Para Marina, Lula deve dar o exemplo no respeito à lei
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Para Marina, Lula deve dar o exemplo no respeito à lei

Jennifer Gonzales

15 Julho 2010 | 16h13

Por Jair Stangler

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, participou nesta quinta-feira, 15, em São Paulo, de uma sabatina promovida pela Record News e pelo portal R7. Entre outros temas, Marina aproveitou para criticar o código florestal aprovado na Câmara e diz que vai combater o projeto no Senado: “é estelionato ambiental”, afirmou. A senadora também criticou a conduta do presidente quanto à legislação eleitoral: “o presidente Lula

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Marina deu a entender que não dificilmente aceitaria um cargo no governo de Dilma ou de Serra, dizendo que já deu sua contribuição para o Ministério do Meio Ambiente e que existe uma gama de pessoas capacitadas para assumir a função.

Evangélica, Marina se delcarou perplexa com a polêmica sobre suas posições religiosas. “A vida toda combati o preconceito contra as pessoas que não são crentes. Nunca gostei daquela exposição sobre o presidente FHC, nunca gostei daquilo de dizerem que o Lula ia queimar bíblias. Então me causa um estranhamento ver que existe esse preconceito (contra quem tem fé)”, declarou ao ser questionada sobre o ensino religioso nas escolas.

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Marina diz que nunca bebeu nem fumou maconha: “só Biotônico Fontoura”

Após a sabatina, a senadora conversou com os jornalistas e comentou os frequentes casos de desrespeito à legislação eleitoral. “As extrapolações estão acontecendo e precisam ser freadas pela legislação e pela própria Justiça Eleitoral, seja aqui em São Paulo, seja no governo federal.” 

“O presidente Lula precisa dar o exemplo. O presidente, como cidadão, ele tem de se manifestar, compreendendo que ele é presidente da República e que muitas vezes o que ele diz, a depender do lugar, a depender do contexto, pode caracterizar direcionamento político. E a figura dele tem de se resgarduar desse tipo de encaminhamento, que muitas vezes levam a esse estranhamento, a essas multas que ele levou. O que não é bom para a democracia, não é bom para o próprio cargo e função de presidente da República”, acrescentou.

Marina evitou julgar o caso das cartilhas produzidas pelo governo para que o eleitor apoie as candidaturas de mulheres. “Se não tiver uma orientação direcionada para essa ou aquela candidatura, temos que ver. No Congresso, quando nós fizemos a lei das cotas, a gente estabeleceu inclusive que deveriam ser criados mecanismos de incentivo às candidaturas femininas. Tem que ver se isso não está respaldado nesse processo. Eu não conheço a cartilha, não sei como está feita a cartilha. Obviamente que a sociedade brasileira tem de estar zelando pelo princípio de equidade no processo eleitoral”, afirmou.

Participaram da sabatina os jornalistas Christina Lemos, da TV Record, Eduardo Ribeiro, da Record News, Gisele Silva, editora de Brasil do R7, e o blogueiro Marco Antonio Araújo, do R7.

Veja como foi a sabatina:

18h02 – “Precisamos de uma visão de País que nos coloque a altura do que somos, uma potência ambiental”. E a sabatina é encerrada.

17h58 – Perguntada sobre distribuição de camisinha, Marina diz que não entra na questão da Igreja Católica, mas defendeu que se tenha uma política preventiva: “Não é só uma questão de distribuir camisinha. É uma questão de educação. Você tem de ter uma política para a prevenção da gravidez precoce, das doenças sexualmente transmissíveis.”

17h57 – Marina diz que só discute o segundo turno no segundo turno, e defende também um plebiscito para resolver a questão do aborto.

17h54 – Marina diz que já deu sua contribuição para o Ministério do Meio Ambiente e que existe uma gama de pessoas capacitadas para assumir a função no governo Dilma ou no governo  Serra.

17h50 – Sobre a questão do ensino religioso nas escolas, Marina diz que não defende e nunca defendeu o ensino religioso nas escolas. “A vida toda combati o preconceito contra as pessoas que não são crentes. Nunca gostei daquela exposição sobre o presidente FHC, nunca gostei daquilo de dizerem que o Lula ia queimar bíblias. Então me causa um estranhamento ver que existe esse preconceito (contra quem tem fé).”

17h48 – “Acho muito positivo ter duas mulheres concorrendo, está mais do que na hora de ter uma mulher na Presidência”. Segundo ela, relação com Dilma é de amizade. “Tenhos carinho e respeito pelos dois (Serra e Dilma)”.

17h43 – Para Marina, não dá para tratar o chá do Santo Daime com preconceito. “Usado fora de contexto, pode causar problema. Tem essa função alucinógena, mas no contexto da religião, tem outra função”.

17h40 – Marina diz que nunca bebeu álcool e nunca fumou maconha: “só biotônico fontoura”. Sobre a descriminalização da maconha, a senadora diz que é contra, mas entende que isso deveria ser levado a plebiscito popular.

17h35 – Ainda sobre a polêmica do casamento gay, Marina diz que defende os direitos civis, mas que entende que o casamento é um sacramento e isso ela não defende. Sobre a adoção por casais gays, diz não ter opinião formada, mas que essa é uma questão para especialistas. Diz também que é preciso levar em conta que há muitas crianças abandonadas, e é melhor que elas tenham um lar.

17h30 – Para Marina, é possível fazer aliança programática na democracia. “Quero governar com os melhores do PT, do PSDB, e do PMDB. O PT achou que podia governar sem conversar com o PSDB, acabou ficando refém do fisiologismo do PMDB, o PSDB ficou refém do fisiologismo do DEM. Quero governar em cima de programa. Não precisa ser em troca de cargo. Muitas pessoas se mobilizam por achar que estão contribuindo para o País.”

17h25 – “A revolução cubana resgatou uma série de questões como a saúde, a educação, mas essa revolução precisa ser completada, isso só acontece com democracia”. Marina elogia a política internacional de Lula, sobretudo ao se aproximar da África. Para ela, por Lula ter sua história ligada à luta pela democracia, causou estranhamento o posicionamento assumido diante do Irã e de Cuba.

17h19 – “Nós tivemos ganhos com o Plano Real, tivemos ganhos com o Bolsa Família. Agora, os ganhos não devem levar à complacência, como se já estivesse tudo pronto, tudo feito”.

17h17 – Marina diz que o Brasil tem baixa inclusão digital, e que pretende ampliar o acesso à banda larga. Ela defende a atuação do Estado e da iniciativa privada para isso.

17h13 – Na volta do intervalo, Marina fala sobre educação. “Precisamos de  um sistema nacional de educação integral. Precisamos investir mais na educação, na qualidade dos professores, computador nas escolas, utilizando o melhor da tecnologia digital, precisamos uma escola que seja favorável ao conhecimento, ao gosto de aprender. Nós queremos ensinar como aprendemos no passado, e isso não é mais possível”.

17h05 – Para a candidata, sua saída acabou forçando o presidente Lula a manter sua política contra o desmatamento. “A questão da ética é uma questão que eu tenho que ser vigilante onde eu estiver, eu fazia isso no PT, faço isso no PV. Mas mudar a visão sobre o que é o desafio desse século, comprometer o planeta pelo lucro de algumas décadas, isso eu não estava conseguindo fazer no PT.”

17h01 – Marina diz que o presidente também acaba sofrendo com as contradições da sociedade, nega que esteja poupando o governo Lula, mas diz não gostar do termo ‘falar mal’. “Eu não falo mal nem do vizinho…”. Mas, segundo ela, o governo Lula não entendeu o principal desafio do século 21.

16h59 – Segundo a senadora, como presidente, ela terá mais condições, porque o presidente dá as diretrizes do governo. Lembra que o programa de desmatamento do governo foi coordenado pela Casa Civil, que tem poder de convocação.

16h56 – Perguntada porque não fez as coisas que afirma que irá fazer enquanto era ministra, Marina diz que “as pessoas precisam entender que um ministro não tem todo esse poder, é uma pessoa dentro de um processo, há outros ministros.”

16h54 – Marina disse que foi favorável ao aumento para os aposentados, mas também foi favorável ao veto para o fim do fator previdenciário. “O País não tem condições de agüentar mais esse peso”

16h51 – “A reforma da previdência que eu defendo é a que sai da situação de dependência para uma situação de capitalização”. Marina lembra também que é preciso resolver a questão da informalidade para resolver a previdência.

16h43 – A candidata do PV diz que este está na hora dos programas assistenciais de 3ª geração. Elogia o Bolsa-Família, mas diz que “não podemos ficar presos a eles”. “Precisamos investir em educação, permitir que as pessoas saiam do Bolsa-Família”.

16h43 – Marina vê diálogo possível com a bancada ruralista no Congresso, caso seja eleita. “Tem o caminho de baixo, de quem quer derrubar a legislação ambiental. Precisamos seguir o caminho de cima, de investir em tecnologia, em conhecimento. Gostaria de chegar para os pecuaristas e dizer ‘vocês sempre foram vistos como os vilões. Mas se a gente investir em tecnologia, em conhecimento, vocês vão produzir mais e liberar 70 milhões de hectares do desmatamento e criar uma nova narrativa sobre esses produtos.”

16h42 – Marina diz que vai trabalhar no Senado para derrubar o novo Código Florestal.

16h38 – Marina volta a criticar o novo Código Florestal: “É um estelionato ambiental. Como ficam aqueles que, a duras penas, conseguiram cumprir a legislação ambiental? Nós podemos dobrar a nossa produção sem derrubar uma árvore. É um retrocesso.”

16h34 – Perguntada sobre a taxação de grandes fortunas, ela diz que essa questão deveria entrar na discussão de uma reforma tributária mais ampla, “porque o pobre paga mais de forma indireta”.

16h34 – Sobre Guilherme Leal, Marina diz que seu vice tem um grande compromisso ético e é fruto de sua própria educação.

16h32 – Perguntada sobre sua declaração de renda, Marina diz que, apesar de ter boa renda, optou por não juntar patrimônio e que parte de seu dinheiro é usado para ajudar sua família e para financiar sua luta ambiental.

16h29 – Marina, sobre a questão do plebiscito entre PT x PSDB: “No primeiro turno, a gente vota em quem a gente acredita, em quem a gente gosta”.

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