Marina defende diálogo com o agronegócio para o Código Florestal
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Marina defende diálogo com o agronegócio para o Código Florestal

Jennifer Gonzales

11 de agosto de 2011 | 12h37

Jair Stangler e Karina Ninni, do Estadão.com.br

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva defendeu nesta quinta-feira, 11, em São Paulo, diálogo com o agronegócio para alterar o projeto de Código Florestal em tramitação no Congresso. Ela particpou do Encontros Estadão&Cultura, realizado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

De acordo com Marina, é um “desserviço” tratar todo o agronegócio como estando todo ele alinhado ao Código Florestal aprovado na Câmara. Marina, que deixou o PV em julho, disse ainda não temer o enfrentamento com a bancada ruralista, a mais forte no Congresso e afirmou acreditar na capacidade de convencimento dos parlamentares, inclusive os desta bancada.

Marina ainda fez um alerta: “Proteger floresta será tão difícil que dificilmente nós manteremos os 60% de cobertura florestal que nós temos hoje.”

A ex-ministra também criticou o argumento de que a defesa das florestas e do meio ambiente no País é financiada por ONGs de países que destruíram suas florestas e agora querem se meter em assuntos do País. “Um dos desserviços da discussão equivocada do Código Florestal foi tentar pintar a legislação brasileira como fruto de interesses externos”, diz.

A proposta para o novo Código Florestalvotada na Câmara está no Senado. O relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Luiz Henrique (PMDB-SC), disse na quarta-feira, 10, que pretende apresentar seu parecer até o dia 24 de agosto e votá-lo até dia 31.

Veja como foi:

13h39 – Em suas considerações finais, Marina exibe um cartaz com os dizeres: “O ar que você respira podia ser melhor se tivesse floresta mais perto”

13h37 – “Proteger floresta será tão difícil que dificilmente nós manteremos os 60% de cobertura florestal que nós temos hoje”, afirma.

13h29 – Respondendo a pergunta enviada por leitor via Twitter, Marina explica que “existem áreas que devem ser preservadas, existem áreas que vão ser manejadas e existem áreas que precisam ser consolidadas. Impacto zero não existe. Mas precisamos diminuir o impacto sobre as florestas. Existem milhões de áreas abandonadas na Amazônia. O uso dessas áreas nos permitiriam aumentar a produtividade. São 230 mil km² abandonadas.”

13h25 – Marina volta a defender “a nova política”. “As pessoas não querem mais ser só espectadoras”, argumenta. “‘Estamos tentando administrar o que deu certo’. Se você pensa assim, já é um conversador. O que é novo é a inclusão social. O que vai ser gerado de tudo isso aqui, daqui a 10, 20, 30, 40 anos, só no futuro nós vamos saber. O movimento feito por Lula, Fernando Henrique, por Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, foi uma transição para este momento, eu sou o resultado disso”, afirma.

13h16 – Marina critica o argumento de que a defesa das florestas e do Meio Ambiente é financiada por ONGs de países que destruíram suas florestas e agora querem se meter em assuntos do País. “Um dos desserviços da discussão equivocada do Código Florestal foi tentar pintar a legislação brasileira como fruto de interesses externos”.

13h15 – “Essa discussão só vai prosperar se nós evitarmos os rótulos”, setencia.

13h12 – Marina diz não ser contra agronegócio e hidrelétricas e critica os rótulos, que desqualificam o debate. “Eu poderia ser rotulada de ‘agroflorestal'”, ironizou. “Pode ter hidrelétrica, desde que respeite os índios”, afirma.

13h01 – Marina diz não temer o enfrentamento com a bancada ruralista, a mais forte no Congresso. Ela diz acreditar na capacidade de convencimento dos parlamentares, inclusive os da bancada ruralista. “Não podemos deixar a presidente em uma situação complicada”, afirma, dizendo que a presidente Dilma terá de vetar o Código se ele passar como está.

12h56 – “Se nós tratarmos o agronegócio como estando todo ele alinhado com essa posição é um desserviço”, afirma.

12h55 – “Foi criado um comitê a exemplo do comitê das Diretas Já. Esse comitê quer colher um milhão de assinaturas contra o Código”, diz.

12h54 – Para Marina, a discussão sobre o Código Florestal tem de ser de toda a sociedade. “80% da população é contra o novo Código”, afirma. Paradoxalmente, afirma, 80% da Câmara votou a favor.

12h50 – “Quando o Código Florestal foi feito em 1934 a ideia de preservação de matas ciliares já estava inscrita”, diz. Ela critica as propostas de diminuição das áreas de preservação das matas ciliares e de anistia a desmatadores presentes no novo Código. Defende que se lance mão de novas tecnologias para aumentar o ganho de produtividade.

12h44 – Para Marina, a proposta aprovada na Câmara e que tramita no Congresso, parte de premissas equivocadas e da falta de visão estratégica. “A proteção passa a ser exceção e a regra passa a ser a flexibilização que levará à destruição”, continua.

12h42 – “Em 1934, quando foi pensado, o quando foi pensado (o primeiro Código Florestal) partiu do próprio Ministério da Agricultura, que via que o uso do solo estava indo por um caminho errado”, afirma

12h39 – “Essa discussão (do Código Florestal) é uma discussão que vem vindo de muito tempo. Desde o início do meu primeiro mandato. Em 1995, o desmatamento foi de 29 mil km quadradados”, afirma Marina, ao abrir o evento.

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