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PF descobre contador das empresas de fachada de Cachoeira

Redação

08 Junho 2012 | 16h27

estadão.com.br

A Polícia Federal chegou a mais um nome da teia mantida pelo contraventor Carlos Cachoeira: Rubmaier Ferreira de Carvalho, de 50 anos. Aparentemente, ele é um profissional liberal que ganha a vida fazendo cobranças em nome de empresas e pessoas. As investigações da PF, no entanto, apontam que Carvalho seria o contador das empresas de fachadas usadas para despistar o escoamento de dinheiro da rede de corrupção do contraventor. Por essas companhias passaram mais de R$ 40 milhões entre 2010 e 2011.

Segundo reportagem da Revista Época, Carvalho tem ligações com a Brava Construções e com a Alberto & Pantoja. A maioria dos recursos movimentados pelas duas empresas, cerca de R$ 40 milhões entre 2010 e 2011, foi depositada pela Delta. Embora tenham esse alto volume de movimentação financeira, as duas empresas não produzem e não têm funcionários. Na Receita Federal, a Brava e a Alberto & Pantoja estão estabelecidas no endereço de uma oficina mecânica.

Carvalho declarou à Época que é o responsável pela Brava no Governo do Distrito Federal e diz não ter intimidade com o dono da empresa, Alberto Ribeira da Silva. A PF diz que, no caso da Alberto & Pantoja, Carvalho é ligado a um dos sócios, Carlos Alberto de Lima. Lima também é sócio de outras duas empresas em que foi observado o envolvimento de Carvalho: em um dos casos ele é o contador e em outros têm os telefones registrados em seu nome. Ele nega.

Investigações. Os tentáculos da organização criminosa de Cachoeira é investigado em quatro operações da PF: a Operação Las Vegas, a investigação de jogos ilegais em Goiás, a Operação Monte Carlo e a Operação San Michel. Em paralelo, o Ministério Público Federal (MPF) apura as suspeitas de fraudes em contratos com empresas de limpeza pública no DF e em outro Estado. Uma das citadas é a Delta. Segundo relatório do Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda, saques milionários foram feitos pela Delta e por empresas de fachada que receberam dinheiro da construtora.

Rubmaier Ferreira de Carvalho aparece em duas investigações: na Monte Carlo e na do lixo (do MPF). Segundo a Coaf, ele teria feito saques milionários entre julho de 2003 e agosto de 2005 em nome da Qualix (antiga concorrente da Delta na disputa por contratos de lixo). A Brava, outra empresa que tem o envolvimento de Carvalho, recebeu R$ 13 milhões da Delta e repassou a empresas ligadas a Cachoeira.

A ligação de Carvalho com Cachoeira também aparece na relação dos depositantes de recursos para a Brava. Entre eles, o empresário do ramo farmacêutico em Goiás Walterci de Mello, sócio da ex-mulher de Cachoeira.

O Coaf levantou uma série de movimentações suspeitas da Delta realizadas em anos eleitorais. No segundo semestre de 2010, o governado do Pará depositou R$ 8,3 milhões para a Delta. O montante foi sacado rapidamente. Segundo o Coaf, o responsável e sacador da conta é Fernando Cavendish, presidente da Delta. Outra movimentação atípica foi observada em 2006, no Rio de Janeiro: R$ 5 milhões foram retirados em operações de até R$ 99 mil (operações maiores de R$ 100 mil são automaticamente comunicadas ao Coaf).

Bordoni. Segundo a reportagem, Carvalho também teria ligações com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Ele teria sido o responsável por um dos depósitos de R$ 45 mil ao jornalista Luiz carlos Bordoni, que comandou a campanha eleitoral de Perillo em rádios. Conforme adiantou o Estado, o primeiro depósito foi feito em uma conta da filha de Bordoni pela Alberto & Pantoja. O segundo montante de R$ 45 mil foi pago pela empresa Adécio & Rafael Construções e Terraplenagem. A PF afirma que a empresa é de fachada e tem ligações com Carvalho. Bordoni diz desconhecer ambas as empresas.