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Para indigenista, Brasil esqueceu massacres de índios na ditadura

Jennifer Gonzales

30 de junho de 2011 | 20h10

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

Para o indigenista Egydio Schwade, colaborador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Amazonas, o Brasil ainda não conhece com exatidão as violências que foram cometidas contra os índios brasileiros no período da ditadura militar. Nesta quinta-feira, 30, em Brasília, ao participar do lançamento de um relatório sobre violências contra populações indígenas ocorridas em 2010, ele disse que a mídia, o governo e organizações de direitos humanos falam de torturas e violências contra opositores do regime militar, mas se esquecem que alguns povos foram inteiramente dizimados em decorrência da política integracionista dos militares.

“Populações inteiras desapareceram”, disse o indigenista, que nos anos 60 e 70 trabalhou com o povo waimiri-atroari. De acordo com material divulgado pelo Cimi, ele citou especificamente o caso da construção da Rodovia BR-174 (Manaus – Boa Vista). “Desapareceram nove aldeias na margem esquerda do Médio Rio Alalaú; pelo menos seis aldeias no Vale do Igarapé Santo Antonio do  Abonari; uma na margem direita do Baixo Rio Alalaú; três na margem direita do MédioAlalaú; as aldeias do Rio Branquinho, que não aparecem nos relatórios da Funai; e pelo menos cinco aldeias localizadas sobre a Umá, um varadouro que ligava o Baixo Rio Camanau, (proximidades do Rio Negro) ao território dos índios Wai Wai, na fronteira Guianense”, disse.

Egydio também lembrou o caso do povo avá-canoeiro, dizimado no final da década de 1960, em decorrência do avanço de rodovias e de fazendas para a criação de gado. Ele recordou que parte do grupo foi transferido à força pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para o território Karajá/Javaé, na Ilha do Bananal, para morar junto com os Javaé, seus históricos inimigos. Outro grupo, com seis pessoas, foi localizado, já em 1983, morando em uma caverna na região de Minaçu, Goiás. O terceiro grupo, segundo relatos, teria fugido na época da transferência e vive ainda hoje em situação de isolamento.

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