Marta assume ministério e promete deixar ‘marca cultural’
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Marta assume ministério e promete deixar ‘marca cultural’

Lilian Venturini

13 de setembro de 2012 | 09h34

Lilian Venturini, de O Estado de S.Paulo

A petista Marta Suplicy assumiu o Ministério da Cultura na manhã desta quinta-feira, 13, e prometeu deixar uma “marca cultural” no governo da presidente Dilma Rousseff. Durante a cerimônia, a ex-senadora procurou demonstrar sua experiência na área e se disse disposta a dialogar com todos os setores culturais. A petista assume após uma gestão conturbada de sua antecessora, a cantora Ana de Hollanda.

A mudança ocorre no mesmo momento em que Marta aceitou se engajar na campanha do petista Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A ex-senadora havia desistido da sua pré-candidatura na capital por imposição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela negou que a indicação ao ministério tivesse relação com as eleições municipais.

Em seu discurso na cerimônia de posse, a presidente Dilma procurou enfatizar a experiência de Marta na área cultural e afirmou ter certeza de que a ex-senadora vai “dar conta” do desafio. “Te disse [Marta]: Não peço só a Deus, peço a você, que coordene a área da cultura, trabalhe por ela e leve ela à frente.” Em 2013, o orçamento do ministério será 65% maior em relação ao deste ano.

Marta destacou projetos culturais que elaborou durante sua gestão como prefeita de São Paulo (2001 a 2004). Prometeu ainda tratar como prioridades o acesso à cultura e propostas que unam o setor à produção digital. “Como cultura é algo em permanente transformação, a internet também presta serviço quando ela permite questionar o que está cristalizado”, afirmou.

Incompreendida. Em sua despedida do cargo, a ex-ministra Ana de Hollanda disse ter sido incompreendida em alguns momentos de sua gestão. Assim que assumiu, em 2011, ela enfrentou a resistência de artistas e militantes da área cultural, que questionavam sua competência e decisões como a de frear a tramitação do projeto de reforma da lei de direitos autorais. “Me perguntam por que defendo tanto a criação. Se penso a criação, tenho que pensar em quem vive disso. Isso nem sempre foi bem compreendido”, afirmou.

A presidente Dilma também defendeu Ana de Hollanda: “Sei que nem sempre foi fácil. Essa experiência [de ocupar um cargo público] raramente é fácil. Mas agradeço de coração por sua lealdade, pela maneira histórica com que enfrentou as pressões, muitas vezes injustas e excessivas.”

A saída de Ana de Hollanda já era prevista, mas foi antecipada depois do vazamento de uma carta enviada por Ana ao Ministério do Planejamento, no último dia 27, em que cobrava mais recursos para a pasta. Ana de Hollanda é a 13ª ocupante da Esplanada a deixar o governo.

Abaixo, os principais momentos da cerimônia:

11h45 – É encerrada a cerimônia.

11h43 – Dilma afirma que o PAC Cidades Históricas vai receber R$ 1 bilhão. “Sabemos que a cultura é uma parte muito expressiva do nosso PIB. Daí porque fico muito confortável e coloco na ministra Marta Suplicy esse desafio. Tenho certeza de que a Marta vai não só dar conta de tudo isso, mas também praticar a cultura em seu ministério, inventando outras artes. Inventar outras artes é algo que a experiência da ministra Marta dá sustentação para sua atividade. A ex-ministra teve uma experiência desafiadora quando dirigiu a Prefeitura de São Paulo. Levar através dos CEUs, para milhões de cidadãos paulistanos a atividade cultural, está a altura da experiência também que é necessária para exercer o cargo de Ministra da Cultura. Tenho certeza de que traz duas grandes experiências e múltiplas qualidades, que serão muito úteis para meu governo. (…) Te disse [Marta]: Não peço só a Deus, peço a você, que coordene a área da cultura, trabalhe por ela e leve ela a frente.”

11h39 – Dilma: “Não tenho dúvidas de que a cultura merece mais. Mas tenho feito durante meu governo e do governo lula o que é do meu desejo na área cultural”, diz ao falar sobre o aumento do orçamento do ministério em 2013. “Julgamos que a democratização e o acesso à cultura (…) são importantes. (…) [Garantir isso] Faz lembrar aquela música dos Titãs: ‘A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte’, diz Dilma, aplaudida em seguida.”

11h35 – Dilma destaca os principais papeis do Ministério da Cultura: “Democratizar o acesso, garantir o financiamento à circulação da produção e ampliar o financiamento. Tendo clareza que nós temos como papel ampliar cada vez mais o espaço cultural e garantir que a cultura seja mecanismo de celebração da vida. (…) Tenho certeza de que minha amiga e companheira Marta está a altura de levar à frente o ministério, transformando a cada momento a cultura numa prioridade central do meu governo. A ministra Marta, pela sua experiência, pelo seu olhar não preconceituoso, capaz de acolher diferentes manifestações da sociedade, tem condições plenas de levar à frente essa tarefa, que é transformar cada vez mais a cultura num centro de articulação de todas as grandes políticas de nosso País. Nenhuma nação se firma sem que sua cultura seja celebrada e que tenha oportunidade de se manifestar.”

11h30 – Dilma Rousseff: “Queria começar por um agradecimento. Quero dedicar esse momento, agradecer a colaboração de Ana de Hollanda, nesse período que esteve conosco. Sei que nem sempre foi fácil. Essa experiência [de ocupar um cargo público] raramente é fácil. Mas agradeço de coração por sua lealdade, pela maneira histórica com que enfrentou as pressões, muitas vezes injustas e excessivas. Agradeço sobretudo à dedicação com que cumpriu o seu papel. O governo será eternamente grato à sua atuação à frente do ministério.”

11h26 – A presidente Dilma Rousseff inicia seu discurso.

11h25 – A nova ministra destaca que dará prioridade para unir cultura e internet. “O que se coloca ao público e é de qualidade, o público vai. Ainda conhecemos pouco sobre a influencia da comunicação eletrônica na criatividade. Como cultura é algo em permanente transformação, a internet também presta serviço quando ela permite questionar o que está cristalizado.” Marta finaliza seu discurso agradecendo mais uma vez ao convite feito por Dilma e destaca o desafio de manter um diálogo com os vários setores culturais em torno de uma política pública unificada.

11h24 – Marta Suplicy: “O ministério não faz cultura. Ele proporciona espaços e autonomia para que a cultura se produza. Não se pode pautar pelo mercado. Ao mesmo tempo nossos artistas têm que viver da sua arte. Devemos incentivar nossa participação internacional, esse será nosso outro desafio.”

11h12 – Marta agradeceu ao Senado pela aprovação do PEC sistema nacional de Cultura e fez pedido especial aos “colegas da Câmara” para terem empenho na aprovação do Vale-Cultura.

11h19 – A nova ministra destaca o senador José Sarney, que concebeu a criação do Ministério da Cultura. “A partir do governo Lula tanta coisa mudou em nosso País. (…)  Reconheço os valorosos trabalhos de Gilberto Gil, Juca Ferreira e Ana de Hollanda.”

11h16 – Marta Suplicy: “Muito me honra o convite para ocupar o cargo de ministra. É a possibilidade de participar mais de perto de um governo que tenho orgulho. Existe também a realização de trabalhar numa área que aprecio, mas mais que tudo de trabalhar sob o comando de uma mulher arretada, que admiro e com quem dialogo muito bem.”

11h14 – Marta Suplicy assina o termo de posse e começa seu discurso.

11h10 – Ana de Hollanda: “Falar de cultura é falar muito da vida de todos nós. Não tem ninguém aqui que não tenha relação com cultura. A responsabilidade que recebi, presidenta, foi enorme e agradeço muito a confiança. Dei tudo de mim e tive apoio de muita gente.” “A gente tá construindo muito e no seu governo vai construir muito mais com a ministra Marta. Tenho certeza que com todas as áreas de criação a cultura vai ser muito respeitada.” “Me perguntam por que defendo tanto a criação. Se penso a criação, tenho que pensar em quem vive disso. O cinema brasileiro tem que ter o direito garantido, não pode ir pelo ralo. Me preocupo com quem vive de criar. Quem vive disso tem que ter condições de continuar fazendo isso.” “Isso nem sempre foi bem compreendido. Mas é uma das áreas essenciais para se pensar o desenvolvimento do Brasil.” E conclui: “Tenho que realmente dizer o quanto foi importante para mim esse convite. O quanto trabalhei e me sinto feliz por ter conhecido essa experiência, esse Brasil, esse Brasil que é muito maior e muito mais rico do que se fala por aí. Agradeço, desejo boa sorte a Marta. Vou voltar pra minha vida, que é do outro lado, do lado da criação, e vou ficar assistindo e aplaudindo esse governo.”

11h06 – Ana de Hollanda fala sobre o PAC das cidades históricas, programa de repasse de recursos destinado para fomentar o turismo de destinos culturais brasileiros. “A presidenta se sensibilizou sobre esse projeto”, diz. A ex-ministra fala sobre parceria que será desenvolvida com o Ministério da Educação para unir projetos das duas pastas voltadas ao público infantil.

11h01 – A ex-ministra destaca fomentos a Funarte (Fundação Nacional de Artes) e à área de audiovisual . Destaca a criação da Secretaria da Economia Criativa. “A difusão da nossa produção cultural é muito importante”, diz ao destacar que o incentivo à economia criativa é uma maneira de dar liberdade  aos artistas, que deixariam de depender de mecenato. “Não podemos mais pensar em circulação e produção cultural sem pensar nessa economia e em todo esse trabalho que vem sendo desenvolvido.”

10h57 – Ana de Hollanda fala sobre sua gestão: “O aumento do nosso orçamento foi considerável. Chegamos num patamar nunca antes alcançado. (…) Temos vários projetos que estão caminhando e que foram construídos já no início dessa gestão, como as Praças de Cultural. Temos os projetos na área social, como as Usinas Culturais. Trabalhamos também com a Cultura Viva e os Pontos de Cultura. O orçamento deles nunca foi tão alto como será no ano de 2013. Estamos pagando as dívidas. Mas os diálogos com todas as comunidades estão muito positivos. Superamos um período que foi de desconfiança. Tenho certeza de que avançamos bastante.”

10h50 – É aberta a cerimônia. A ex-ministra Ana de Hollanda discursa: “Ela (Marta) tem capacidade e todas as condições para exercer esse cargo”, diz Ana ao afirmar que sua gestão foi de continuidade.

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