde, que se apresenta hoje aos funcionários.

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