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Movimentação de Kassab é ruim para a democracia, avalia Jereissati

Lilian Venturini

16 de março de 2011 | 15h53

Anne Warth e Leonencio Nossa

O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse nesta quarta-feira, 16, que avalia com tristeza o esperado movimento do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de deixar o DEM e criar um partido para fazer parte da base de apoio do governo federal. “Acho muito triste. Não estou falando especificamente do Kassab, mas de uma maneira geral. Essa movimentação política em torno de circunstâncias e oportunidades, sem ter uma linha ou um partido com programa no qual as pessoas se fixem e tenham compromisso, acho muito ruim para a democracia”, afirmou, após participar na capital paulista de reunião do Conselho Superior Estratégico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do qual passa a ser integrante.

“A gente vê que tudo está sendo feito, todas as mudanças de partido, em função de interesses pessoais de curto prazo”, criticou. “Acho muito triste para a política brasileira.”

O ex-senador admitiu a possibilidade de que PSDB, DEM e PPS se unam em um único partido num futuro próximo. “Eu acho que a médio prazo, havendo continuidade desses movimentos, sim (podemos nos unir), porque a tendência no Brasil hoje é de cooptação. Político se coopta através de vantagens e cada vez se tem menos políticos de oposição”, afirmou. “Prefeito com discurso de oposição, por exemplo, não existe mais. Governador de oposição está difícil e parlamentar agora está ficando raro. Então, pode ser um destino unir no mesmo lugar aqueles que têm uma linha e acreditam na necessidade para a democracia brasileira de fazer uma oposição correta.”

De acordo com Jereissati, essa chance de união entre os partidos de oposição ainda é uma tese, embora ele já tenha ouvido falar sobre a possibilidade. “Existem diferentes linhas de oposição e, por enquanto, isso não é o ideal. Mas à medida que as coisas vão se desenvolvendo assim, na base de 100% de cooptação, quem tem um pouco de convicção e compromisso acaba se juntando ao redor desses compromissos.”

Na avaliação dele, o PSDB precisa neste momento formular nova agenda para o País. “Eu acho que o PSDB tem uma grande missão neste momento. A agenda do partido prevaleceu nos últimos anos: a ideia de uma reforma política, de grande disciplina fiscal, de câmbio livre, de meta de inflação, toda nossa agenda foi implantada. O momento é outro, e agora nós precisamos de uma nova agenda”, disse.

Na opinião do ex-senador, o deputado Sérgio Guerra (PE) deve continuar na presidência do partido. “Hoje esse processo está bastante avançado e existe um consenso em torno do nome dele. Não vejo por que mudar”, afirmou. Para Jereissati, a ideia de criar um conselho político na legenda é “interessante”.

Sem pressa. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta que é muito cedo para avaliar sobre quem teria sido fortalecido na troca de comando do DEM e na estratégia do partido de seduzir aliados de Gilberto Kassab, para evitar dissidências. “Temos dois ansiosos na vida: os políticos e os jornalistas”, afirmou. Perguntado se o senador tucano Aécio Neves teria se beneficiado, Alckmin disse que é cedo para mensurar o impacto no processo sucessório de 2014.

Ele comentou também sobre a vitória do deputado Barros Munhoz (PSDB), reeleito nessa terça-feira, 15, para presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo, e desconversou quando questionado sobre a ação pública em que o deputado é réu por improbidade administrativa. “Já era esperado que Barros Munhoz fosse reeleito. O que eu defendo é uma representatividade com a participação de todos os partidos na Mesa. O debate deve ser no plenário.”

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