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As pessoas vão continuar votando num Silva, só que agora vão votar em mim, diz Marina

Jennifer Gonzales

16 de junho de 2010 | 11h13

Por Jair Stangler

A candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva, participou nesta quarta-feira, 16, de sabatina promovida pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’ e pelo portal UOL, em São Paulo. “As pessoas que votaram no Lula vão continuar votando num Silva, mas agora vão votar em mim”, afirmou a candidata.

Ouça a primeira parte da sabatina

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Marina Silva: “Eu me coloco como sucessora”

A frase de Marina revela também uma tática assumida pela candidata, de se posicionar como sucessora, não como opositora, como ela mesma assumiu. Ao longo de toda a sabatina, Marina destacou conquistas promovidas pelas administrações de Lula e de FHC, mas afirmou que nem Dilma nem Serra são capazes de fazer frente ao desafio do século 21, “promover sustentabilidade com desenvolvimento”.

Veja como foi a sabatina com Marina Silva:

13h16 – “Segundo turno só discuto no segundo turno, obviamente com que não estiver no segundo turno comigo”

13h10 – Marina diz não ver muito sentido na tipologia de esquerda ou direita, mas diz entender que sua prática é mais de esquerda que seu discurso.

13h09 – Marina diz ser favorável à uma Constituinte exclusiva para discutir as reformas.

13h06 – FHC ou Lula, quem foi melhor presidente? “O que uma professora diria, não que seja professora de nenhum deles, mas se fosse perguntar qual aluno é melhor? Os dois tem qualidades. Lula fez o País crescer e distribuir renda. FHC estabilizou a economia. Nenhum dos dois ainda soube agregar a questão da sustentabilidade.”

13h04 – Legalização das drogas: “Sou contra, mas defendo um plebiscito. Muitas pessoas sérias são a favor, como FHC e Fernando Gabeira.”

13h03 – “Não tenho opinião sobre adoção de crianças por casais gays. Sou sempre a favor da criança, sou contra a criança ficar abandonada.”

13h03 – “Sou pessoalmente contra o aborto, mas essa é uma discussão mais ampla. Defendo um plebiscito.”

13h01 – “Sou contra o casamento gay, mas sou a favor da união civil. Tenho sido muito criticada, mas sempre apoiei Gabeira e Marta, embora apoiem essas posições. Não estamos elegendo o padre do País. O Estado é laico e não deve discriminar qualquer pessoa.”

13h00 – “Defendi o parlamentarismo quando houve o plebiscito, mas a sociedade brasileira decidiu pelo presidencialismo.”

12h59 – “Sou favorável à ampliação para 5 anos de mandato e contra a reeleição.”

12h55 – “O Irã tem uma tradição de ganhar tempo. Fez o mesmo movimento que fez com Brasil e Turquia fez com relação a França e Rússia. Mas os bloqueios econômicos não são bons. Essa cultura de fazer bloqueio não vamos fazer nenhuma apologia. Precisamos inclusive pressionar os Estados Unidos contra o bloqueio a Cuba, quando acabar o bloqueio, Cuba poderá completar sua revolução, fazendo a democracia.”

12h52 – Sobre a política internacional, Marina diz ser favorável a buscar a liderança internacional. Mas diz que o Brasil precisa ter cuidado com algumas questões. “Quando o Brasil se aproxima do Irã para o diálogo, não pode ser criticado. Agora, quando se aproxima de alguém que viola direitos humanos, que busca produzir armas nucleares, nós temos que ter muito cuidado.”

12h51 – Marina diz estar de acordo com a autonomia para o presidente do Banco Central e com as linhas macroeconômicas do governo Lula.

12h46 – “O Guilherme Leal não está na campanha por ser um homem rico, está na campanha pelo que representa, pela sua trajetória.”

12h44 – “Meu primeiro doador de campanha é um menino de 11 anos, que eu encontrei no aeroporto, conversamos, ele veio com R$ 25 reais e eu não pude aceitar, expliquei para ele, conversei com os pais dele, e estamos apalavrados que ele será o primeiro doador da campanha. É muito bonito uma criança disposta a investir em si mesmo através da política.”

12h42 – “Sou favorável ao financiamento público de campanha, pode até ser um sistema misto.” Marina também afirmou que não irá receber doações de indústrias bélicas e de tabaco.

12h39 – Sobre o mensalão: “Quando alguém do PT erra, a coisa é generalizada, é algo que não acontece com outros partidos. Acontece até porque nós nos colocávamos como bastiões da ética. Mas eu teria continuado no PT para melhorar, saí porque o partido não atendia ao desafio do século 21, que é conciliar agenda ambiental e desenvolvimento”.

12h37 – “Já me pediram para dançar o rebolation, mas eu deixei bem claro que não dançaria, até porque seria uma fraude, eu nunca aprendi a dançar.”

12h34 – Pergunta de leitora registrada em vídeo: Por que a candidata mantém esse visual ‘informal’ enquanto outros candidatos procuraram melhorar sua aparência. “Esse informal… ela quis ser educada, né? (risos) Mas eu acho que o candidato não deve se colocar como produto. Eu fiz algumas mudanças… Meu cóqui fica para trás.”

12h29 – Marina lembra de uma experiência pela qual passou, quando quase morreu quando seu filho estava nascendo. “Quem passa pelo que eu passei, quem é alfabetizado aos 16 anos, como eu fui, tem um compromisso muito forte com a educação e com a saúde.”

12h20 – A senhora quer reduzir os impostos, quer melhorar serviços, reduzir dívida. De onde virá  o dinheiro? “Eu não disse que vamos reduzir, disse que não vamos aumentar. Agora quem foi que disse que o gasto público é feito na melhor direção com a melhor finalidade? Nós temos que qualificar o gasto público. Temos que acabar com a corrupção. Só com a corrupção, dá para dobrar o investimento em educação.”

12h17 – Marina diz que País precisa de um sistema mais transparente de impostos. “Pobre nem sabe quanto de imposto paga, pobre só paga imposto. Nós saímos do Estado provedor para o estado fiscalizador, precisamos partir para o estado mobilizador.”

12h11 – Sobre transgênicos, Marina diz que defendia a coexistência entre áreas de transgênicos e áreas sem transgênicos. “O Brasil era o único País que poderia ganhar com os dois modelos. A Embrapa tem tecnologia para desenvolver a soja não-transgênica. A gente pega uma tecnologia que a gente domina, e fica dependente de uma tecnologia que a gente não domina. Agora a legislação está tão permissiva que não dá mais para voltar atrás. Os agricultores agora estão reclamando dos royalties e estão vendo que em época de seca a soja tradicional é 30% mais rentável que a transgênica.”

12h09 – Para Marina, o ministro Carlos Minc está dando continuidade à gestão que a gente fazia. A gente fazia operação, o ministro Minc  reclama que eu não acompanhava as operações. O que eu ia fazer lá? Ia parecer um sagüi de casaca na frente de um trator.”

12h07 – “Pedi para sair quando me senti sem apoio na questão do desmatamento. Foi quando o governador Blairo Maggi, o ministro Stephanes e o ministro Mangabeira Unger tentaram vender para o presidente Lula que minha posição era ideológica.” 

12h01 – Perguntada sobre os embates que enfrentou no governo Lula, Marina diz que explicitou os embates, e sua própria saída explicitou suas divergências. Mas diz que não revela bastidores. Para ela, seria falta de ética abrir coisas que não havia aberto enquanto estava no governo. “Quando eu disse que não dá para dar a licença do Rio Madeira no dia 15 de fevereiro, o presidente não disse ‘dá a licença de qualquer jeito’, ele disse ‘precisa resolver o problema, o problema do meio ambiente e o problema da geração de energia'”.

12h00 – “Precisa produzir energia. Mas não precisa ser em prejuízo dos índios e do meio ambiente.”

11h57 – “Sobre Belo Monte eu venho dizendo que temos os mesmos problemas de 20 anos atrás. O problema é todo de falta de planejamento. Está melhorando, hoje nós temos o PAC, que é um programa de gestão de obras, mas ainda falta muito. Não dá para ficar pendurado na forca, dependendo de projeto em projeto. É preciso ter visão estratégica. O que eu defendi é que se suspendesse o leilão para que pudéssemos mudar o processo, para que não se fique colocando em oposição questão social, questão ambiental e questão econômica.”

11h55 – “Precisamos também ver a questão do Rio das Velhas, onde o esgoto era todo jogado em natura, e levava tudo para o São Francisco. Do ponto de vista técnico, do ponto de vista ético, eu me sinto tranquila com relação à licença que dei para o São Francisco. Faltou um plano de sustentabilidade para toda a região.”

11h51 – Respondendo a internauta, Marina lembra que o projeto de transposição do São Francisco foi uma discussão muito complexa realizada durante o governo Lula. “O presidente da Agência Nacional de Águas disse que eu não podia permitir que Lula acreditasse no projeto da maneira como estava. Então fizemos um reposicionamento para o então ministro da Integração Nacional, o deputado Ciro Gomes, e mudamos o projeto.”

11h49 – Marina voltou a criticar a discussão sobre a divisão de royalties em período pré-eleitoral. Para ela, a proximidade das eleições influencia a atuação dos parlamentares.

11h46 – Para Marina, o petróleo é um mal necessário. Mas, segundo ela, é preciso caminhar na direção de mudar a matriz energética. Depois, ela citou um trecho da música ‘Construção’ como sendo de Caetano Veloso (a música é de Chico Buarque), a candidata disse que é porque Caetano já disse que vota nela e Chico, apesar de sua admiração por seus olhos verdes, ainda não disse isso.

11h40 – Em um eventual segundo turno, a senhora teria dificuldade de declarar apoio à Dilma em função de não atender a essa agenda socioambiental? “A escolha do candidato é um sintoma do partido. Eu vou pensar primeiro qual é o compromisso programático. Dilma e Serra são totalmente parecidos, os dois tem uma visão desenvolvimentista. Os partidos políticos não foram capazes de acompanhar essa discussão, esses 30 anos de debate ambientalista no mundo.”

 11h35 – Para Marina, é injusto culpar Sarney Filho, filiado ao PV, por erros eventualmente cometidos por seu pai, o presidente do Senado José Sarney. Diz que o PV não é um partido perfeito. Diz que não saiu do PT por questões éticas, mas pela falta de comprometimento do PT pela agenda da sustentabilidade. “Eu lutaria pela melhora ética do PT. O PT perdeu a capacidade de ter a visão antecipatória. A realidade muda, e as práticas tem que mudar. Nem precisaria ser eu a candidata, mas a questão da sustentabilidade precisaria estar colocada.”

11h32 – “É impressionante a quantidade de seguidores que eu consigo espontâneamente no Twitter. As pessoas que votaram no Lula vão continuar votando num Silva, mas agora vão votar em mim.”

11h30 – “A questão é como eu, com 12% nas pesquisas, estou tão animada e os outros, lá em cima nas pesquisas, estão tão preocupados em perder?”

11h26 – “Todo mundo fez projeções nesse meu artigo sobre o Rei Lear, se o Rei Lear seria o Lula, se eu seria uma das filhas e a Dilma a outra, ou se seria a Ideli Salvatti. O que eu acho interessante na história do Rei Lear é algo que o bobo diz ao rei, como ele ficou velho sem ficar sábio. A sabedoria é algo que nós devemos perseguir sempre. O Mandella é um homem que ficou velho e ficou sábio.”

11h25 – “O presidente Lula precisa de um sucessor para manter as conquistas dos últimos 16 anos, mas que também seja capaz de avançar em outras questões importantes, como a da mudança da matriz energética.”

 11h22 – Marina também foi perguntada sobre artigo escrito pelo arcebispo Dom Moacyr Grechi, que havia revelado sobre “fragilidades” da candidata. Segundo ela, ele não se referia à fragilidade física, mas sim às dificuldades que terá para levar à frente seu governo.

11h17 – Essa sua fragilidade física é impeditivo a ocupar a Presidência? “Estou muito bem de saúde hoje. Tenho um histórico de problemas de saúde, mas isso talvez tenha me ensinado a me preocupar mais com meu bem estar.”

11h15 – “Temos muitos séculos no Brasil, milhares de anos até no mundo, em que as mulheres eram consideradas incapazes, e eram tuteladas, como as crianças. As mulheres são mais inclusivas, tem maior capacidade de negociação. Elas preferem que as pessoas estejam convencidas em vez de se sentirem derrotadas”.

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