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PMDB de São João da Boa Vista tem registro negado por infidelidade

Armando Fávaro

03 de fevereiro de 2011 | 20h38

André Mascarenhas

A comissão provisória indicada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, para reorganizar o PMDB de São Paulo estabeleceu, no início desta semana, os critérios que utilizará para enquadrar as regionais que foram infieis à sigla nas eleições de 2010. E, poucos dias após a dissolução do diretório controlado por aliados do ex-governador Orestes Quércia, morto em dezembro, já fez sua primeira vítima.

Aguardando ratificação desde outubro de 2009, o diretório de São João da Boa Vista teve seu registro negado na última terça-feira, 1º. A decisão, na prática, extingue o PMDB da cidade, de cerca de 60 mil eleitores. O prefeito, o vice e dois vereadores de São João da Boa Vista são filiados à sigla. O diagnóstico, segundo membros da comissão provisória, foi de que os dirigentes se empenharam em eleger deputados federais e estaduais de outros partidos.

Para chegar à conclusão, a comissão usou como critério uma regra estabelecida em julho de 2010 pelo diretório estadual, que previa que todos os municipais tinham que garantir 5% dos votos a candidatos a deputado federal e estadual da sigla. Em São João da Boa Vista, esse porcentual não passou dos 0,2% para os dois cargos. A título de comparação, o prefeito da cidade recebeu 68% dos votos em 2008. “O impacto da decisão deve ter reflexos em outros municípios da região que não atingiram essa meta”, diz um membro da comissão. “São João fica sem diretório até que novas lideranças assumam o partido para as eleições de 2012”, explica.

O caso da cidade ainda é uma exceção à regra. Nas próximas semanas, os dirigentes do partido devem se ater à análise de um estudo que enumera os porcentuais de votação de candidatos da sigla em todos os municípios em que o PMDB tem representação. Segundo o presidente interino do partido, deputado estadual Baleia Rossi, as cidades em que problemas forem identificados irão receber uma carta da comissão provisória com um pedido de explicação.

De acordo com Baleia Rossi, o diagnóstico não implicará, necessariamente, em intervenção. “A ideia é estabelecer novos critérios para que os diretórios se comprometam com fidelidade partidária, e que estes critérios sejam cumpridos”, diz. “Queremos dar um chacoalhão no partido”, acrescenta, com a ressalva de que o estatuto permite tanto a intervenção quanto a dissolução.

Outros membros da comissão, no entanto, garantem que mais intervenções serão necessárias. “A dúvida é que critérios utilizar nos grandes municípios que não atingiram o porcentual”, diz um dirigente. Outro é mais explícito: “Teremos de intervir onde o PMDB, de uma forma ou de outra, não trabalhou para o PMDB. Olhando com lupa para os municípios quem tem tempo TV.”

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