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O Rio em dia de debate

Jennifer Gonzales

30 de setembro de 2010 | 21h30

André Mascarenhas

A reportagem do Radar Político se deslocou na tarde desta quinta-feira, 30, para o Rio de Janeiro, onde irá acompanhar o último debate entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno, no próximo domingo. Na reta final da campanha, desembarcar no Rio ajuda a entender porque o cenário parece favorecer a candidata do PT, Dilma Rousseff.

Mais do que as últimas pesquisas, que apontam uma vitória da petista sem a necessidade de um segundo turno, o que se vê nas ruas é uma grande quantidade de cartazes e placas de candidatos da coligação governista, que tem no governador Sérgio Cabral e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva seus maiores cabos eleitorais.

“A classe trabalhadora não tem o que reclamar”, diz o taxista que transportou a reportagem do hotel, na Barra da Tijuca, até o Projac, em Jacarepaguá. Ele não hesita em declarar seu voto: “Vou de Dilma. Pra continuar o que Lula começou. Com certeza está melhor do que há oito anos.”

No rápido contato que a reportagem teve com os cariocas – basicamente taxistas, entre o aeroporto, um restaurante em Copacabana, o hotel e a Central Globo de Produção – o relato se repetiu, sempre com referências a Lula. Entre o aeroporto Santos Dummont, e o Galeto Viva Flor, em Copacabana, o taxista Roberto fez um diagnóstico preciso do pleito em seu Estado, ao ser questionado se Dilma daria uma lavada em José Serra (PSDB) no Rio: “Lavada não, mas ganha. O Lula tem muitos votos aqui.” “Acho que o Serra só ganha em São Paulo”, arrisca.

Oposição. Para o candidato do DEM ao Senado pelo Rio, Cesar Maia, o debate pode ajudar o candidato do PSDB a angariar votos, principalmente entre os eleitores indecisos ou que ainda não estão convictos do voto. Para o ex-prefeito do Rio, o tucano deve apostar numa estratégia diferente da que usou no último debate, na Rede Record, quando evitou o confronto direto com a petista. Na opinião dele, Serra deveria propor questões sobre as relações do Brasil com a Venezuela e o Irão para alertar sobre o que classificou como riscos contra as “garantias individuais”, além de retomar as investidas contra os “desmandos dentro da Casa Civil”. Essas são “questões que geram insegurança com relação ao futuro de um Brasil que pode resvalar, escorregar em relação às instituições democráticas”, diz o líder do DEM em vídeo divulgado em seu site.

O político fluminense é realista, no entanto, em relação ao potencial do debate em reverter o quadro eleitoral. “Ninguém vai mudar o voto do eleitor. O que o debate vai fazer é acrescentar, acentuar e estimular correntes, vetores de ascensão que podem estar com uma angulação mais baixa e ganhar uma angulação mais alta, pra cima dos indecisos”, analisou.

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