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Para Marina Silva, sociedade está insatisfeita com atual modelo de democracia

Redação

13 Setembro 2011 | 22h28

Roldão Arruda, especial para o Estadão.com.br

No primeiro encontro nacional do Movimento pela Nova Política, na noite desta terça-feira, 13, em Brasília, a ex-senadora Marina Silva (sem partido) disse que a política tradicional vive um momento de profunda crise. Em contrapartida, porém, observa-se um forte questionamento da sociedade em relação ao modelo vigente de democracia direta e democracia participativa. Esse modelo, na opinião dela, já não responde mais aos anseios de participação da sociedade como um todo. “Há um movimento acontecendo na borda”, afirmou. “O centro está vivendo uma crise, no Brasil e no mundo inteiro. É a política em crise.”

Ela citou como exemplo de questionamento as manifestações contra a corrupção ocorridas no 7 de Setembro. “Fiquei muito contente com o que vi. E digo com prazer que não dei nem uma tuitadazinha para que ela ocorre. Que felicidade que foram as pessoas que organizaram.”

Para a ex-senadora, que ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais do ano passado, com 19,6 milhões de votos, em todo o mundo observa-se uma espécie de “democracia prospectiva” e que ainda é cedo para se cobrar respostas objetivas. “Não podemos nos intimidar por essa ansiedade tóxica pela objetividade”, afirmou.

Para ela, é preciso escapar do previsível: “Quando a política fica completamente previsível é porque se tornou completamente conservadora. Não é mais transformadora.”

Em discurso recheado de citações de pensadores, entre os quais Hanna Arendt, Jean Piaget e Edgar Morin, ela também citou como exemplo desse momento as manifestações estudantis no Chile e na Espanha.