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Na guerra do mínimo, discursos do governo e oposição desafiam senso comum

Ricardo Chapola

15 de fevereiro de 2011 | 20h23

Eduardo Brescinani

O governo acha que o País vai quebrar, mas a oposição vê uma economia forte. A constatação, baseada nas posições defendidas pelos dois lados nesta terça-feira, 15, mostra o contra senso embutido no debate sobre o novo valor do salário mínimo no Congresso Nacional.

Além da cobrança do cumprimento de um acordo com as centrais sindicais, a apresentação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Câmara dos Deputados traça um quadro temeroso para a economia. Na visão do ministro, um aumento do mínimo acima dos R$ 545,00 poderá até levar o País a um caos econômico com descontrole fiscal e inflação.

“O governo vai cumprir o corte (de R$ 50 bilhões) porque precisa fazer o corte. Se nós já começamos descumprindo os R$ 545, aí vão dizer: o governo vai flexibilizar outras despesas, e, portanto, nós vamos ter um descontrole fiscal no País, e a inflação vai subir por causa do descontrole fiscal e de outras despesas”, disse o ministro.

Diante do cenário pessimista, a lógica sugeriria que a oposição criticasse o governo por seus gastos e o culpasse pela situação ruim da economia do País.

Em vez disso, porém, a oposição questiona o diagnóstico e sugere que a economia está em um “céu de brigadeiro”. O economista que falou em nome do PSDB, Geraldo Biasoto Jr, apresenta cálculos que mostram o governo com uma arrecadação R$ 24 bilhões maior do que a prevista.

Biasoto faz uma projeção com crescimento da economia e geração de empregos em alta, cenário que todo governo deveria desejar.

Os discursos contraditórios escondem os objetivos reais de ambos os lados. O governo quer segurar o salário mínimo em R$ 545,00 para poder atender outras demandas como a correção da tabela do Imposto de Renda (IR), o reajuste para o Bolsa Família e uma eventual redução da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. A medida também ajuda no ajuste de contas que a União quer fazer depois de expandir os gastos nos últimos anos.

A oposição, por sua vez, quer patrocinar um aumento do mínimo para se aproximar de um movimento do qual sempre teve alguma distância, o sindical. Uma amostra é a postura do DEM, que resolveu pegar a bandeira das centrais de um mínimo de R$ 560,00 e chamar de sua.

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