Meirelles pode ser entrave para acordo entre PSDB e PSD nas eleições 2012
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Meirelles pode ser entrave para acordo entre PSDB e PSD nas eleições 2012

Redação

13 de outubro de 2011 | 17h11

Gustavo Uribe, de Agência Estado

O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, um dos trunfos do prefeito Gilberto Kassab para a sucessão à Prefeitura de São Paulo, pode representar um entrave na eventual aliança entre PSDB e PSD para a disputa municipal de 2012. Isso porque dirigentes do PSDB em São Paulo não vislumbram um acordo que tenha Meirelles como cabeça de chapa e já informaram ao prefeito de São Paulo, em conversas privadas, que os tucanos dificilmente abrirão mão de uma candidatura própria em nome do apoio ao ex-dirigente do BC e atual presidente do Conselho Público Olímpico.

Segundo avaliação do comando do PSDB em São Paulo, apesar de ter tido uma atuação elogiosa à frente do Banco Central e contribuído para a manutenção da estabilidade econômica e financeira, que marcou a gestão do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, Henrique Meirelles é um nome ainda pouco conhecido pela população paulistana. Para esses dirigentes tucanos, sem nunca ter participado de uma disputa para um cargo majoritário, o ex-presidente do BC não conseguiria aglutinar capital político para disputar a sucessão da maior prefeitura do País, a de São Paulo.

O nome do político recém-filiado ao PSD e que trocou o seu domicílio eleitoral de Goiânia para São Paulo é visto também com desconfiança no PSDB em razão de sua proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula é o principal fiador da eventual candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à sucessão municipal em São Paulo pelo PT. “Não faz sentido o PSDB, um partido da oposição, apoiar um ex-membro do governo federal”, resumiu um aliado do governador Geraldo Alckmin.

A eventual candidatura do ex-presidente do Banco Central foi citada com “certa descrença”, segundo tucanos, em reunião do Conselho Político do PSDB, na última segunda-feira, e já gerou, inclusive, manifestação pública do ex-governador Alberto Goldman, um dos maiores aliados do ex-governador José Serra. “É absolutamente natural uma aliança do PSDB com o PSD, além, naturalmente, do DEM (aliança já tradicional) e outros partidos para formar uma forte coligação”, escreveu em seu blog. “Mas não me passa pela cabeça a possibilidade de termos o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como nosso candidato a prefeito”, disse Goldman.

Na avaliação do líder tucano, o ex-presidente do Banco Central representou, em sua atuação à frente do BC, uma “política econômica ortodoxa”, que o PSDB combate “sistematicamente”. “Eu, em particular, que fui líder do PSDB na Câmara dos Deputados e vice-líder no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto critiquei aquela política econômica, em nome do partido, que não teria qualquer possibilidade de apoiá-lo”, afirmou. “Que fique, desde já, marcada essa posição política. Com ele não dá!”, frisou. A manifestação de Goldman, segundo dirigentes tucanos, é compartilhada também por outros aliados do ex-governador José Serra.

A resistência do PSDB ao ex-dirigente do Banco Central fortaleceu no PSD, segundo membros da sigla, o nome do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, para a disputa municipal de 2012. A crise gerada com a mudança do vice-governador do DEM para o PSD, que teve como ápice a sua saída do comando da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, teria sido superada no Palácio dos Bandeirantes, segundo membros do governo estadual. “O fato dele não ter demonstrado ressentimentos pela troca na secretaria foi bem visto pelo governador”, disse um interlocutor de Geraldo Alckmin. Em nome de uma melhor definição do quadro eleitoral, o governador tem, inclusive, defendido junto a aliados que a consulta primária para a escolha do candidato do PSDB fique apenas para março de 2012.

O receio de repetir o cenário eleitoral de 2008, quando sofreu uma derrota, ainda em 1º turno, na sucessão à Prefeitura de São Paulo, tem levado lideranças tucanas a cogitar abrir mão de uma candidatura própria em nome de uma aliança robusta para a disputa municipal. A tese do prefeito de São Paulo de que PSDB e PSD devem se unir contra o PT, um acerto que conta com a aprovação de aliados do ex-governador José Serra, começa a ganhar adeptos também entre aliados do governador de São Paulo. A avaliação de dirigentes da sigla é de que o PSDB deve evitar cometer o mesmo erro da última disputa municipal, quando a sigla insistiu em um nome próprio e costurou uma aliança que lhe rendeu apenas cinco minutos nos palanques eletrônicos, quase metade do que dispunha, na época, o atual prefeito Gilberto Kassab .

Uma aliança com o PSD, segundo eles, além de evitar o risco de uma maior fragmentação do cenário eleitoral, pode assegurar a reeleição do governador de São Paulo em 2014, um apoio garantido pelo prefeito Gilberto Kassab na hipótese do PSDB apoiar um nome do PSD em 2012. A aposta tanto de membros do PSDB como do PSD é de que, com um acordo entre as duas siglas, ficará mais fácil atrair para uma mesma coligação partidos como o PR, PP, PPS, PV e PSB, que estão no radar também do PT e do PMDB.

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