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Petrobrás: Principais pontos do depoimento de Graça Foster no Senado

Lilian Venturini

16 de abril de 2014 | 08h38

O Estado de S. Paulo

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, participou de audiência em sessão no Senado, nessa terça-feira, 15, para prestar esclarecimentos sobre denúncias contra a estatal e sobre a compra da refinaria de Pasadena, alvo de investigações de órgãos federais. Abaixo, os trechos mais relevantes do depoimento:

Preço
Graça Foster afirmou que a operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), custou ao todo US$ 1,25 bilhão, depois da disputa judicial. Em outubro de 2008, destacou ela, a estatal assumiu a integralidade das operações e recorreu à Justiça contra a parceira belga Astra Oil. “Em 2012, fizemos uma negociação justa. Completa e definitiva para comprar a outra metade”, afirmou Graça. Segundo ela, a Astra Oil não comprou a refinaria por US$ 42,5 milhões, como a empresa belga anunciou, mas por pelo menos US$ 360 milhões.

Prejuízo
Graça afirmou que a compra da refinaria “não foi um bom negócio”. “De todas as leituras (do resumo executivo) e as vezes que vi o ex-presidente da Petrobrás (Sérgio Gabrielli), eu não o ouvi dizendo que foi um excelente negócio. O que ele disse é que na época foi considerado um bom negócio.” Segundo ela, hoje, se tivesse “todos esses dados sobre a mesa” (as cláusulas Put Option e Marlim), a atual diretoria não aprovaria a operação. Graça disse que a estatal reconheceu perdas com a refinaria da ordem de US$ 530 milhões.

Responsabilização
Graça disse que, em nenhum momento, foram citadas as cláusulas Put Option e Marlim no resumo executivo para justificar a operação de compra da refinaria. “Ele (o resumo) deve conter todas as informações necessárias e suficientes para a devida avaliação do que se deve fazer. E, além disso, é necessário apontar os pontos fortes e fracos da operação.” Numa referência indireta ao ex-diretor Nestor Cerveró, responsável pelo resumo, Graça afirmou que é obrigação de quem apresenta o projeto mostrar os pontos fracos e fortes do negócio.

Participação de Dilma
A presidente da Petrobrás eximiu de responsabilidade a presidente Dilma Rousseff pela aprovação da compra de metade da refinaria de Pasadena em 2006. Na época, Dilma era chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva e comandava o Conselho de Administração da estatal e alegou recentemente que o resumo explicativo apresentado ao colegiado era “falho” e “incompleto”. “A aprovação da compra de Pasadena não foi mérito da presidente Dilma. Naquele momento, foi uma decisão acertada de todo o conselho”, disse Graça.

Comperj e Abreu e Lima
Graça admitiu que o projeto do Comperj tem “diversas deficiências”. Para ela, é “inevitável” haver sobrepreço em obras da estatal em função de erros em projetos elaborados pela companhia, referindo-se a pedido do TCU para que a Petrobrás retivesse R$ 76,5 milhões pagos por serviços de terraplanagem no Comperj. Sobre a refinaria de Abreu e Lima (PE), disse que não houve aporte de recursos da Venezuela no empreendimento. Segundo ela, tal refinaria não é mais uma empresa separada e foi incorporada ao sistema da Petrobrás.

Lava Jato e SBM
A presidente da Petrobrás admitiu que há um “grande constrangimento” da estatal por conta da prisão do ex-diretor Paulo Roberto Costa durante a operação Lava Jato, da Polícia Federal. Segundo ela, todos os contratos da diretoria internacional da Petrobrás sob a alçada de Costa estão sendo avaliados e monitorados. Graça também disse que a investigação interna sobre denúncias de suposto pagamento de propina da empresa holandesa SBM para funcionários da estatal não identificou nenhuma prática que causasse danos à companhia.