Ministra da Cultura pede escolta policial para evitar perguntas e causa tumulto em SP
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Ministra da Cultura pede escolta policial para evitar perguntas e causa tumulto em SP

Lilian Venturini

10 de maio de 2011 | 19h47

André Mascarenhas, do estadão.com.br

No olho de um furacão político e administrativo que pode custar-lhe o cargo, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, contou nesta terça-feira, 10, com a ajuda da PM para evitar a imprensa após audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo. Na saída do encontro, que reuniu representantes de entidades culturais, produtores e membros da classe artística, houve um princípio de tumulto e um repórter foi agredido por policiais e membros do cerimonial da Casa.

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Momento em que repórter é empurrado. Ao fundo, Ana de Hollanda protege a cabeça com as mãos

A confusão aconteceu no momento em que Ana deixava a audiência. A assessoria da ministra informou ter pedido ao cerimonial da Assembleia que deixasse o caminho livre entre o auditório Paulo Kobayashi e o carro oficial, em uma das saídas do Palácio Nove de Julho. A alegação era de que a ministra estava atrasada para o voo de volta à Brasília. Policiais foram chamados para formar um cordão de isolamento de modo que o contato de Ana com os repórteres fosse reduzido. No caminho, houve empurra-empurra, e a ministra não respondeu a nenhuma pergunta.

Procuradas, as assessorias tanto da Assembleia quanto da PM não quiseram comentar o assunto.

Ana é alvo de críticas desde que assumiu a pasta. Os ataques partem quase sempre de setores que consideram as mudanças propostas pela ministra um retrocesso em relação às políticas adotadas pelo ex-ocupante da pasta pelo PV Juca Ferreira. A situação ficou mais delicada com a revelação, pelo Estado, de que a ministra recebeu diárias por dias não trabalhados no Rio.

Ao chegar à Assembleia, por volta das 14h, Ana conversou rapidamente com os jornalistas e confirmou que irá devolver parte dos valores das diárias, mas negou que tenha ocorrido qualquer irregularidade no pagamento. “Quero deixar claro que grande parte desses dias eu estava em compromissos informais com gente da cultura”, afirmou. “Pela nota da CGU, não tem nada de ilegal. Foi só uma recomendação”, completou.

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Ana de Hollanda, com as mãos na cabeça, entra no carro oficial após a confusão

Na cúpula PT, o esforço era para mostrar apoio à ministra. Na avaliação dos petistas, Ana está sob o fogo cruzado de grupos com diferentes interesses, mas tem se esforçando para ouvir todas as vozes. “Há uma certa ansiedade no PT. Mas o governo é para quatro anos, não quatro meses”, resumiu uma liderança petista no Estado.

O presidente nacional do partido, deputado estadual Rui Falcão, descartou que as críticas tenham como articulador o ex-ministro Juca Ferreira, que antes de Ana ser confirmada havia demonstrado desejo de continuar no cargo. Questionado se haveria um movimento orquestrado para derrubar a ministra, Rui classificou o embate como “divergências normais que se explicitam com naturalidade.” “E a ministra responde a todas elas”, acrescentou.

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Já no carro oficial, a ministra deixa a Assembleia Legislativa de São Paulo

Apesar das demonstrações de apoio, não faltaram críticas dentro e fora do partido às políticas do ministério para direitos autorais, patrimônio histórico e o contingenciamento de verbas para projetos. Para um deputado petista ligado à questão, Ana é excessivamente inábil. Segundo ele, as críticas partem principalmente de ativistas da cultura digital, grupo especialmente importante para a eleição da presidente Dilma Rousseff.

Culpa da imprensa. Durante sua exposição, a ministra culpou a imprensa e ativistas digitais pela crise que atinge sua pasta. “Estamos trabalhando intensamente, dia a dia. Todo mundo fica ouvindo notícias veiculadas aí pela imprensa. Muito boato, muita fofoca, muita informação completamente equivocada que não tem o menor fundamento. São fatos que estão tentando criar, mas que não correspondem ao que está acontecendo na realidade”, disse a Ana.

Mas o tom das intervenções durante a audiência deixou claro que há insatisfações de parte a parte. Próxima ao PT na Assembleia, a deputada estadual comunista Lecy Brandão questionou a atuação do ministério. “As pessoas estão querendo saber o que vai ser feito em relação aos pontos de cultura”, perguntou Lecy, que disse representar os movimentos sociais de São Paulo.

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A ministra Ana de Hollanda participa de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa

“E queremos também saber como vai ficar a questão dos artistas independentes, que têm a necessidade de mostrar os seus trabalhos. Tem muita gente talentosa no nosso País que precisa de política pública para que essas pessoas possam gravar seus CDs, mostrar suas peças teatrais, seus grupos de dança, lançar seus livros”, acrescentou, sob aplausos.

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Texto alterado às 20h para atualização

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