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Na 1ª reunião ministerial, Dilma vai cobrar solidariedade nos cortes no Orçamento

Jennifer Gonzales

14 de janeiro de 2011 | 13h08

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro

A presidente Dilma Rousseff realiza neste momento, no Palácio do Planalto, a primeira reunião ministerial do seu governo. Antes do encontro, era previsto que ela alertasse a equipe para a necessidade de adotar “procedimentos éticos” e dividir com os ministros da área econômica os ônus políticos que podem resultar dos cortes orçamentários. O ajuste nas contas de cada pasta é considerado “inevitável” pela presidente. A previsão é que o encontro se estenda até as 18 horas.

A abertura da reunião será feita pela própria presidente. Havia a expectativa de que a abertura fosse transmitida ao vivo pela NBR, a emissora de TV do governo, o que acabou não acontecendo. Ela deve exigir dos ministros que dividam com Guido Mantega (Fazenda) e Mirian Belchior (Planejamento) os desgastes que podem ser causados pelo ajuste orçamentário.

O comportamento do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, que no governo Lula reclamava da falta de orçamento, é lembrado no Planalto como exemplo de postura que Dilma Rousseff não aceitará por parte dos seus subordinados. Ela avalia que não há clima político para a criação de novo imposto para financiar a saúde e diz que a limitação de recursos é uma forma de conhecer a capacidade gerencial de um ministro.

A presidente deve ressaltar também, segundo auxiliares, que na falta de recursos é preciso, mais do que nunca, fazer o melhor possível. Após a fala da presidente, o ministro Guido Mantega apresenta um quadro da situação econômica e exporá os limites orçamentários.

‘Vítimas’

Em conversas com Dilma, o ministro se queixou de que, no governo passado, os colegas de ministério se comportavam como “vítimas” do corte de orçamento, sempre classificado como uma “necessidade” pelo Planalto. Ele reclama que sempre foi taxado de “vilão” e diz que gostaria de dividir com os colegas os estragos na imagem provocados pelos cortes.

Nos últimos dias, a presidente se reuniu com todos os ministros em audiências individuais. Assessores do governo dizem que eles já estão alertados em relação a dúvidas que Dilma poderá ter sobre ações e projetos desenvolvidos pelos ministérios. Na reunião, ela poderá fazer cobranças.

Os ministros serão informados de que, em breve, será criado um Conselho de Gestão e Competitividade, para ajudar a presidente a acompanhar as ações e números apresentados pelos ministros. Os ministros terão de estabelecer metas de redução de custos e apresentá-las periodicamente em reuniões no gabinete presidencial.

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