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PF mostra lobby de Tuma Jr. em favor de ‘genro’; ouça os áudios

Camila Tuchlinski

06 Maio 2010 | 15h27

Novos diálogos interceptados pela Polícia Federal revelam detalhes de uma articulação do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, para conseguir aprovar o genro em um concurso público para preenchimento de vagas de escrivão da Polícia Civil de São Paulo.

De acordo com as gravações, às quais o Estado teve acesso, antes mesmo da aplicação das provas, Tuma Júnior já havia feito chegar à Academia de Polícia de São Paulo, órgão encarregado de realizar os concursos da Polícia Civil, o heterodoxo pedido: queria, de todo modo, que o namorado da filha fosse aprovado.

As conversas mostram que Tuma Júnior ficou irritado quando soube que seu “futuro genro” havia ficado fora da lista de aprovados. É quando começa uma sucessão de telefonemas para tentar reverter o resultado. Do outro lado da linha, em todos os diálogos, estava o policial Paulo Guilherme Mello, o Guga, braço direito de Tuma Júnior no Ministério da Justiça.

Mello, um dos alvos da investigação da Polícia Federal, havia sido encarregado por Tuma Júnior para cuidar da “aprovação” do genro do secretário.

“Pedidos”. O próprio secretário nacional de Justiça trata do assunto num dos telefonemas, em 19 de junho do ano passado. “Vê com aqueles cornos lá o que aconteceu lá, naquele rapaz lá, que cê foi falar aquela vez”, ordenou a Mello.

Como o resultado já estava publicado, o próprio Tuma sugeriu que uma solução seria o genro apresentar um recurso – o que, em sua avaliação, poderia ajudar a reverter a reprovação. “Eu mandei ele fazer recurso”, disse o secretário.

O assessor Mello relata as providências que adotara para atender ao pedido do chefe. “Eu falei com a pessoa que cê mandou eu falar (…) e aquele dia mesmo ele já ligou pra alguém, né, na minha frente.” Tuma Júnior lamenta mais uma vez: “Que sacanagem, cara”. Nas conversas, nem ele, nem seu assessor dizem o nome do genro do secretário.

Ao ouvir a cobrança do chefe, o assessor afirma que voltou à pessoa que havia procurado inicialmente para transmitir o pedido: “Eu falei inclusive hoje de novo com ele, com o moço lá, e ele… ele falou que ia falar com o cara.” Por fim, Mello atalha: “Agora, se tem essa possibilidade do recurso, depois eu entro em contato com ele, já me dá uma cópia aí eu levo pra ele de novo.”

A pessoa com quem Mello disse ter conversado, de acordo com os relatórios da Polícia Federal, é o delegado Antônio Carlos Bueno Torres, atualmente lotado no Denarc.

No contato, duas horas antes do diálogo com Tuma, Mello cobrou do delegado: “Escuta, você lembra que eu fui te visitar e o Leocádio (segundo a PF, Leocádio é como o assessor se refere a Tuma) pediu pra eu te passar o nome de uma pessoa?”. “Positivo”, responde Torres. “Então, ele chegou (…) de viagem hoje cedo e me cobrou isso aí, falou que não virou lá o negócio, né, e pediu pra ligar pra você pra perguntar o que aconteceu (…) Depois você liga pra ele lá, hein.”

O delegado Torres de pronto lembra do pedido – “P., era do futuro genro dele” – e afirma ter repassado a demanda para um certo Adilson, que a PF ser o delegado Adilson Vieira Pinto, diretor da Academia de Polícia de São Paulo. “Pô, falei direto com o Adilson, que é o diretor lá. Eu vou tentar reconstituir aí”, diz o delegado. “Então, ele vai te cobrar aí”, afirma o assessor. O delegado promete empenho: “C…, eu vou correr atrás aí…”

OUÇA AQUI OS OUTROS DIÁLOGOS INTERCEPTADOS

1) 19 de junho de 2009
10h44min05s

Paulo Guilherme Mello, assessor de Romeu Tuma Jr., telefona para o delegado Antônio Carlos Bueno Torres para cobrar explicações. O delegado se mostra surpreso e diz ter levado o assunto a “Adilson, diretor de lá”, que a PF identifica como Adilson Vieira Pinto, diretor da Academia de Polícia de SP.

Guilherme: Escuta, você lembra que eu fui te visitar e o Leocádio pediu pra eu te passar o nome de uma pessoa?

Antonio: Positivo.

Guilherme: Então, ele chegou aí da… da… da onde ele tava, de viagem hoje cedo e me cobrou isso aí, falou que não virou lá o negócio lá, né? E pediu pra ligar pra você pra perguntar o que aconteceu. Mas tudo bem, depois vê se você liga pra ele lá, hein?

Antonio: Puta, que era do futuro genro dele.

Guilherme: É isso mesmo. Falou que não virou.

Antonio: Pô, falei direto com o Adilson, que é o diretor lá. Eu vou tentar reconstituir aí.

Guilherme: Então, ele vai te cobrar aí. Eu sei, eu falei isso pra ele, que na minha frente você já, já fez uma… um trabalho, entendeu? No momento que eu tava aí. Mas tudo bem.

Antonio: Cacete, eu vou correr atrás aí.

Guilherme: Positivo. TKS, Antônio Carlos.

Antonio: Abraço.

2) 19 de junho de 2009
12h57min24s

Tuma Jr., que se mostra irritado, pergunta a Guilherme a razão da não aprovação de seu genro e propõe uma solução para reparar o problema.

Guilherme: Doutor Romeu.

Romeu: Vê com aqueles cornos lá que que aconteceu lá naquele rapaz lá que cê foi falar aquela vez. Eu mandei ele fazer recurso.

Guilherme: Eu falei lá com a pessoa que cê mandou eu falar e naquele dia mesmo é… aquele dia mesmo ele já ligou pra alguém, né, na minha frente, então ele ficou meio surpreso até. Mas é isso aí.

Romeu: Que sacanagem, cara! Então tá, deixa eu falar: a Regiane acho que tava querendo falar com você, eu não lembro que que era. Não, acho que é negócio do passaporte lá, precisava te perguntar um negócio. Depois chama ela no rádio pra mim.

Guilherme: Positivo.

Guilherme: Viu, eu falei inclusive hoje de novo com ele, com o moço lá, e ele…ele falou que ia falar com o cara, agora se tem essa possibilidade do recurso depois você é…eu entro em contato com ele, já me dá uma cópia aí eu levo lá pra ele de novo.

Romeu: Positivo.

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