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No Senegal, Lula encontra socialista e pede mulher na presidência da França

Jennifer Gonzales

07 de fevereiro de 2011 | 10h14

Andrei Netto, enviado especial a Dacar

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve na manhã desta segunda-feira, 7, em Dacar, no Senegal, seu primeiro compromisso político no exterior desde que deixou o Palácio do Planalto, em 1o de janeiro. Em reunião privada, Lula encontrou-se com a secretária-geral do Partido Socialista (PS) da França, Martine Aubry. Segundo a dirigente, o brasileiro teria manifestado desejo que os franceses elejam uma mulher ao Palácio do Eliseu.

A declaração, que ainda não foi confirmada pelos assessores do presidente brasileiro, causou satisfação entre os membros do PS presentes no hotel Terrou-Bi, onde a delegação de Lula está hospedada. Em 2012, há eleições presidenciais na França, e três mulheres são pré-candidatas. No PS, a própria Aubry e a ex-deputada Ségolène Royal. No grupo ambientalista Europe Ecologie, a jurista Eva Joly pretende concorrer.

As duas socialistas disputam com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, a preferência do partido. E todas as pré-candidatas são da oposição ao governo de Nicolas Sarkozy, com o qual Lula manteve uma relação próxima desde 2007, quando da chegada do francês ao Eliseu.

“Ele (Lula) disse que seria bom que (o presidente) fosse uma mulher, como Dilma”, afirmou Aubry, ao ser questionada pela imprensa francesa sobre o teor da conversa privada.

Segundo Benoît Hamon, porta-voz do PS, a declaração aconteceu no último minuto do encontro, que teve duração de cerca de 40 minutos.

Além de opinar sobre a política da França, Lula também teria abordado com Aubry temas como as relações Sul-Sul, entre a América Latina e a África, o Brasil e a África – prioridade da fundação que o ex-presidente está montando em São Paulo – e, em especial, sobre o G-20. “Lula disse que cada país vem e não fala de suas realidades, diz que tudo vai bem”, relatou a socialista, completando. “Ele disse que quando ia (ao G20) falava da realidade do povo brasileiro.”

Ambos também teriam concordado que a comunidade internacional carece de uma liderança para enfrentar os problemas globais mais urgentes. “É essa reflexão entre os dirigentes do mundo, ao mesmo tempo escutando os desejos do povo nas ruas, que me parece uma boa forma de avançar e construir um mundo melhor”, afirmou Aubry, fazendo referência ao slogan do Fórum Social Mundial (FSM), do qual ambos participam em Dacar. “Nós temos a convicção de que não há líder no mundo, e sobretudo na Europa, para conduzir à mudança. Em todo caso, nenhum se impõe e certamente essa é uma das importâncias de trabalharmos juntos.”

Ao deixar o encontro com Aubry, Lula não quis falar aos jornalistas brasileiros e estrangeiros que o aguardavam. O ex-presidente e sua delegação rumaram para o palácio presidencial, onde tinham reunião com o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, que exerce o cargo desde 2000 e vai concorrer novamente em 2012.

Às 12h30 (10h30 no horário de Brasília), Lula tem seu primeiro e único compromisso na 11a edição do FSM. Ele vai discursar aos presentes em um meeting na Praça da Memória, junto à orla de Dacar.

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