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‘Acabamos matando as boas experiências no Brasil por populismo político’, diz Marina na sabatina no Grupo Estado

Jennifer Gonzales

01 de setembro de 2010 | 09h26

José Orenstein e Rodrigo Alvares

A candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva, participou na manhã desta quarta, 1º, de sabatina na sede do Grupo Estado. O evento foi transimitido ao vivo pela TV Estadão.

Respondendo a questões de jornalistas e de leitores e internautas, Marina declarou-se crítica à política externa do governo Lula e esclareceu questões como a sua saída do ministério do Meio Ambiente. 

Marina também procurou se desvincular de rótulos e se difrenciar das candidaturas de Dilma e Serra, que segundo a candidata do PV, tentam criar uma situação plebiscitária. Marina disse que “não é com gerentes que se resolve os problemas”. Antes na sabatina ela comentou também a sua visão sobre o Estado: “Não dicuto essa história de Estado mínimo, Estado máximo. Eu trabalho com o conceito de Estado necessário.”

 O blog Radar Político acompanhou em tempo real os melhores momentos e os bastidores da sabatina. Leia abaixo.

11h57 – Marina faz suas considerações finais agradecendo ao Grupo Estado e lembrando a presença de seus correligionários e do candidato ao Senado do PV, Ricardo Young. “Eu sei que o Brasil está pronto para eleger uma mulher presidente da República. Se o Brasil quer duas mulheres na Presidência, então vamos para o segundo turno, para decidirmos com tempo igual qual é a melhor candidatura”, diz Marina. A candiadata do PV comenta os problemas na Saúde, Educação Segurança. “Não é com gerentes que resolvemos os probelmas. É preciso ter visão estratégica para o desenvolvimento”, declara Marina, após citar Kubitschek, FHC e Lula como homens que tiveram essa visão.

11h55 – “Eu tenho uma alimentação controlada e saudável. Com 52 anos você acha que eu tenho essa performance aqui como?”, diz Marina para os risos da plateia. “Graças a Deus, eu estou muito bem. A gente não tem de essa impressão de que os políticos são super-heróis, que não pegam uma gripe”, diz ela, e emenda: “Se a concorrência quiser se livrar de mim pelos problemas de saúde, pode tirar o cavalinho da chuva”.

11h51 – “Eu quero afirmar o princípio da democracia, da alternância de poder. A democracia é a forma de fazer a escolha. Mas é claro que tem que ter um cuidado para evitar mecanismos que prejudiquem isso”. Marina diz que se criou uma situação “plebiscitária” na divisão entre dois candidatos destas eleições. Ela citou o caso da retirada da candidatura de Ciro Gomes como desfavorável à democracia.

11h49 – A candidata do PV esclarece que apenas o segmento do Ministério Madureira da Assembleia de Deus, sua igreja, declarou apoio a Dilma – segmento que representa 25% dos fiéis no BRasil.

11h47 – Marina responde a questão quanto ao papel da igreja em orientar posição política nas eleições. “Acho que não estimular o debate político em um País com 180 milhões de pessoas que se dizem católicas um absurdo.” Ela em seguida afirma que é contra a indicação de um candidato pela igreja.

11h42 – Na questão dos transgênicos, Marina diz que é possível combinar as duas soluções, “mas que o Brasil perdeu essa oportunidade por uma falta de visão estratégica”. “Tudo favorece a cultura transgênica. Temos uma visão colonizada de que o que vem de fora é melhor”

11h38 – “Eu aprendi há muito tempo a não ligar para rótulos nem rotular as pessoas”, afirma Marina em relação ao fato de ter sido chamada de “ecocapitalista” por Plínio Arruda de Sampaio.  “Não me incomoda isso. O rótulo é uma forma simplificada de fazer as coisas, de não discutir”.  Marina questiona os desastres ambientais provocados tanto por capitalistas quanto socialistas na história. 

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foto: Ayrton Vignola/AE

11h35 – “No Brasil há espaço para o pequeno, o médio e o grande agricultor. O que a gente não pode é esquecer que existe um atraso histórico na distribuição de terras no Brasil”, diz Marina, que em seguida defende aplicação estrita da lei para coibir a violência no campo, “tanto para um lado”, em referência ao MST, “quanto para outro”, em referência aos proprietários de terra.

11h33 – Questionada sobre distanciamento de sua base política de apoio original dos movimentos ambientalistas e indigenistas, Marina diz que muitos participam das discussões de programa e campanha, mas preferem não ter o nome citado. “Quando eu me aposentar eles vão me acolher de novo”, diz ela.

11h29 –  Comentando a gerência do Estado, Marina declara: “Não dicuto essa história de Estado mínimo, Estado máximo. Eu trabalho com o conceito de Estado necessário.” Ela completa dizendo que o Estado deve ser mobilizador, dando aquilo que a sociedade precisa, mas não tolhendo a criatividade do mercado. “É um Estado gerador de oportunidades”.

11h27 – “Quem segurou o processo do menslão no governo Lula foi Zé Alencar, um grande homem, leal – que aliás é o nome do meu vice, Guilherme Leal”, afirma Marina.

11h25 – A candidata do PV diz não guardar mágoas em relação ao presidente Lula. “As pessoas tendem a colocar o foco como se fosse uma coisa Dilma X Marina”, afirma a candidata sobre sua relação com a petista enquanto estava no governo Lula

11h22 – “A gota d’água foi quando tentaram revogar as medidas de combate ao desmatamento”, comenta Marina ainda sobre sua saída do governo Lula. “O ministro Mangabeira, juntamente com o ministro Stephanes, foi aos poucos convencendo o presidente Lula de que quem estava certo era a secretaria de Meio Ambiente do Estado Mato Grosso”.

11h19 – Marina diz que Mangabeira Unger teve pouca influência na sua saída do governo Lula. “Mangabeira Unger era um ministro como eu. Lembro que ele deu 67 milhões de hectares na Amazônia sem critérios para particulares”, afirma a candidata. A candidata do PV afirma que sua saída do Ministério do Meio Ambiente teve a ver com a pouca flexibilidade do governo para integrar questões de sustentabilidade nos projetos dos outros ministérios.

11h16 –  Marina comenta a exploração do pré-sal. “Os ambientalistas não são um problema para as empresas, são uma solução”. “O que o Brasil tem que fazer no pré-sal é buscar as melhores tecnologias para minizar os problemas e os riscos da exploração. Não é que vai atrasar, mas você tem que tornar viável, garantir a segurança ambiental”, afirma. “O homem não saiu da idade da pedra por falta de pedra. Saiu porque buscou novas respostas”

11h13 – “O trem-bala daria para dobrar os recursos do Ministério da Educação. É uma questão de prioridade, tem que ver se tem os recursos”, afirma Marina. “Entre o trem-bala e a educação de qualidade, eu vou ficar com a educação de qualidade”.

11h07 – “Nós temos um potencial enorme de geração de energia Brasil, solar, eólica, hidroeltericidade, sem falar na biomassa. Mas não dá para continuar fazendo como sempre fizemos, deixando que as questões ambientais e sociais como externalidades ao empreendimento. O projeto tem que ter viabilidade técnica, econômica, social e ambiental. O questionamento a Belo Monte é porque falta a viabilidade social e ambiental”, declara Marina. Ainda sobre o mesmo assunto ela afirma: “Estivemos sob ameaça de apagão nos oito anos de governo Lula”. “Será que é planejamento mesmo ficar com a espada no pescoço?”.

11h03 –  Sobre o casamento civil gay, Marina reitera não ser favorável – “é o Estado laico que vai decidir”. “Eu nunca pratiquei nenhum tipo de discriminação a quem quer que seja”. Sobre o fato de ser constantemente questionada sobre este assunto, ela diz: “Eu sei que é legítimo que as pessoas perguntem. E eu respeito essas pessoas”. “Quem decide essas questões não é o Executivo, é o Legislativo”.

11h00 –  “A minha posição pessoal em relação ao aborto é muito clara: sou contrária. Eu disse isso ao longo da minha vida, venho dizendo desde sempre. Quando eu entrei na universidade eu era chamada de ‘igrejeira’ e meus amigos de esquerda achavam que eu não era tão revolucionária assim. O problema, ou a solução, para mim, é que eu defendo a vida”, afirma a candidata do PV.

10h56 –  Ainda sobre segurança, Marina afirma: “Existe uma parte que é problema social, mas mesmo quando você tem inclusão social, os índices de violência não caem. Não é repressão por repressão como alguns dizem, nem prevenção por prevenção. A certeza da impunidade é que faz com as pessoas pratiquem crime”.  Sobre o exemplo das UPPs, no Rio, Marina diz que é preciso “dar escala” a  essa experiência de política pública. “Acabamos matando as boas experiências no Brasil por populismo político”.

10h53 – Marina comenta o controle das drogas e a segurança no Brasil. “A questão da segurança sempre teve esse recalque político”. “É preciso uma política que combata a criminalidade e para isso é preciso pensar uma reforma da segurança”, diz Marina, que ainda argumenta em favor da integração efetiva das Polícias Civil e Miltar. “Se não fizermos uma reforma da segurança, não é fazer um puxadinho, criar mais um ministério. E temos problema de estrutura, também. Os policiais são mal pagos. É um absurdo o que estão ganhando”.

10h50 – “A gente tem que orientar nossa política externa e as Forças Armadas por princípio”, diz Marina. “É preciso atualizar o conceito de Forças Armadas no Brasil, incluindo questões de sustentablidade para pensar questões de segurança nacional”, acrescenta a candidata do PV.

10h47 – Sobre a posição do Brasil perante a Venezuela, a candidata do PV, diz que tem uma postura crítica quanto a liberdade política e de imprensa naquele país. “Acho que na Venezuela a gente vai resvalando para uma espécie de regime plebiscitário, que não favorece a alternância de poder”.

10h44 – Ainda comentando a política externa, Marina diz: “Não se pode olhar a coisa como homogênea. É diferente a Venezuela do Irã. Acho que a aproximação com o Irã não pode ser criticada, porque é preciso o diálogo, mas acho que foi dada uma audiência desnecessária a um governo que não respeita direitos humanos, que não reconhece o Holocausto. Essa aproximação é inoportuna, incoviente, porque favorece um ditador, na minha opinião”

10h40 – “Eu não tenha avaliação sobre a Revolução Cubana semelhante a um viés conservador. Tínhamos ali uma ditadura perversa com os Batista que aviltava o povo cubano”, diz Marina.”Os que são alinhados com Cuba não podem é fazer vista grossa com um problema que é grave, que é a falta de democracia”, afirma Marina. Não acho que ditadura seja boa para ninguém, o bom é a democracia”. “Na hora que cair o bloqueio americano, vai favorecer  Cuba. O presidente Obama peca por não tratar essa questão.”

10h38 – ” A iniciação científica no Brasil tem que ser incentivada desde a infância. Temos que criar uma cultura de conhecimento, descobertas, patentes”, declara a candidata do PV, ainda sobre o deficit de mão de obra especializada no Brasil.

10h35 – Sobre o deficit de capital humano no Brasil, Marina comenta: “Se alguém disser que consegue formar um engenheiro assim, pronto, não é bem assim. Para que se ganhe agilidade, é preciso investir em centros de excelência”. “Se alguém tivesse pensado lá atrás na infraestrutra, não teríamos esses problemas hoje. Temos que pensar agora para os próximos 20, 30, 40 anos”, acrescenta.

10h32 – Questionado sobre o fato de ter Zequinha Sarney ser do PV, Marina diz: “Todos os ambientalistas reconhecem o trabalho dele. A gente não pode julgar a pessoa pelo DNA dela”. Ela lembra que ele insistiu para que ela se filiasse ao PV, no momento em que Marina pressionava contra José Sarney no Senado.

10h29 – “Não é utópico unir lados tão diferentes?, pergunta a jornalista Flávia Tavares. “É possível manter um diálogo com pessoas que não se mobilizam por cargos, mas por ideias”, responde Marina. “Existe muita gente boa no PT e no PSDB”.

10h26 – “Termina a novela e tem um mundo cor de rosa”, comenta a candidata sobre o programa de Dilma na TV e, sobre Serra, “você tem um mundo todo azul”. Ainda comentando as propostas de seus dois principais adversários, Marina diz: “Com todo esse discurso de desenvolvimento pelo desenvolvimento, não temos um plano para infraestrutura no Brasil”.

10h25 – “Agora, é preciso ter uma visão estratégica que envolva os diferentes segmentos da sociedade. O problema é que as duas candidaturas não trabalham com essa perspectiva”, afirma Marina, que chama Serra e Dilma de “crescimentistas” e “desenvolvimentistas”.

10h20 – Em resposta a pergunta do jornalista Roldão Arruda sobre a sua estabilidade nas pesquisas, Marina diz: “sempre tive o feedback dos desenvolvimentistas de ambos os lados de que a gente representava zero vírgula nada por cento da população”.  “A mensagem não é de que as pessoas devem perder os ganhos que conquistaram”, argumenta Marina. E completa:  “A boa nova é que possível ter qualidade de vida, sim, sem ter que destruir o planeta.

10h17 – Após agradecimentos inciais, Marina exalta sua aliança com “núcleos vivos da sociedade”. “As alianças dos últimos 16 anos sinalizam mais do mesmo”, diz. “Temos o desafio da inclusão social para mais de 15 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza”, completa ela.

10h16 – Marina tem cinco minutos para suas considerações iniciais.

10h15 – Tem início a sabtina com a candidata Marina Silva, do PV. Antes de começar, Marina fazia suas últimas anotações.

10h09 – Marina veio à sabatina acompanhada de seu vice, o empresário Guilherme Leal, do candidato a senador Ricardo Young e do candidato a deputado federal Ale Youssef.

10h05 –  Marina Silva já está no auditório da sede do Grupo Estado em São Paulo. Em poucos minutos deve ter início a sabatina.

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