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Miro Teixeira diz estar alerta a tentativas para controlar a internet

Jennifer Gonzales

26 de novembro de 2010 | 17h57

Jair Stangler

O deputado federal e ex-ministro das Comunicações, Miro Teixeira, se disse preocupado com o que chamou de tentativas de controlar a internet. Ele participou da mesa redonda do Seminário Cultura de Liberdade de Imprensa, realizado pela TV Cultura entre a quinta-feira, 25, e a sexta, 26, em São Paulo.

“Precisamos discutir internet. Parece que estão querendo controlar a internet. As autoridades não querem ser fiscalizadas e a internet aumenta o controle sobre eles”, afirmou. “A internet é anárquica e estão querendo controlar a internet”, acrescentou.

O deputado também se mostrou perplexo com a discussão que está acontecendo sobre o marco regulatório. “Eu ouço um palavreado nessa conversa toda sobre controle de mídia e fico me perguntando: Qual é o lide? O que se quer controlar? Quem viu o anteprojeto? O que pretendem aqueles que querem um marco regulatório para a mídia?”

Contou até uma anedota para ilustrar seu pensamento. “Isso parece aquele caso em que o repórter vai cobrir um casamento. Quando ele volta, diz que não tem história porque a noiva faltou”, disse.

Ele também ironizou a declaração de Franklin Martins no mesmo evento, que disse que a lei de radiodifusão de 1962 é antiga. “E a lei de 1943 usada para cobrar impostos não é antiga?”, perguntou.

O advogado e articulista da ‘Folha de S.Paulo’, Luiz Francisco Carvalho Filho, lembrou a tentativa de Lula expulsar o jornalista do NYT e a proposta da Fenaj para criar um conselho nacional dos jornalistas para afirmar que há sim propostas do goveno no sentido de restringir a liberdade de imprensa. Ele também concordou com Miro Teixeira na avaliação de que ninguém o que o governo de fato quer com a proposta de regulação da mídia. “A função da imprensa é fiscalizar e o poder público não gosta disso”, declarou. Carvalho disses ainda que não vê diferença entre censura de militares e censura de juízes, concordando com a avaliação de outros participantes do seminário de que a censura judicial é hoje a principal ameaça à liberdade de imprensa.

Já a senadora eleita Ana Amélia Lemos (PP/RS) acha que essa discussão deveria ter sido deixada para Dilma, ainda que seja uma continuidade do mesmo governo. “É até uma falta de delicadeza”, disse. Declarou que nenhum tipo de tutela será aceito e que, na verdade, o que deveria estar sendo discutido era a reforma política.

Reclamou ainda da confusão em torno do debate. “Fernando Henrique disse hoje pela manhã coisas que a mim me interessam. Estabeleceu uma discussão em que uma hora se fala em controle social da mídia, outra hora de regulação. São coisas totalmente diferentes. E quem tem que dizer é quem faz a mídia. Nós jornalistas temos a responsabilidade de assumirmos uma discussão interna”, afirmou.

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