Na fundação do PSD, Kassab diz que partido nasce ‘independente’ do governo e da oposição
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Na fundação do PSD, Kassab diz que partido nasce ‘independente’ do governo e da oposição

Jennifer Gonzales

21 de março de 2011 | 12h16

André Mascarenhas, do Estadão.com.br

Insatisfeito com os rumos tomados por seu atual partido, o DEM, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou oficialmente nesta segunda-feira, 21, a criação do PSD (Partido Social  Democrático), num ato que contou com a presença de deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores da capital. Argumentando que a nova sigla não é “de esquerda ou de direita”, Kassab prometeu trabalhar com a presidente Dilma Rousseff (PT) em projetos que forem de interesse da agremiação, e reafirmou seu compromisso com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). 

“O PSD nasce independente”, asseverou Kassab. “Estaremos ao lado do governo federal em relação aos projetos que acreditamos que sejam melhores para o País. E estaremos contra os projetos que não acreditamos que sejam melhores para o País. Torcemos muito para que a presidenta Dilma faça um bom governo. É bom para o País.”

O início do discurso do prefeito foi marcado por um protesto contra o aumento na tarifa de ônibus de São Paulo. O lançamento do novo partido coincidiu com a divulgação de uma pesquisa Datafolha que apontou que 43% dos paulistanos desaprovam o prefeito.

Kassab rechaçou as críticas de que a criação da sigla tenha um caráter oportunista. “O seu nascimento [do PSD] é um instrumento que a democracia brasileira dá a todos aqueles que estão na vida pública, filiados a um partido, e que se sintam desconfortáveis nesse partido. A democracia assegura esse direito a todos aqueles que querem fazer essa mudança”, disse o prefeito em coletiva após o ato desta segunda.

Ao conrário das especulações dos últimos meses, Kassab garantiu que o PSD não irá se fundir com outro partido. “Fomos convidados por duas legendas respeitáveis, com dirigentes respeitados, o PMDB e o PSB, e definimos, nas últimas semanas, com os novos dirigentes do PSD, que o partido caminhará com suas próprias pernas nas eleições municipais do ano que vem”, acrescentou.

Acompanharam Kassab no ato o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (DEM), o secretário de Negócios Jurídicos da capital, Cláudio Lembo, deputados federais e prefeitos. “É uma alegria estar aqui. Uma alegria porque estamos vivendo um momento exemplar. A alegria de criar um novo partido que não traz o vícios dos partidos do passado”, discursou Lembo, o primeiro a falar depois do prefeito.

Embora tenha dito que não deixará a oposição, Kassab admitiu estar em processo de aproximação com a presidente Dilma. “Essa é a razão da minha saída do DEM. Eu me sinto desconfortável em um partido que quer votar sempre contra porque é contra. Eu acho que, acima dos partidos, existe os interesses do País.”

Alçado a prefeito de São Paulo, um dos cargos executivos mais cobiçados do País, após passar pela vice do ex-prefeito José Serra, Kassab garantiu que sempre caminhará junto com seu padrinho. “Minhas relações com Serra são inquebráveis. Onde ele estiver, eu estarei ao seu lado”, disse o prefeito. “Minha relação com o PSDB continua sólida e firme. Somos co-responsáveis pela eleição de Geraldo Alckmin e, portanto, pelo sucesso de seu governo.”

Vice. Após a intervenção de deputados e prefeitos, foi Afif Domingos quem encerrou o ato. O vice fez a leitura dos doz mandamentos que norteraram a ação do partido. A liberdade de imprensa, a promoção da igualdade, o respeito aos cidadãos pagadores de impostos, a reforma trabalhista, o livre comércio, o respeito aos contratos e a liberdade e responabilidade individual estão entre os pontos que irão compor o programa do PSD. Afif disse ainda que o novo partido lutará para que o voto distrital seja adotado para as eleições para vereador do ano que vem.

Apesar de estar de partida para uma sigla que não dará ênfase na oposição ao governo federal, Afif descartou que sua decisão possa desagradar a Alckmin. “A nossa dissidência não se deu com o PSDB, se deu com o DEM”, disse Afif em coletiva após o ato. “Então a vida continua da mesma forma, porque eu tenho um compromisso nas urnas ao lado do governador Geraldo Alckmin. E vamos cumpri-lo até o fim.” O vice acrescentou que tem mantido o governador informado sobre suas decisões.

Kassab informou ainda que caberá ao vice liderar um grupo de trabalho para a criação do PSD. Segundo Afif, as formalidades para a criação da nova sigla devem ser concluídas até julho, dentro do prazo para que candidatos do partido concorram nas eleições municipais do ano que vem. O prefeito afirmou estar abdicando de todas as suas funções administrativas dentro do partido e acrescentou que irá se desfiliar da legenda.

Segundo ato. No domingo, o prefeito esteve em Salvador e participou de encontro político com potenciais filiados do PSD na Bahia, como o vice-governador, Otto Alencar (PP). Conforme revelou o Estado na última terça-feira, os planos de fusão com o PSB ou PMDB estão fora da pauta no momento. O PSD buscará as legendas para se coligar na eleição de 2012 e, assim, contar com tempo de TV na campanha eleitoral.

Leia a seguir os principais momentos do evento:

13h35 – “Nós não nascemos para ser contra, nós nascemos para ser à favor do povo e do desenvolvimento brasileiro”, encerra Afif.

13h31 – O vice-governador Guilherme Afif Domingos encerra o ato lendo os doze mandamentos do partido, que inclui liberdade de imprensa, promoção da igualdade, respeito aos cidadãos pagadores de impostos, reforma trabalhista, livre comércio, respeito aos contratos e liberdade e responabilidade individual. “Tudo isso se baseia na crença da liberdade individual e a responsabilidade”, resume Afif.

13h17 –  Kassab toma a palavra novamente. “Eu vou pedir um aplauso para uma pessoa muito especial. Uma pessoa que ao longo da sua vida pública contribuiu muito para o processo legislativo”, diz o prefeito. “Ao pedir um aplauso para o João Melão, quero pedir um aplauso para todos aqueles que ainda não assinaram”, diz Kassab. Melão é do DEM.

13h12 – O deputado estadual Jorginho Maluli diz estar há 23 anos no mesmo partido, o DEM. “A Bíblia já diz, diga com quem andas que direi quem és. Tenho certeza, Kassab, que esse partido fará muito mais barulho do que muitos acreditam”, discursa o deputado. A próxima a discursar é a ex-deputada Zulaiê Cobra. “Eu quero a oposição inteligente, como diz o nosso prefeito Gilberto Kassab. Apoiar o governo, quando o governo acerta, e criticar o governo, quando o governo erra”, discursa Zulaiê, para quem o PSD nasce como um partido “social democrata”.

13h06  – Deputados estaduais e prefeitos de cidades do interior e do litoral paulista discursam. O prefeito de Itu, Herculano, diz que, na Bahia, o PSD já o segundo maior partido do Estado. O próximo a assinar o manifesto é o secretário e vereador de São Paulo Marcos Cintra. “Um ato como esse não pode dar errado. O País espera que esse partido dê certo. Mais do que isso, o País precisa que um partido como esse, com suas ideias e seus projetos, dê certo”, diz Cintra.

13h04 – “Com certeza, o PSD vai ser não somente uma nova alternativa, mas o espaço também do debate para o desenvolvimento do nosso país”, diz o deputado Walter Ioshi.

13h01 – Quem discursa agora é o deputado federal Eleuses Paiva. “Eu acredito, como todos nós nesse país, no desenvolvimentimo do ex-pesidente Juscelino Kubischek. Como médico, eu digo que hoje estamos colocando um vírus na política desse país que irá se espalhar. É o vírus da ética”, diz Paiva.

12h59 – O próximo a discursar é o deputado federal Junji Abe, do DEM. Ele pede especial homenagem às mulheres, representadas na criação do novo partido pela ex-deputada federal Zulaie Cobra.

12h57 – O próximo a assinar o manifesto será o deputado federal Guilherme Campos (DEM). “Esse partido vem cumprir um importante papel na democria brasileira. O papel de abrigar aqueles que querem um país que anda pra frente”, diz Campos.

12h54 – Kassab passa a palavra ao secretário de Negócios Jurídicos da cidade de São Paulo, Claudio Lembo. O ex-vice-governador será o primeiro, depois do prefeito, a assinar o manifesto de criação do partido. “É uma alegria estar aqui. Uma alegria porque estamos vivendo um moto exemplar. A alegruia de criar um novo partido que não traz o vícios dos partidos do passado”, discursa Lembo.

12h51 – O prefeito de São Paulo explica o processo de criação do partido e diz que o Brasil precisa ser “maior do que as diferenças entre os partidos”. Kassab garante que, a nível nacional, o PSD é independente. Ele critica os que afirmam que o objetivo do partido é aderir ao “governo A, governo B ou governo C”. Kassab reafirma seu compromisso com o governo de Geraldo Alckmin, mas se compromete a apoiar a “presidenta Dilma para que ela seja uma grande presidenta”. “A partir de agora fica instalado o grupo de trabalho para buscar a instalação do PSD no País”.

12h46 – Os manifestantes deixam o auditório. Kassab começa a discursar: “Nos últimos meses, as pessoas aqui presentes se dedicaram a criar um partido que atenda às ainda enormes demandas sociais que o País enfrenta”, diz Kassab. Além de Afif Domingos e Lembo, estão presentes no auditório políticos do PSDB, como s vereadores de São Paulo José Police Neto e Floriano Pesaro, do DEM, como o deputado estadual João Melão Neto, e até counistas, como o deputado federal Protógenes Queiroz, do PC do B.

12h44 – O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, abre o evento. Um grupo de manifestantes protesta contra o aumento nas passagens de ônibus em São Paulo: “Abaixa o busão, abaixa o busão.” O prefeito pede uma salva de palmas para os manifestantes.