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Ministra denuncia ‘intolerância’ no debate sobre liberdade

Lilian Venturini

29 de abril de 2014 | 22h26

Em encontro no Rio sobre comunicação e mercado, Cármen Lúcia critica condutas que ‘buscam tutelar a sociedade’

 

Luciana Nunes Leal

Rio – A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta terça-feira, 29, que há no País “uma intolerância enorme para tudo o que seja diferente” e que “não adianta querer ser livre e abrir mão de pensar”.

Diante de uma plateia de professores e alunos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), no Rio, a ministra advertiu: “Temos um Estado democrático, mas a pergunta é se temos uma sociedade tão democráticas quando a Constituição pressupõe. Hoje noto uma intolerância enorme para tudo que seja diferente, é uma tragédia para a democracia e o exercício da liberdade. Não adianta querer ser livre e abrir mão de pensar”.

A fala da ministra abriu o seminário Comunicação e Mercado no Brasil: Desafios e Oportunidades, que o Ibmec promove junto com o Instituto Palavra Aberta.

O tema da intolerância foi retomado pouco depois, pelo presidente do Grupo Abril, Fábio Barbosa. Depois de dizer que “a falta de tolerância é a antítese da democracia”, Barbosa advertiu que o País está “vivendo um momento muito delicado de verdade única, de falta de convivência com a opinião contrária”. Para ele, “toda conduta que busca tutelar a sociedade é um risco para a liberdade de expressão. O politicamente correto exacerbado também é intolerante, porque ele não admite outro pensamento”.

O seminário marcou o lançamento de uma nova cátedra no Ibmec, sobre liberdade de expressão – fruto de parceria do Ibmec com o Instituto Palavra Aberta. Na palestra inicial, Cármen Lúcia abordou a questão da liberdade e da censura. Ela defendeu uma melhor discussão sobre privacidade. “Temos a invasão de privacidade e a evasão de privacidade. A pessoa vai à Igreja fazer uma doação para o padre e quer que aquilo seja divulgado e publicado. Mas não quer aparecer quando namora escondido. E o jornalista não vai parar na hora que essa pessoa quer”.

O professor da USP Eugênio Bucci, também diretor de pós-graduação em Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo, disse que liberdade e privacidade não são excludentes e, ao contrário, “a privacidade é uma conquista da liberdade”. “Não podemos cair na armadilha de acreditar que a liberdade é relativa por força da privacidade”, disse ele.

Desafios. A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patricia Blanco, destacou que “a defesa da liberdade de expressão é uma luta cotidiana porque todos os dias aparecem novos desafios”. Outro a falar, o vice-presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo, Paulo Tonet Camargo, fez uma comparação histórica: “Quem viveu a transição da ditadura para a democracia sabe o valor da liberdade. Vocês podem imaginar o que é não poder votar para presidente da República?” Também participaram do seminário o diretor do Ibmec, Fernando Schüler, e o diretor de Políticas Públicas da Google no Brasil, Marcel Leonard.

 

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