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No Rio Grande do Norte, Dilma Rousseff afirma que “tática do medo de Serra é risível”

Camila Tuchlinski

28 Julho 2010 | 11h35

Rodrigo Alvares, de Natal (RN)

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou hoje, durante entrevista concedida a uma rádio de Natal (RN), que “é risível essa tática do medo de Serra. Essas acusações (de supostas ligações do PT com as Farc e o narcotráfico) são baseadas em questões irreais e infundadas e sem provas. É o mesmo tipo de acusação que faziam com Lula. Eles fizeram, em relação ao presidente Lula, a campanha mais ferrenha e desrespeitosa quanto a ele. O exemplo é o DEM, aqui representado pelo senador José Agripino. Aí, veja que coisa mais constrangedora: quando chega a época eleitoral, eles se disfarçam por causa do sucesso do governo Lula”.

Dilma foi além ao ser questionada sobre seu projeto para a educação em um eventual governo. Ela acusou o DEM de “fazer críticas ferrenhas e votar sistematicamente contra projetos como o ProUni”, contra o qual o partido, segundo a candidata, teria entrado com uma ação de inconstitucionalidade no Congresso. Para a petista, a estratégia é constrangedora, pois o DEM estaria fingindo não ser oposição.

Dilma também atacou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, segundo ela, teria proibido a construção de escolas técnicas no País. “Nós construímos 249 novas escolas. Eu pretendo levar uma escola técnica a cada município com mais de cinco mil habitantes”, prometeu.

Aeroporto

A presidenciável também alfinetou Serra ao dizer que planeja construir o aeroporto de São Gonçalo com uma Parceria Público Privada (PPP) – uma antiga reivindicação dos potiguares. “Essa obra é um dos meus compromissos. Essa possibilidade de criar uma zona de exportação é muito importante. Porque o Rio Grande do Norte é o ponto mais próximo dos EUA e da Europa. Meu adversário disse que é um absurdo construir esse aeroporto. Essa é uma posição errada quando se percebe o tamanho do Brasil”, provocou.

Dilma está na capital potiguar para participar do Seminário da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC) e de uma caminhada  no bairro do Alecrim. De acordo com a organização, o evento terá a participação dos 12 partidos articulados na base petista no Estado, liderados por dois candidatos que têm o apoio da ex-ministra na disputa ao governo: o atual governador, Iberê Ferreira de Souza (PSB), e Carlos Eduardo (PDT).

Embora Dilma esteja à frente de José Serra (PSDB) nas pesquisas realizadas na região Nordeste, no Rio Grande do Norte a candidata Rosalba Ciarlini (DEM) lidera as pesquisas locais e pode vencer o pleito de outubro no primeiro turno. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (RN), o Estado é 16º colégio eleitoral do País, com 2.246.691 eleitores.

Elogios a Lula

Ontem, a candidata criticou a postura do DEM, cujos integrantes no Estado estariam tendo uma postura elogiosa em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Norte uma das maiores lideranças do partido é o senador José Agripino Maia, que concorre à reeleição e apoia Rosalba para a disputa ao governo estadual.

Dilma fez questão de esclarecer que não apoia as candidaturas do DEM, uma vez que já conta com palanque duplo no Estado. “Eu fico pensando que isso é um desrespeito à população do Rio Grande do Norte. O pessoal do DEM tem sido contra quase todos os programas do governo federal”, disse ela, citando como exemplo o Bolsa Família e o Programa Universidade Para Todos (ProUni).

“Tiveram uma atitude de destruição do governo Lula e em alguns momentos, até da pessoa do presidente Lula. Me surpreende essa conduta dupla”, afirmou. “Aqui em Brasília e em todo o Brasil todo mundo sabe que o DEM é a oposição mais negativista contra o governo do presidente Lula. Se aí eles mudam, me desculpe, mas isso não é correto com o povo do Rio Grande do Norte nem com o povo brasileiro.”

Na manhã de hoje, Agripino respondeu às críticas de Dilma em entrevista a uma rádio de Natal e afirmou que o Estado é excluído de obras que beneficiam o desenvolvimento: “O Rio Grande do Norte tem sido uma espécie de filho enjeitado da República”, declarou.

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