‘Brasil mostra que a democracia traz tanto liberdade, como a prosperidade’, diz Obama no Rio
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‘Brasil mostra que a democracia traz tanto liberdade, como a prosperidade’, diz Obama no Rio

Armando Fávaro

20 de março de 2011 | 14h50

André Mascarenhas, do Estadão.com.br

Em um discurso no qual atribuiu os avanços recentes do Brasil ao amadurecimento da democracia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu na tarde deste domingo, 20, a ampliação da parceria comercial entre os dois países, de olho nos projetos de infraestrutura para a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016 e na exploração pré-sal.

Obama falou a uma plateia lotada no Theatro Municipal, no centro do Rio. Elogiou as belezas da cidade, brincou com a paixão pelo futebol dos brasileiros e foi sempre muito aplaudido em todas as referências que fazia ao Brasil. Não deixou, entretanto, de citar a crise no Oriente Médio e norte da África, assim como o terremoto que atingiu o Japão.

Um dos motivos para que a visita de Obama ao Brasil fosse considerada histórica era o fato de que ela acontece antes mesmo que a presidente brasileira, Dilma Rousseff, visitasse os Estados Unidos. Em seu discurso, Obama sinalizou que a mudança de postura deverá implicar também na alteração das bases para as negociações entre os dois países. “Estou aqui para lhes dizer que o povo americano não apenas reconhece o sucesso do Brasil, nós torcemos pelo sucesso do Brasil”, disse o presidente americano.

Obama defendeu igualdade de condições nas negociações bilaterais. Segundo o presidente americano, Brasil e Estados Unidos passarão a trabalhar não “como parceiros sênior e júnior, mas como parceiros iguais, unidos pelo espírito do interesse comum e do respeito mútuo, comprometidos para com o progresso”.

Obama enumerou as áreas em que a cooperação entre os dois países deve ser ampliada. “Precisamos de uma força de trabalho capacitada e é por isso que empresas brasileiras e americanas assumiram um compromisso de aumentar o intercâmbio de estudantes entre nossas nações”, disse, para em seguida citar a “cooperação entre nossos cientistas, pesquisadores e engenheiros”.

Mas foi no comércio entre os dois países que o chefe de Estado americano deixou mais claro quais foram os interesses que o trouxeram até o Rio de Janeiro. “Precisamos de infraestrutura da mais alta qualidade e por isso as empresas americanas também querem ajudá-los a construir e preparar a cidade para o sucesso olímpico”, disse.

Em seguida, admitiu que, para satisfazer as empresas americanas, também deverá fazer concessões às demandas brasileiras. “Numa economia globalizada, os EUA e o Brasil deveriam expandir o comércio, expandir investimentos, de modo a criar novos empregos e novas oportunidades em nossas duas nações. Por isso, estamos trabalhando para derrubar barreiras para fazer negócios”, discursou, sem indicar em que áreas esses entraves deveriam ser eliminados.

Democracia. Um dos pontos mais explorados pelo presidente americano foi a ideia de que uma democracia madura induz o crescimento econômico. Para Obama, o avanço social alcançado pelo Brasil nos últimos anos comprova essa ideia. “Vocês são a prova de que justiça social e inclusão social podem ser melhor conquistadas por meio da liberdade e que a democracia é a maior parceira do progresso humano”, discursou.

Um dia após autorizar o bombardeio americano a alvos líbios, o chefe de Estado americano citou as “aspirações compartilhadas por todo ser humano” para lembrar das recentes revoltas contra os governos autocráticos do Norte da África e Oriente Médio. “Todos queremos ser livres, queremos ser ouvidos, todos ansiamos por viver sem medo ou discriminação”, afirmou.

Ser ser explícito, Obama  usou a argumentação para justificar a ação americana na Líbia. “Todos queremos escolher como seremos governados. Todos querem moldar seu próprio destino. Esses não são ideais americanos ou ideais brasileiros, não são ideais ocidentais, são direitos universais. E devemos apoiá-los em toda parte”, acrescentou.

Frisson. Autoridades, celebridades, jornalistas e representantes de entidades da sociedade civil e de movimentos pela igualdade racial assistiram à fala do presidente americano. Do lado de fora do Theatro Municipal, algumas centenas de curiosos e manifestantes acompanharam a passagem do chefe de Estado pelo centro da capital fluminense. 

Na área mais nobre da plateia, políticos e autoridades como o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o senador Eduardo Suplicy dividiam o espaço com celebridades como o casal Luciano Huck e Angélica. Nos camarotes, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital, Eduardo Paes, assistiram atentos ao discurso do mandatário americano.

Veja os principais trechos do discurso:

15h18 – Obama encerra seu discurso citando um passagem de Paulo Coelho, “um dos mais conhecidos escritores brasileiros”. “Com a força do nosso amor e da nossa vontade nós podemos mudar nosso destino e de os destinos de outras pessoas”, conclui.

15h15 – “Há decadas, foi fora desse teatro, na Cinelândia, que as pessoas fizeram valer seus direitos”, diz. Obama cita a presidente Dilma Rousseff, uma pessoa que “sabe o que são as violações dos direitos humanos”. O presidente cita a luta de Dilma contra a ditatura e sua prisão pelo regime.

15h11 – Obama diz que a democracia é a única forma de resolver as diferenças de forma pacífica. “A democracia tem que ser constantemente renovada e reforçada”, diz. “Mas nós sabemos que há certas aspirações que são comuns a todos”, continua. “Hoje nós vemos a luta que está acontecendo por esses ideiais no Oriente Médio e norte da África”, afirma. Cita a Tunísia e a Líbia, onde “a população teve coragem de lutar contra uma ditadura que tenta brutalizá-los”. “Nós sabemos que não devemos temer as mudanças”, defende Obama, que diz que o povo desses países devem decidir por si seu destino. “O Brasil mostra que a democracia dá ao seu povo tanto a liberdade, como a prosperidade.”

15h09 – Obama lembra o passado comum das comunidades de afrodescendentes e defende que Brasil e Estados Unidos trabalhem juntos para “elevar a África para um novo patamar”. O presidente americano destaca também o desastre no Japão e diz que ambos os países trabalham juntos para ajudar o povo japonês.

15h06 – Obama “vende” as empresas americanas como parceiras que ajudarão ao Rio garantir “infraestrutura de qualidade” para os Jogos Olímpicos, a copa de 2014 e a exploração dos recursos do pré-sal. O presidente americano lembra também a necessidade de uma fonte de energia renovável, e cita que “metade dos carros brasileiros” tem hoje motores bicombustíveis. Obama defende a eliminação das barreiras comerciais entre os dois países.

15h04 – O presidente americano defende a cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos. “Se os Jogos Olímpicos não puderam ser em Chicago, não havia outro lugar no mundo que eu queria mais que os recebesse do que o Rio de Janeiro”, diz Obama sobre as Olimpíadas de 2016. “Eu estou aqui para dizer que os americanos não apenas reconhecessem o sucesso do Brasil, como torcem por esse sucesso”, frissou.

15h02 – Obama foca nos avanços econômicos obtidos ao longo dos últimos anos pelo Brasil, e cita o fato de um pernambucano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ter chegado ao posto mais alto da República. “Pela primeira os brasileiros são, em sua maioria, classe média. Como disse um jovem que encontrei na favela: ‘as pessoas devem olhar a favela não com pena, mas como um lugar de onde podem vir advogados, médicos e artistas.”

15h00 – O presidente americano lembra a semelhança na origem de Brasil e EUA. “Na segunda guerra mundial nossas tropas lutaram juntas para que cada cidadão pudesse desfrutar da liberdade.” Obama cita a “maravilhosa” nova presidente brasileira, Dilma Rousseff.

14h55 – Obama entra no auditório e é aplaudido de pé pelo público. O presidente americano diz que o primeiro contato com Brasil se deu quando ele era ainda pequeno, ao assistir, com a sua mãe, ao filme Orpheu Negro. “Minha mãe já se foi, mas ela nunca imaginaria que a primeira viagem que seu filho faria ao Brasil seria como presidente.” Obama agradece ao público, que lotou o teatro num dia de jogo “do Vasco”. A brincadeira causa alvoroço na plateia que se manifesta em aplausos e vaias. Obama entende que se trata de uma brincadeira.