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Para cientista político, presidente deve atuar na articulação política

Jennifer Gonzales

10 de junho de 2011 | 16h56

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

RIO – A crise que paralisa o governo e o Congresso há mais de três semanas deve servir de lição à presidente Dilma Rousseff de que ela não pode ficar “entrincheirada no Palácio da Alvorada” e, por menos que goste, terá de atuar na articulação política. Em entrevista ao Estado, o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), analisa o comportamento da presidente no episódio.

A presidente já deixou muito claro que não gosta de se envolver na articulação política. Ela pode ficar à margem e confiar esta função apenas a um novo ministro ou ministra?

A presidente também tem de atuar. O político trabalha muito com a noção do prestígio. Se a presidente liga para o político, ele bota aquilo na internet. Estar com a presidente pessoalmente é importante. O Lula saía do gabinete dele um minuto, atendia o senador, mandava alguém resolver o problema. O sujeito saía do palácio feliz da vida. É difícil fazer política com um governo que não faz política. O governo não faz política no sentido de sentar com congressistas, negociar, ouvir, dizer “pode”, “não pode”. O problema é dentro do próprio governo, a dificuldade de tratar essas questões.

No auge da crise, a presidente resolveu se aproximar de parlamentares do PMDB, do PTB. Acredita que seja para valer?

Foi uma coisa reativa. A crise instalada, chama os parlamentares para conversar. Espero que a tenha convencido que ela precisa minimamente colocar a cara para fora. Ela está entrincheirada no Palácio da Alvorada, fala pouco. Claro que o ex-presidente Lula falava muito, mas ela não fala nada. A presidente tem que se manifestar, apontar caminhos, dar diretrizes. Ela não tem feito isso, não tem gosto por isso.

Por que a presidente demorou tanto a tomar uma atitude diante da crise envolvendo Palocci?

Na crise, ela demorou a se posicionar por falta de experiência política. Já era esperado que a presidente tivesse bom desempenho na área gerencial e não tivesse desempenho tão bom na área política. A expectativa era que Palocci tivesse essa habilidade, mas não teve. Palocci não tem jogo de cintura político. O Luiz Sérgio recebia os parlamentares, mas não tomava decisão. Quem tomava decisão, o Palocci, não recebia os parlamentares. O episódio da ameaça de demitir os ministros (do PMDB, durante votação do Código Florestal), é de um primarismo político total.

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