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O domingo de Serra na Bienal do Livro

Jennifer Gonzales

15 de agosto de 2010 | 21h13

Malu Delgado

“Eu sou o pai da psico-sexologia. Consegui descobrir porque homens se tornam gays e porque as mulheres se tornam lésbicas”, gritava Mario Zaha com seu megafone em meio aos jornalistas que aguardavam a chegada do presidenciável José Serra (PSDB) à 2ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo.

Ouça entrevista com José Serra

Faz bastante frio. Mario Zaha é retirado do local abruptamente por seguranças. Os jornalistas, que já aguardavam José Serra por mais de uma hora, se inquietam. A chegada, marcada para as 15h, ocorre só às 16h17. Serra entra no local acompanhado do ex-ministro e secretário estadual de Educação Paulo Renato e pelo presidente da Bienal, Hubert Alquéres.

Nas caminhadas de presidenciáveis há de tudo. Tietagem, empurra-empurra, e, às vezes, até protesto. Serra circulou por vários estandes da bienal. Reforçou a fama de hipocondríaco ao comprar três livros do médico Drauzio Varella (Borboletas da Alma, Teoria das janelas quebradas e O médico doente). Ganhou livros de presente, entre eles O Príncipe, de Maquiavel, com o prefácio feito por Fernando Henrique Cardoso, e Meus Ídolos e Eu, do sambista Luiz Airão, que fez questão de abordar o candidato e declarar seu voto (ouça aqui).

Serra esbanja simpatia, sobretudo com crianças e mulheres. Os cliques vindos de celulares, pequenas digitais e das potentes máquinas da imprensa não param. A cada passo que dá, o tucano abraça e beija uma criança. Estratégia nova de campanha?, perguntam os jornalistas aos assessores de Serra.

“Tem que sorrir mais na televisão, viu”, ensina uma eleitora. Outras desejam boa sorte.

Eleitor declara voto, mas também faz pergunta sobre tudo. “Qual é o projeto para educação?”, pergunta Diana da Costa, professora de educação infantil de um CEI, ao presidenciável. “Ele falou que foi o PT, mas eu não acreditei muito não”, contou, em seguida, a professora (ouça aqui).

Fotos, fotos e mais fotos. Todo mundo quer tirar foto com o candidato-celebridade (ouça aqui). As crianças, sobretudo, se empolgam em ter a imagem de um famoso no visor do celular.

“Eu quis saber no que ele se baseou para falar que o PT tem ligações com as Farc . Ele falou que são informações públicas. Só que eu não tenho visto nada sobre isso, nenhuma pista que induza isso”, pondera Daniel Rena, 17 anos, que ainda não sabe em qual candidato a presidente vai votar, pela primeira vez (ouça aqui).

Indignada, Lúcia Valéria, professora de física do ensino médio, rompe a rodinha e grita com Serra. Sacode o holerite.  “Olha quanto ele me pagou, R$ 300. Era para ganhar 1.800, e ele me deu 300 paus”, diz ela, afirmando que foi perseguida por ter feito greve na escola pública. “Votem em qualquer pessoa, menos no Serra, porque a educação está de mal a pior”, continua (ouça aqui). Responsável pela Educação no Estado, Paulo Renato Souza passa ao lado da professora com constrangimento, mas ignora o protesto.

Serra segue adiante. Na entrevista à imprensa, faz promessa de distribuir 100 milhões de livros de literatura a estudantes a partir da 4ª série. Disse que o protesto da professora foi isolado, e não se estende na resposta. Não comenta pesquisas. Não fala de estratégias de campanha.

Mas as fotos… Pergunta, atencioso, se a eleitora já tirou a foto que queria. A outra eleitora-admiradora sugere que pegue o cartão de visita do fotógrafo oficial de campanha para que as imagens sejam repassadas por e-mail. O candidato deixa o local só às 17h45.

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