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Para Abrucio, estratégia de Serra minou Aécio, mas pode não convencer eleitor

Armando Fávaro

24 de março de 2010 | 08h00

A estratégia do governador paulista, José Serra, de conter uma antecipação na escolha do candidato do PSDB à Presidência foi crucial para barrar o fortalecimento de seu colega mineiro, Aécio Neves, e evitar um revés em seus planos de ser o candidato do partido.

Isso não implicará, no entanto, em garantia de êxito eleitoral para o discurso de que Serra, ao contrário de sua adversária petista, a ministra Dilma Rousseff, evitou antecipar a campanha eleitoral.

O cientista político Fernando Abrucio vê mais implicações negativas do que positivas no cálculo do governador de São Paulo. A começar por Minas Gerais, Estado em que a origem do candidato costuma pesar na escolha do eleitor. “Havia uma forte sensação em Minas de que essa era a vez do Aécio”, disse o professor Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em palestra ontem para empresários. “Ao rechaçar a realização de prévias, Serra criou atrito dentro do partido”, completou.

O professor argumentou ainda que tanto Serra quanto Aécio ganhariam projeção nacional com eleições internas para a escolha do candidato do PSDB. “A realização de prévias a seis meses das eleições elevaria o recall dos dois pré-candidatos”, disse, sem esconder que, no fim das contas, seria Aécio o beneficiado. “Aécio representa bem o papel do político pós-Lula.”

Embora ache que Dilma desfrute de posição mais favorável (com os níveis de avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acima dos 70%, “ela terá que errar muito para não terminar na frente no primeiro turno”), o cientista político enumera três trunfos que poderão contar a favor do tucano: 1) pela primeira vez em 20 anos, o nome de Lula não estará na cédula; 2) ao contrário de Dilma, Serra tem uma vasta experiência eleitoral; 3) e o recall do presidenciável tucano, que já foi candidato a presidente, é alto.

Conta ainda a favor de Serra, um ex-ministro da Saúde, a percepção, por parte do eleitor, de que o desempenho do governo Lula na área é insatisfatório.

Mas a agenda que pesará de fato para o eleitor, explica o professor, está no campo governista. Trata-se do que ele classifica como agenda do “bem-estar”. Ou seja, se no segundo semestre indicadores de emprego, massa salarial e crescimento econômico continuarem em ascensão, será muito difícil para a oposição encontrar um discurso que convença a massa do eleitorado a mudar de rumo.